Rockfest – 21-09-2019 – São Paulo (Allianz Parque)

Texto por André Luiz – Fotos por Ricardo Matsukawa (Mercury Concerts) – Edição por André Luiz

Cinco grandes nomes do rock mundial, cinco shows grandiosos, um sábado estupendo para mais de 40 mil pessoas. Desta forma podemos resumir a primeira edição do Rockfest, que aconteceu no dia 21 de setembro no Allianz Parque, em São Paulo, reunindo ícones na história do rock mundial: Scorpions (Alemanha), Whitesnake (Inglaterra), Helloween (Alemanha), Europe (Suécia), além dos brasileiros do Armored Dawn. A considerar a presença maciça de pessoas esgotando os ingressos de pistas e lotando as arquibancadas do estádio paulistano, tal impacto fora marcante para confirmação por parte da produtora Mercury Concerts de novas edições deste festival – através de releases lançados na divulgação do evento. Sobre o cast e qualidade das apresentações, deve-se primeiramente considerar que tais bandas possuem líderes na casa dos 50/60 anos de idade os quais alcançaram seu auge nas décadas de 80/90, ou seja, não há de se esperar a vitalidade/energia de um garotão pós adolescência no palco ou a execução de clássicos de maneira idêntica à 30-40 anos atrás.

A abertura do estádio ao público iniciou como previsto por volta das 14h, já às 16h15m seguindo o cronograma pré informado há meses pela produção, o representante brasileiro do Rockfest, Armored Dawn, surgiu no palco com uma intro seguida pelas faixas “Beware Of The Dragon” e “Chance To Live Again”. “Boa tarde São Paulo, vocês estão preparados? Porque cabeças vão rolar” discursou o frontman anunciando a “Heads Are Rolling”.

Formado em 2014, o Armored Dawn lançou dois álbuns e já dividiu o palco com grandes nomes nacionais e internacionais. Seu lançamento mais recente trata-se do ‘Barbarians In Black’ de 2018, mas mesmo assim, o experiente sexteto formado por Eduardo Parras (vocal), Timo Kaarkoski e Tiago de Moura (guitarras), Heros Trench (baixo), Rafael Agostino (teclado) e Rodrigo Oliveira (bateria) optou por utilizar sua performance como chance de promover material previamente não lançado – foram três faixas no set list executado. “Vocês estão mostrando que o metal no Brasil é fod* pra car****” afirmou Parras, inflamando os presentes antes do anúncio de mais uma faixa inédita – a exemplo da anterior –, “Animals Uncaged”.

“Agora é aquele momento em que vamos homenagear as pessoas que se foram, mas permanecem vivas em nossos corações. Dedico em especial ao André Matos” discursou o vocal, e com a imagem do icônico maestro exibida no telão ao fundo, fora anunciada “Sail Away”, certamente o momento mais marcante da apresentação com público empolgado cantando junto o refrão. As interações de Eduardo eram constantes junto aos presentes, e desta forma, afirmando a massa presente no Allianz Parque que “vocês são nossos amigos, vocês são nossos irmãos”, o frontman anunciou “Ragnarok”. Regado a palmas dos presentes, “Gods Of Metal” empolgou o público, a citar os três guitarristas na passarela durante o solo.

Após agradecimentos à produção e bandas, executaram “Rain Of Fire” – mais uma não lançada previamente –, com efeitos pirotécnicos no palco e a despedida em grande estilo às 16h58m. Muito se comenta sobre a presença do Armored Dawn em festivais devido poderio financeiro, mas não há como negar a qualidade tanto dos materiais lançados em estúdio quanto das performances ao vivo da banda. Aliás, dinheiro não compra fãs e isso o sexteto demonstra a cada apresentação que tem de sobra, a citar as várias faixas a vista no Allianz Parque e a nomeada “marcha dos 500” promovida pela Sou Dragon Club.

