HellgardeN: a vida é muito curta para viver de ódio e destruição – entrevista exclusiva com Guilherme Biondo

Entrevista por André Luiz – Imagens por divulgação, Ste de Carvalho e Thiago Victal – Edição por André Luiz

Gana, energia, uma banda ávida por desafios buscando seu espaço. Diretamente de Botucatu, no interior paulista, a HellgardeN presenteia o ouvinte em seu debut album ‘Making Noise, Living Fast’ literalmente com um show ao vivo executado em estúdio. Elogiada por público e crítica especializada, fechando distribuição do disco de estreia com um selo internacional e altamente ativa nas mídias sociais em tempos de isolamento social devido ao covid-19, a banda destaca-se em meio a nova safra de bandas nacionais. Neste contexto, o baixista Guilherme Biondo concedeu entrevista exclusiva ao Portal Metal Revolution e definiu o sentimento do quarteto paulista: “a vida é uma só, então temos que viver, sonhar acordado e realizar tudo de olhos abertos”.

André Luiz – Primeiramente, muito obrigado pela entrevista. A HellgardeN é uma banda nova, oriunda de Botucatu no interior de São Paulo e que se recentemente lançou seu álbum debut. Conheço essa região da “SP 300” – Rodovia Marechal Rondon – devido família por parte de pai que moram até hoje em Cafelândia, algumas cidades maiores como Bauru, Lins e a própria Botucatu atraem pessoas da região e acabam se tornando polos regionais. O Caick (Gabriel, guitarra) e o Matheus (Barreiros, bateria) eram amigos desde a adolescência e tocavam juntos, sendo que a partir disto conheceram tanto o Diego (Pascuci, vocal) quanto você (Guilherme Biondo, baixo). Como se deu o encontro entre vocês e a ideia da formação de uma banda heavy no interior paulista? Comentem sobre a cena rocker em Botucatu e região na atualidade, se há um circuito de rock bares e moto clubes fomentando o público apreciador de música pesada.
Guilherme Biondo –
Obrigado pela oportunidade. Nós nos conhecemos no meio dessa cena, então a ideia de montar uma banda e fazer um barulho era inevitável. E a premissa sempre foi criar algo sólido que remetesse ao oldschool. Aqui no interior tem uma cena bem legal, tem muitas casas noturnas voltadas pro metal, aqui em Botucatu falta um pouco, mas também tem alguns eventos e bares que abrem esse espaço.

André Luiz – Há quase um ano atrás, foi divulgado o vídeo clipe de “Learned To Play Dirty”,  o primeiro single do álbum ‘Making Noise, Living Fast’. Já podia-se notar uma banda com gana, um espírito que parecia encarar cada momento plugado como se fosse o último show da vida, seja uma gravação de estúdio ou apresentação para centenas de pessoas. Curiosamente, o próprio disco de estreia foi gravado em um esquema de fita, analógico, sem cortes ou regravações, e os comentários a respeito dessa situação “diferente” nos tempos atuais é o que mais me chamou atenção nos 06 episódios do “Behind…” – disponibilizados no canal do YouTube da HellgardeN. O que motivou a escolha do primeiro single? Gostaria que me explicassem como se deu a escolha por esta forma de gravação “na fita” e que comentassem sobre essa experiência ao lado de Lisciel Franco (produtor) e Roberto Carvalho (engenheiro de som) no ForestLab Studios – oito músicas em cinco dias, a química entre banda e equipe me parece ter sido excelente.
Guilherme –
A “Learned To Play Dirty” é uma música bem marcante, mostra bem a mensagem e a nossa intenção. Sempre tivemos essa ideia de gravar em fita porque era assim que as bandas faziam nós anos 80, 90, sem edições, sem cola, tudo na cara. O Lisciel e o Roberto são excelentes profissionais, o que tornou a experiência desse trabalho muito incrível. Nós da HellgardeN nos preparamos muito pra essa gravação e sempre tivemos um entrosamento muito bom, então na execução tudo saiu como o planejado. O processo todo na verdade durou 13 dias, onde nós acompanhamos toda a mixagem e ouvimos repetidamente pra garantir que tudo estava exatamente como o planejado.

André Luiz – No início do ano foi divulgada a capa do ‘Making Noise, Living Fast’, uma foto da Ste de Carvalho a qual capitou perfeitamente a essência banger da HellgardeN. Além do mais, o disco contou com importante participação norte-americana: a masterização por Alan Douches (de trabalhos com Motörhead, Sepultura, entre outros) e o lançamento mundial via Brutal Records. O que motivou a escolha por uma capa fugindo da usual opção por artes encomendadas mais elaboradas? Como se deu o contato para masterização e a entrada no cast da gravadora norte-americana?
Guilherme –
Quando estávamos pensando na arte para o álbum, pensamos em muitas possibilidades e como já tínhamos usado essa arte na divulgação do single, preferimos por utilizá-la no álbum também porque a foto ficou muito boa. A Stefani tem uma visão incrível e conseguiu captar toda essa gana que a banda possui em uma imagem, e no final acabou sendo a escolha mais sensata. Quanto à masterização, o próprio Lisciel nos recomendou procurar por um profissional especializado nessa parte, então entramos em contato com o Alan Douches que já tinha um currículo bem extenso com bandas que são referência no nosso estilo de som. Nós estávamos  procurando por uma parceria que desse um suporte do lançamento do disco mundialmente, e entramos em contato com a Brutal Records que nos acolheu muito bem e tem dado todo o apoio para o crescimento da banda no exterior. Essa parceria tem gerado bons frutos para ambas as partes.

