King Crimson – 04-10-2019 – São Paulo (Espaço das Américas)

Texto por Clayton Franco – Fotos por Tony Levin Official Site – Edição por André Luiz

Creio que já fazem dez anos que eu faço resenhas de shows, mas confesso que nunca tive tanta dificuldade para escrever um texto como o da cobertura do show do King Crimson pela “Celebration Tour”, ocorrida na noite de 04 de outubro no Espaço das Américas em São Paulo. Pela primeira no país, para shows no Rock In Rio e na capital paulista, o grupo inglês proporcionou um espetáculo sonoro cuja imersão do público ouvinte nas melodias tocadas era o único objetivo da noite.

Desde o início da abertura das casa o público se deparou com mensagens no telão e cartazes sobre o palco montado, que estaria completamente proibido tirar fotos ou fazer gravações do show – recado este também repetido de forma exaustiva pelos alto-falantes da casa antes do início do evento. Tudo isso a pedido do grupo musical, para que o público pudesse de fato sentir em sua mente, imaginação e coração o espetáculo sonoro que presenciou.

Pontualmente às 21h30m horas a banda adentrou o palco tomando suas posições nos instrumentos previamente montados com “Drumsons” e “Larks’ Tongues In Aspic Part One”. A configuração do palco já demonstrava que a noite seria diferente: em primeiro plano três grandes baterias, cada uma com peças distintas da outra, ocupando toda a parte frontal do palco; atrás, sobre um tablado montado, os espaços reservados para o guitarrista, vocalista, baixista e saxofonista. As baterias já chamavam a atenção, e dando início ao espetáculo com um solo no qual os três bateristas se complementavam, já tínhamos a certeza da grande noite que presenciaríamos.

Comandando o espetáculo como regente do King Crimson há 50 anos, Robert Fripp lidera uma banda formada por músicos de grande calibre, que executam de forma perfeccionista os clássicos gravados pelo Crimson: desde outubro de 2017 a banda é formada por Robert Fripp, Michael “Jakko” Jakszyk (voz, guitarra e flauta), Tony Levin (baixo), Mel Collins (saxofone, flauta), Pat Mastelotto (percussão), Gavin Harrison (percussão), Jeremy Stacey (bateria) e Bill Rieflin (teclado).

E clássicos não faltaram durante as três horas de show, com um pequeno intervalo de 20 minutos. Praticamente tocando na íntegra o álbum ‘In The Court Of The Crimson King’, a banda não interagiu com o público exceto pelas canções – não houveram espaços para os integrantes conversarem com o público, nem mesmo um “boa noite”. Executando canção atrás de canção, oito mil pessoas puderam conferir clássicos como “Islands”, “Starless”, “Level Five” entre outros, serem executados de forma perfeccionista com uma ótima sonorização a qual preenchia todo o ambiente do Espaço das Américas.

Algo importante a citar é que não havia nenhum plano de fundo com imagens de capa de álbum e nem mesmo o nome da banda, apenas um pano preto iluminado por luzes de um roxo profundo. O show ocorreu sem que houvessem mudanças no sistema de iluminação da casa, o palco permaneceu durante todo o espetáculo iluminado por luzes brancas para que todos os espectadores tivessem uma visão clara dos integrantes. A excessão foi durante a execução de “Red”, durante a qual as luzes ganharam tom avermelhados.

E após três horas de espetáculo, o King Crimson se despediu com o petardo “21st Century Schizoid Man” deixando o palco sob uma saraivada de aplausos de um público que presenciou uma noite mágica, atípica e histórica. Agradecimentos à Catto Comunicação e Mercury Concerts.

Set List King Crimson:
Drumsons
Larks’ Tongues In Aspic, Part One
Suitable Grounds For The Blues
Red
Epitaph
Drumzilla
Neurotica
Moonchild
Radical Action II
Level Five

Drumsons
Cirkus
Easy Money
Larks’ Tongues In Aspic, Part IV
Islands
Indiscipline
The Court Of The Crimson King
Starless

21st Century Schizoid Man

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