Set List Armored Dawn:
Intro / Beware Of The Dragon
Chance To Live Again
Heads Are Rolling
Animals Uncaged
Sail Away
Ragnarok
Gods Of Metal
Rain Of Fire

A agilidade na retirada de equipamentos do palco por parte da equipe de roadies para início da apresentação seguinte fez com que o festival ocorresse sem atrasos – conforme programação divulgada previamente. E desta forma, às 17h15m após curta introdução, o Europe surgiu no palco executando a dobradinha do novo álbum, a faixa-título “Walk The Earth” emendada em “The Siege”, com Tempest tomando as rédeas do show logo de início através de seus trejeitos, ora brincando com o microfone/pedestal, ora por sua dança peculiar na passarela. Em meio ao bater de palmas incitado pelo vocal, Joey perguntou em português “oi São Paulo, como vocês estão?” e logo seguiu o primeiro clássico do Europe da tarde, “Rock The Night”, incitando os presentes e inflamando mais ainda Tempest o qual migrou de vez para passarela e não saiu mais do meio da pista com seu microfone/pedestal – arriscou até mesmo um “cantem comigo” em português.

“Eu quero ver vocês gritarem” bradou Joey anunciando o clássico “Scream Of Anger”, do álbum ‘Wings Of Tomorrow’ de 1984, um momento que resumiu exatamente uma percepção geral: em meio a uma das composições mais pesadas do grupo com execução simplesmente espetacular – show de Ian Haugland na bateria e riffs esplendorosos de John Norum –, o público estava impressionado já que muitos conheciam apenas uma ou duas músicas dos suecos. E por falar em faixas conhecidas, após a intro “Prelude”, o grupo executou um sucesso mais recente, “Last Look At Eden”, bem recebida por todos tendo em vista que fora divulgada em várias rádios paulistanas na época do lançamento do álbum homônimo – o qual inclusive trouxe a banda ao país em 2010, um ano após seu lançamento.

“Muito feliz de estar aqui com vocês, São Paulo” discursou em português o simpático frontman, o qual portando uma guitarra iniciou mais um petardo das antigas do Europe, “Ready Or Not”, com desempenho sensacional do virtuoso John Norum. Tempest entregou sua guitarra ao roadie e iniciou a intro da melodiosa faixa que dá nome ao álbum de 2015, “War Of Kings”, com seu ritmo cadenciado mesclado a potente bateria – monstruoso – e solo de guitarra novamente destacado. A faixa foi emendada com outra do mesmo disco, “Hole In My Pocket”.

Desde quando surgiu em 1979, o Europe já lançou 11 álbuns e consolidou sua fama como uma das maiores atrações do hard rock mundial – mesmo com a pausa em 1992 retornando à ativa no ano de 2003. Os suecos, cujo álbum mais recente ‘Walk the Earth’ fora lançado em 2017, retornaram ao Brasil com sua formação clássica: Joey Tempest (vocal), o virtuoso John Norum (guitarra), John Levén (baixo), Mic Michaeli (teclados) e Ian Haugland (bateria). E justamente um dos hits que levou o Europe ao topo das paradas mundiais foi executado na sequência do show no Rockfest: a intro no teclado já dava a tônica do que viria a seguir, o clássico “Carrie” ergueu um mar de celulares no Allianz Parque, momento emocionante que fez o estádio paulistano cantar alto com Tempest na passarela em meio a pista.