André Luiz – ‘Making Noise, Living Fast’ trata-se de um disco ao vivo em estúdio, esta é a minha clara impressão ao ouvir o álbum. Riffs poderosos, energia no melhor sentido da palavra, letras diretas – como no caso do primeiro single “a vida é um jogo isso é verdade, eu aposto minha alma não tenho nada a perder” – demonstram uma banda com gana. Comente sobre os conceitos envolvidos no novo álbum e a principal mensagem do ‘MNLF’.
Guilherme –
Acredito que tentamos passar a forma como vivemos como indivíduos, aquilo que nos faz bem e aquilo que ficamos indignados, a vida é uma só, então temos que viver, sonhar acordado e realizar tudo de olhos abertos. A vida é muito curta pra viver de ódio e destruição, o ser humano como uma espécie mais “evoluída” deveria se comportar melhor perante à várias situações. Vemos um retrocesso muito grande em muitos lugares no mundo, seja em situações políticas, sociais ou até mesmo religiosas, então tentamos descrever tudo isso nas nossas composições.

André Luiz – “Possessed By Noise”, segundo single do ‘MNLF’ lançado em lyric video, trata-se exatamente da faixa que fecha o debut album. No vídeo animado criado pelo designer gráfico Raoni Hoseph, foram usadas as artes de Marcelo “Draw Or Die”, amplamente divulgadas nas camisetas oficiais “Possessed By Noise” lançadas pela banda em sua loja virtual. A letra possui frases um tanto que celebrando os mosh pits e stage diving em shows, um ode ao espírito dos bangers no ouvir de uma música mais enérgica. Comente sobre a escolha desta faixa e a possessão pelo barulho pregado na canção.
Guilherme –
Escolhemos a “Possessed By Noise” porque ela representa bem essa imagem da cena underground, os fãs do som pesado batendo cabeça em frente ao palco, o moshpit frenético, e essa sensação de estar com os amigos escutando um som que você gosta.

André Luiz – Além dos citados singles em vídeo clipe e lyric animado, a HellgardeN presentou os fãs com todas as faixas do ‘MNLF’ no YouTube e uma Studio Live Session especial com quase uma hora de duração. O grupo também fechou assessoria com a JZ Press – do experiente Johhny Z. Em meio ao mercado atual com ênfase nas interações através de mídias sociais e plataformas digitais, estas interações e investimentos podem ser considerados um diferencial para o destaque ou ostracismo de uma banda?
Guilherme –
Com certeza. Na atual situação que nos encontramos a única forma de se promover é através das plataformas digitais e procurar sempre manter informações e materiais novos pro nosso público.

André Luiz – O período pós quarentena será fundamental para tudo o que cerca o meio de entretenimento, seja para músicos, bandas, casas noturnas, produtores… Ao mesmo tempo, a HellgardeN lançou recentemente um álbum, e as restrições decorrentes da mesma acarretam em alterações na divulgação do disco. Como tem sido o esquema de promoção do novo álbum e a interação dos integrantes entre si? A banda tem programado uma série de lives com bandas convidadas, uma interessante ação… Da mesma forma, como a cena do rock e música pesada em geral pode sobreviver a esta grande turbulência?
Guilherme –
Acredito que principalmente na atual conjuntura, o lançamento de novos trabalhos nessa área de entretenimento seja fundamental para manter o público conscientizado e com bastante conteúdo de qualidade, para ajudar a passar por essa fase turbulenta. Felizmente a internet proporciona esse contato tão importante entre o artista e seu público.

André Luiz – A música da HellgardeN flerta com elementos de thrash, death, heavy, no release da banda cita-se groove. A química no melhor estilo “estúdio ao vivo” que percebe-se ao ouvir o ‘MNLF’ lembra bandas de destaque como Pantera, Machine Head ou Lamb Of God. Ao mesmo tempo, público e crítica tem sido elogiosos ao debut album, inclusive houveram comentários positivos do Rafael Bittencourt do Angra. Gostaria de saber sobre influências musicais dos integrantes do quarteto, se os mesmos vivem da HellgardeN ou possuem carreira profissional em paralelo à música e, como a repercussão do ‘MNLF’ foi recebida pela banda.
Guilherme –
Temos influência de diversas bandas e vertentes dentro do heavy metal e até mesmo outros estilos musicais como, blues e jazz. Claro que o plano é focar totalmente na carreira musical, mas estamos apenas começando na cena então não conseguimos viver somente da nossa música, temos empregos independentes da banda, mas procuramos poder viver plenamente do nosso som em breve. A repercussão tem sido ótima e temos uma perspectiva muito boa, estamos muito ansiosos para voltar aos palcos.

André Luiz – Agradeço a entrevista, deixe seu recado para os leitores do Portal Metal Revolution e fãs da banda.
Guilherme –
Agradecemos mais uma vez pela oportunidade, pra quem ainda não conhece o HellgardeN confira nosso canal e nossas redes sociais, temos muitas novidades ainda por vir que esperamos poder dividir com todos vocês.

HELLGARDEN
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Agradecimentos ao Johnny Z da JZ Press Assessoria pelo contato para realização desta entrevista.

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