Stryper e Narnia – 14-09-2019 – São Paulo (Tropical Butantã)

Texto por Thiago Verpa – Fotos por Leandro Almeida – Edição por André Luiz

No sábado, 14, desembarcaram em São Paulo dois ícones do metal cristão – conhecido também como White Metal –, os norte-americanos do Stryper e os suecos do Narnia. Os shows deveriam contar também com a banda Tourniquet, que cancelou sua participação alguns dias antes por uma série de fatores. Porém, esse review não irá focar nas polêmicas, mas sim na música, que é o que importa no fim.

Ao chegar no local, notei que não havia mais ninguém do lado de fora como costumo ver. Isso se deve, provavelmente, ao fato de a grande maioria do público ser outro, um público que é conhecido por não consumir bebidas alcoólicas – ou seja, nada de “esquenta” na porta da casa de shows. Às 19h46, 14 minutos antes do horário oficial previsto, as luzes da casa se apagaram e o Narnia entrou no palco. Confesso que nunca tinha ouvido falar dos suecos e fiz o que costumo fazer nesses casos: assisto ao show e espero ser surpreendido. E eles conseguiram. A banda, formada por Christian Rivel-Liljegren nos vocais, Carl Johan Grimmark na guitarra, Andreas Johansson na bateria, Jonatan Samuelsson no baixo e Martin Härenstam no teclado, apresentou um metal extremamente bem feito, repleto de solos complexos e levadas rápidas.

Divulgando seu mais recente disco, ‘From Darkness To Light’, a banda iniciou o show com a faixa de abertura do mesmo, “A Crack In The Sky”, seguida por “Sail Around The World”, do álbum ‘Course Of A Generation’. Carl elogiou a energia dos brasileiros e se mostrou feliz por poder retornar ao país dois anos após a última visita. O show prosseguiu com “The Mission” e “I Still Believe”. Martin Härenstam era um dos mais empolgados da banda e agitou diversas vezes com o público, tombando seu teclado para os lados e se movimentando bastante. O meu destaque vai para o guitarrista “CJ” Grimmark que, sem dúvida alguma, bebeu na fonte do seu conterrâneo, o guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, e executou solos extremamente rápidos e complexos. Outro destaque do show vai para a execução da música “The War That Tore The Land”, na qual a banda foi acompanhada pela gravação de um coral infantil e demonstrou muita emoção ao interpretar mais uma faixa de seu disco mais recente.

Em “Long Live The King”, Christian surgiu no palco trajando uma jaqueta com o nome da música escrito nas costas e, durante a canção, trocou-a por uma camiseta da seleção brasileira, agradando ao público presente. Christian também disse que, após o show, atenderia aos fãs no local de venda de merchandising, promessa que foi cumprida minutos após o término do show. “Living Water” encerrou o show dos suecos, que poderia ser definido com a palavra “energia”.

Set List Narnia:
A Crack In The Sky
Sail Around The World
The Mission
I Still Believe
You Are The Air That I Breathe
Shelter Through The Pain
Reaching For The Top
The War That Tore The Land
Into This Game
Dangerous Game
Long Live The King
Inner Sanctum
Living Water

Após uma rápida troca de equipamentos e alguns ajustes, às 21h28m, as luzes se apagaram novamente e Robert Sweet (bateria), Perry Richardson (baixo), Oz Fox (guitarra) e Michael Sweet (vocais, guitarra) levaram o Tropical Butantã abaixo com a clássica “Soldiers Under Command”. Logo no começo, Michael Sweet já iniciou a tradicional distribuição de bíblias para o público, ato realizado desde os primórdios da banda, muito apreciado por seus fãs e que durou o show todo. Após executarem “Loving You”, Michael Sweet fez uma pequena pausa para agradecer pela presença do público e perguntou quem sentia falta da década de 1980. “Eu sinto falta. Sinto falta principalmente da música, das guitarras, dos vocais, das bandas. Então, vamos tocar agora uma dessa época”. E, assim, executaram outro clássico, “Calling On You”, seguida por “Free”.

Em “More Than A Man”, o tour manager da América do Sul Mike Kerr foi convidado para tocar com a banda – formando um trio de guitarras – e se mostrou visivelmente emocionado com o fato. Dali em diante, foi um desfile de hits como “All For One”, “Honestly” e “In God We Trust” – esta última seguindo a versão do álbum ‘Reborn’. Vale destacar que o “novato” da banda é ninguém menos que Perry Richardson, que ficou famoso como baixista da banda de hard rock Firehouse. Há apenas dois anos na banda, Michael, Robert e Oz resolveram “apresentar” o colega executando “All She Wrote”, um dos grandes sucessos do Firehouse.

Michael e Oz parecem unha e carne, tamanha a harmonia e sincronismo de suas guitarras, um completando as linhas do outro. E, apesar de Oz executar a maioria dos solos, Michael não deixa nada a desejar em técnica, tocando majestosamente alguns dos solos. Robert Sweet é um baterista peculiar, que opta por montar sua bateria virada de lado para o público, para que o mesmo possa vê-lo por completo. Ele também deixa um ventilador ligado próximo de seu rosto para que seus cabelos permaneçam “esvoaçantes” o show inteiro. Quer algo mais anos 80 do que isso? Obviamente, todos esses elementos visuais não valeriam de nada caso o músico não fosse bom. Mas afirmo, Robert Sweet é um baterista de mão cheia e não dá uma bola fora ou na trave. A precisão é mantida o tempo todo.

Após curta pausa, a noite chegou ao fim com “Abyss/The Valley” e o clássico “To Hell With The Devil”, marcando mais um show impecável dos norte-americanos, repleto de clássicos e músicas de seus discos mais recentes. Prato cheio, seja você fã de hard rock, metal, cristão, ateu ou qualquer outra coisa. Agradecimentos à Lex Metalis e EV7 Live.

Set List Stryper:
Soldiers Under Command
Loving You
Calling On You
Free
More Than A Man
All For One
Surrender
All She Wrote (FireHouse cover)
Honestly
In God We Trust
Always There For You
Sorry
Yahweh
Sing-Along Song

Abyss/The Valley
To Hell With The Devil

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