“Obrigado, thank you so much, beautiful” bradou o vocal entusiasmado, soltou um “car****” em português arrancando risadas dos presentes, pediu palmas e iniciou o clássico “Supertitious”. Empolgado com a receptividade, Joey desceu do palco, atravessou a passarela no meio da pista cumprimentando a galera, pediu em português para cantarem junto com ele e após a reação dos presentes gritou novamente em português “car****”. Público na mão e carisma exalando. Em rápida interação do baterista para Tempest beber uma água e o Norum trocar a jaqueta, o retorno deu-se com o hino dos suecos “Cherokee”, palmas no alto incentivadas pelo frontman e solo de teclado. Citei teclado? E a intro clássica a seguir? Allianz Parque veio abaixo com o maior clássico do Europe em meio ao mar de celulares registrando o momento da execução de “The Final Countdown”, com público pulando, gritos de “Europe”, apresentação dos músicos e o encerramento do ótimo show às 18h19m – incluindo a foto com público de fundo. Banda de um hit só? Quem conhece um mínimo sobre a discografia dos suecos não se assustaria com o que viram durante “Scream Of Anger” e outros clássicos do Europe, em especial com a ótima performance ao vivo de Leven, Michaeli, o monstruoso Ian Haugland, o virtuoso John Norum – Malmsteen? Suécia tem mais guitarristas espetaculares – e logicamente, o carisma em pessoa e qualidade vocal de Joey Tempest.

Set List Europe:
Intro / Walk The Earth
The Siege
Rock The Night
Scream Of Anger
Prelude / Last Look At Eden
Ready Or Not
War Of Kings
Hole In My Pocket
Carrie
Superstitious
Cherokee
The Final Countdown

Um dos momentos mais aguardados e curiosos da noite viria a seguir. Acostumados a shows longos, com constantes momentos solos e introduções antes das músicas, como o Helloween se sairia em um show com tempo de set encurtado para mais da metade do habitual? A resposta se deu às 18h45m quando os sete músicos surgiram no palco após a intro e executaram versões matadoras de “I’m Alive” e “Dr. Stein”, destacando-se Michael Kiske e Andi Deris revezando nos vocais, telão com animações referente as músicas e público em polvorosa.

Deris ficou na passarela e no primeiro discurso da noite disse que estavam tocando pelo Megadeth, pedindo na sequência um grito por Dave Mustaine. Após a resposta em alto e bom som do público, o vocal chamou Kiske de volta ao palco, o qual comandou junto aos demais músicos uma versão direta do clássico “Eagle Fly Free”, comemorada por todos como se fosse um gol em partida de futebol. Os músicos deixaram o palco e o retorno se deu com mais uma faixa celebrada pelos presentes, Deris trajando seu terno brilhante e bengala em mãos para execução de “Perfect Gentleman” do álbum ‘Master Of The Rings’ de 1994 – após o solo de guitarra, Kiske surgiu para interagir com o performático Deris no palco.

Em seus mais de 35 anos de carreira, o Helloween cativou milhões de fãs ao redor do mundo com suas canções de melodias assombrosas e riffs fantásticos, sendo considerada precursora do power metal. Após o retorno de Michael Kiske e Kai Hansen para a “Pumpkins United World Tour 2017/2018” e o anúncio de um novo full lenght de inéditas para 2020, foram divulgadas as datas no Brasil – incluindo Rock in Rio – em substituição ao Megadeth devido aos problemas de saúde de Dave Mustaine. A banda é formada por Andi Deris (vocal), Dani Löble (bateria), Sascha Gerstner e Michael Weikath (guitarras), Markus Grosskopf (baixo), além dos citados Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra, vocal). A dinâmica da banda com sete integrantes e revezamentos de guitarristas/vocais transforma a experiência ao vivo com Helloween em única. Membro fundador e primeiro vocalista da banda, Kai Hansen foi convocado para assumir os vocais do clássico do debut album ‘Walls Of Jericho’, uma das execuções mais memoráveis da noite: “Ride The Sky”, a primeira performance da faixa por completo desde 2014 – a mesma vinha sendo executada em forma de medley junto as faixas “Starlight” e “Judas”.

Kiske surgiu no palco pedindo para todos ligarem seus celulares porque aquela seria a única balada da noite e deram início a impressionante execução de “A Tale That Wasn’t Right”, mais um petardo emocionante com Deris surgindo ao lado da bateria para cantar a segunda parte da canção ao lado de Kiske. “Balada é perigoso fazer vocês dormirem. Vocês estão dormindo?” questionou o interativo Deris, o qual continuou dizendo que a música seguinte em português significava “força” – pronunciando um portunhol cômico o qual arrancou risos da plateia –, anunciando o petardo “Power” do disco ‘The Time Of The Oath’ de 1996. “Mais uma do ‘Walls Of Jericho’, agora dividindo o vocal em três, eu Kiske e Kai” discursou Deris novamente antes do classicaço “How Many Tears”, um show de interação entre os músicos, trio de guitarras/vozes estupendo.

Surgiu uma curta pausa e seguiram dois hinos do power metal mundial, presentes nos álbuns ‘Keeper Of The Seven Keys Part 1’ e ‘Part 2’, para deixar os fãs das abóboras ensandecidos. Primeiro Kai Hansen retornou ao palco e com um solo empolgante introduziu “Future World”, entoada por Kiske a plenos pulmões. Com Deris no palco ao lado dos demais músicos, o final apoteótico seguiu através da execução de “I Want Out” com bolas estilizadas do Helloween jogadas à plateia, moshs enquanto o público cantava com a banda inteira na passarela no meio da pista, chuva de papel picado e os vocais comandando a interação entre os lados do Alllianz Parque durante o solo de guitarra, encerrando a performance dos alemães às 19h51m. Foram 66 minutos e um repertório enxuto considerando que a “Pumpkins United World Tour 2017/2018” contava com 23 músicas por show. Logicamente faltariam clássicos, os fãs cada qual tem um pensamento diferente sobre faixas que poderiam entrar no set, mas quem se importa após um show memorável como o presenciado no Rockfest? O tempo menor inclusive deu uma dinamismo maior para apresentação, os músicos com idade mais avançada – exceto Sascha Gerstner e Dani Löble, todos acima de 50 anos – puderam despejar mais energia no palco. Se considerarmos esta performance como melhor show do Rockfest, podemos dizer que o Iron Maiden terá um grande embate no Rock In Rio se apresentando após os lendários alemães…

Set List Helloween:
Intro / I’m Alive (com Michael Kiske e Deris)
Dr. Stein (com Michael Kiske & Andi Deris)
Eagle Fly Free (com Michael Kiske)
Perfect Gentleman (com Andi Deris e Kiske)
Ride the Sky (com Kai Hansen)
A Tale That Wasn’t Right (com Michael Kiske & Andi Deris)
Power (com Andi Deris)
How Many Tears (com Andi Deris, Michael Kiske & Kai Hansen)
Future World (com Michael Kiske)
I Want Out (com Michael Kiske & Andi Deris)

Às 20h22m, “My Generation” do The Who nos PA’s indicava o início da performance do Whitesnake. Pouco depois, deu-se início ao espetáculo com a banda no palco e David Coverdale na passarela para execução de “Bad Boys” seguida por “Slide It In”. Foram várias faixas executadas em sequência, sem o menor tempo para respiro, incluindo o próprio frontman que apenas durante o solo de “Love Ain’t No Stranger” se dirigiu ao palco para beber água e já retornou à passarela para dar sequência ao show. A primeira faixa do recém lançado álbum ‘Flesh And Blood’ a ser executada na apresentação foi “Hey You (You Make Me Rock)”, bem recebida pelos presentes, os quais acompanhavam Coverdale dançando mais estático e fazendo gestuais na passarela, bem diferente do móvel rockstar que anos atrás passava os shows performando com o pedestal do microfone – a princípio imaginava um belo embate frente os giros de Joey Tempest do Europe na segunda apresentação do festival, mas há de se considerar que o vocal do Whitesnake possui 12 anos a mais de idade…

Em “Slow an’ Easy” finalmente o frontman veio para os lados do palco, quando recebeu uma bandeira do Brasil e após ergue-la na direção do público colocou-a na cintura e voltou à passarela para mais uma do novo álbum, “Trouble Is Your Middle Name”. Formada por David Coverdale quando o vocalista saiu do Deep Purple, em 1978, o Whitesnake é uma verdadeira lenda do rock mundial. A banda norte-americana segue na estrada com sua turnê ‘Flesh And Blood’, promovendo o álbum lançado em maio de 2019, com o icônico vocal ao lado de Rob Beach e Joel Hoekstra (guitarras), Tommy Aldridge (bateria), Michael Devin (baixo) e Michele Luppi (teclados). Coverdale completaria 68 anos exatamente no domingo, 22, dia seguinte ao Rockfest, já comemorou previamente junto aos amigos do Scorpions no hotel com direito a bolo contendo logo da banda devidamente postado nas redes sociais, e para a tour no Brasil trouxe toda sua família para comemorar a data festiva: em toda tour o rockstar traja uma camisa personalizada com o logo do Whitesnake em meio a bandeira brasileira, tamanho apreço pelo público de nosso país.

Coverdale sempre possuiu um dedo fantástico para escolha de sua banda, e o mesmo pôde ser conferido na sequência. Primeiro a pausa para solo da dupla de guitarristas enquanto o vocal se hidratava, a execução de mais uma faixa do novo disco intitulada “Shut Up & Kiss Me” prosseguindo a performance com o retorno do frontman ao palco – vulgo passarela. Novo solo, desta vez do monstruoso Aldrige que arrancou gritos do público com sua energia e posterior solo dispensando as baquetas – detalhe que o baterista é mais velho do que o próprio vocal, tendo completado 69 anos no mês anterior. “O indestrutível Tommy Aldrige” anunciou Coverdale antes de apresentar os demais integrantes da banda e dar início ao clássico “Is This Love” – mar de celulares erguidos para registro da música em vídeo –, seguido pelo petardo “Gimme All Your Love”, empolgando os presentes.

Possuindo um repertório de clássicos atemporais, era de se esperar que o público cantasse “Here I Go Again” mais alto do que Coverdale, em mais um momento fantástico da noite com luzes de celulares na pista/arquibancada dando uma atmosfera diferenciada à execução da canção. “Still Of The Night” teve momentos do frontman no extremo de seu vocal, mas a realidade é que a idade realmente chegou mesmo ele brigando bravamente para alcançar tons altos – seu esforço notável foi recompensado com aplausos do Allianz Parque em peso. O encerramento veio com a indispensável “Burn”, da fase do Coverdale no Deep Purple, finalizando às 21h37m com PA’s do Allianz Parque executando “We Wish You Well” – do disco ‘Lovehunter’ de 1979 – enquanto os músicos agradeciam ao público e jogavam paletas/baquetas. Uma banda bem entrosada com ótimos músicos, Tommy Aldrige no auge dos seus 69 anos roubando a cena e David Coverdale performando no seu limite físico e de voz para entregar aos mais de 40 mil presente no estádio, na véspera de seu aniversário de 68 anos, um show digno da trajetória de sucesso do Whitesnake.

Set List Whitesnake:
Bad Boys
Slide It In
Love Ain’t No Stranger
Hey You (You Make Me Rock)
Slow an’ Easy
Trouble Is Your Middle Name
Guitar Solo / Shut up & Kiss Me
Drum Solo / Is This Love
Give Me All Your Love
Here I Go Again
Still Of The Night
Burn (Deep Purple cover)

Aproximava-se das 22h quando os PA’s do Allianz Parque executavam “Crazy World”, faixa título do álbum de 1990, o 11º dos alemães. Os músicos surgiram no palco e iniciaram a apresentação do Scorpions com “Going Out With A Bang” de seu último disco de inéditas – ‘Return To Forever’ –, seguida pelo clássico oitentista “Make It Real” com destaque para bandeira do Brasil nos telões e a dupla de guitars solando na passarela. “Boa noite São Paulo, tudo bem?” disse Klaus em português, anunciando na sequência “The Zoo” e jogando baquetas ao público durante o solo – faixa emendada com a instrumental “Coast To Coast” e Klaus formando trio de guitarras com Schenker e Jabs, encerrando a música com o quarteto de cordas na frente da passarela em meio ao público.

Meine agradeceu a todos e iniciou com seus parceiros de banda um medley com as faixas “Top Of The Bill”, “Steamrock Fever”, “Speedy’s Coming” e “Catch Your Train”. Após mais um curto discurso do frontman, “We Built This House” foi mais uma do mais recente disco de estúdio executada – a faixa “Delicate Dance”, presente no set list de Curitiba, não foi tocada na capital paulista. Com mais de 40 anos de carreira e milhões de álbuns vendidos, o Scorpions é considerado uma das maiores e mais bem-sucedidas bandas de rock da história. A banda é composta atualmente por Klaus Meine (vocal), Rudolph Schenker e Mathias Jabs (guitarras), Pawel Maciwoda (baixo) e Mikkey Dee (bateria) e tem excursionado pela “Crazy World Tour” desde 2017, mesclando sucessos de sua carreira com músicas mais recentes. E nesta toada, seguiu o momento acústico da noite, com músicos na passarela – incluindo um mini kit de bateria para Dee –, e “Send Me An Angel” foi executada regada a luzes dos celulares do público e o Allianz Parque bradando o refrão. A sequência veio com o famoso assobio do clássico radiofônico “Wind Of Change” e público cantando alto novamente, incluindo show de luzes do público e o já corriqueiro mar de celulares para registro em vídeo do momento.

Trazendo novamente energia ao show, trouxeram à tona a faixa do disco ‘Crazy World’ de 1990, “Tease Me Please Me”– em Curitiba foi executado em um medley com “Bad Boys Running Wild” e “I’m Leaving You” –, mas a sequência espetacular teve Mike Dee como protagonista: com a bateria sendo erguida por correntes, um solo totalmente energético do veterano ex-baterista do Motorhead empolgou aos presentes. Ao fim, som de sirene e Schenker surgiu correndo com sua guitarra soltando fumaça na passarela, era a largada para o fim da primeira parte do show com o clássico “Blackout” e encerrando, o petardo “Big City Nights”.

O retorno da banda deu-se com duas das, senão as principais músicas do Scorpions, comemoradas como se fosse um gol em partida de futebol pelos presentes no Allianz Parque. “Still Loving You” com seu tom avermelhado no palco e luzes dos celulares na pista/arquibancada, foi cantada a plenos pulmões pelo público. Klaus entoou o refrão de “Holiday” a capela e invocou o hino “Rock You Like A Hurricane” regado a aplausos dos presentes e voz bradada alta pelos quatro cantos do estádio, finalizando a performance dos alemães às 23h25m. Usando e abusando de um repertório com dezenas de sucessos, o Scorpions subiu no palco com o jogo ganho. Assim como citado sobre Coverdale, os músicos do Scorpions embora estejam com idade avançada dedicam-se no palco e entregam ao expectador uma apresentação correta, direta, sem tantas invenções ou pirotecnias, mas prezando pelo clima nostálgico. Se haverá uma nova tour de despedida da banda não sabemos, o certo é que o Brasil estará na rota desta. Se haverá uma nova edição do Rockfest como citado nos releases da produtora, aguardamos um line up de qualidade e um nível de organização de primeira linha, a exemplo do festival em 2019 – será que com Kiss de headliner, como anunciado a tour dos norte americanos nos telões do Allianz Parque durante o intervalo de shows? Aguardemos… Agradecimentos à Catto Comunicação e Mercury Concerts.

Set List Scorpions:
Going Out With A Bang
Make It Real
The Zoo
Coast To Coast
Top Of The Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train
We Built This House
Send Me An Angel (acústico)
Wind Of Change
Tease Me Please Me
Drum Solo / Blackout
Big City Nights

Still Loving You
Rock You Like A Hurricane

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