The Exploited – 15-06-2019 – São Paulo (Fabrique Club)

Texto por Renata Pen – Fotos por Flávio Santiago (Onstage) – Edição por André Luiz

The Exploited surpreendeu fãs de punk com apresentação calorosa em São Paulo. Após terem cancelado a turnê em outubro do ano passado por causa dos problemas de coração de Wattie Butchan, a banda retornou ao Brasil em grande estilo. O músico sentiu-se mal em uma das apresentações precisando submeter-se a uma cirurgia para quatro pontes de safena. Seu abuso com drogas parece estar longe de acabar e isso com a idade tende a agravar-se. Apesar disso, The Exploited é a referência mais forte que se tem quando falamos de punk – quem nunca viu alguém usando aquela camiseta clássica com uma caveira usando um moicano?

Em suas letras marcantes, eles abordam temas relacionados a desigualdade social, corrupção, violência, religião e guerra. A banda possui oito álbuns de estúdio e sua carreira serve de exemplo para grupos como o Dead Kennedys, por exemplo, os quais vieram depois. A banda definiu seu estilo como extremo usando moicanos coloridos e expressando totalmente sua insatisfação com o sistema – diferentemente de outras bandas que davam apoio ao anarquismo. Sua frmação atual conta com Wattie Butchan (vocal), Wullie Butchan (bateria), Irish Rob (baixo) e Matt Mcguire (guitarra).

A casa de shows Fabrique Club teve a honra de receber no dia 15/06/19 como banda de abertura a Ação Direta. A lendária banda de hardcore foi formada em 1987, na cidade de São Bernardo do Campo (SP) e já lançou 08 álbuns de estúdio. Sua line up conta com Gepeto (vocal), Denis (guitarra), Galo (baixo) e Marcão (bateria). Às 19h20m, a casa estava vazia, mas foi enchendo aos poucos. O palco possuía um luminoso simples com a logomarca do Ação Direta. O público era em sua grande maioria masculina – nota-se que ultimamente, que poucas mulheres frequentam shows de bandas mais extremas.

Gepeto interagiu com o público entre uma música e outra durante todo o show, agradeceu os presentes e contou também um pouco de sua trajetória nas últimas 03 décadas. Abriram a pancadaria com “Manifesto” e a roda estava liberada. Logo vieram suas músicas mais clássicas como “Deuses, Dogma e a Violência” e “Nunca Mais”. A apresentação contou com a presença de Diego Palmito da banda Forbidden Ideas nos vocais da faixa “Crueldade”. E desta forma, o grupo hardcore paulista fechou a noite com “Caçador da Noite” (um cover da Dorsal Atlântica), e convidando a todos para revê-los novamente no Santo Rock Bar, em Santo André, onde tocariam ao lado da banda Ratos do Porão.

Set List Ação Direta:
Manifesto
Por qual razão
Deuses, Dogmas e a violência
Dias de Luta
Nunca Mais
No Poder
Intro-Conspiração
Na cruz da Exclusão
Intro-Zeitgeist
Fatalidades
Intro / Massacre Humano
Artificial
Crueldade
Corpo Fechado
Sinais de Pulsação
Caçador da Noite

Não é matinê, ou é? A banda punk mais famosa do mundo subiu ao palco as 20h30m, ou seja, 15 minutos antes do esperado. O comentário foi feito porque é de costume ser o contrário. A cortina estava fechada mas pudemos vê-los mesmo assim. Chamava a atenção o moicano do Wattie, marca registrada que todo mundo deveria ver na vida. Eles passaram o som e a cortina logo se abriu, simples assim. A banda foi recebida a latadas de cerveja e gritos de ordem por um grupo que estava em frente ao palco. Wattie olhou para as pessoas que jogavam coisas nele com um olhar de quem não estava entendendo o que se passava.

A apresentação estava bem elaborada, abordando quase todos os álbuns. Quando a casa estava mais cheia, o bate cabeça começou a rolar forte ao som de “Let´s Start A War”. A guitarra de Matt parou de funcionar e Wattie começou a brincar no microfone, até começarem a gritar frases em apoio ao ex-presidente preso. Wattie falou para Mattie apressar com a guitarra, porque o pessoal já estava gritando “fuck you”. Quando Wattie ouviu ele respondeu. “Foi isso que ouvi do guitarrista quando pedi pra ele arrumar a guitarra”. Mesmo com estes problemas o show continuou e “Beat The Bastards” colocou todo mundo para cantar e entrar na roda. Mas, “Fuck the System” foi o ponto alto dos escoceses no palco do Fabrique Club.

Levando a mão ao peito durante toda a apresentação, foi evidente que Wattie estava com dor. Isso confirmou-se em uma conversa informal em uma rede social. O músico confirmou que foi muito difícil terminar o show porque ele não conseguia respirar direito sentindo-se engasgado. Apesar disso o vocalista disse ter adorado as apresentações na América do Sul e acrescentou que não imaginava que depois de tantos anos ainda viajaria pelo mundo.

Quase no final do show, durante “Sex & Violence”, a banda chamou uma galera enorme para subir ao palco e com o microfone na mão uma fã cantou enquanto Wattie tomou fôlego para finalizar o show com mais três músicas. No auge do punk os shows eram mais agressivos e mais polêmicos. Mas, mesmo depois de tanto tempo, The Exploited continua sendo referência do punk. Agradecimentos à MP Tour Management e Lanciare Comunicação.

Set List The Exploited:
Let´s Start A War
Fightback
Dogs Of War
The Massacre
UK82
Chaos Is My life
Dead Cities
Alternative
Why Are You Doing This To Me?
Rival Leaders
Troops Of Tomorrow (Vibrators cover)
Noize Annoys
Never Sell Out
I Believe In Anarchy
Holiday In The Sun
Maggie
Beat The Bastards
Cop Cars
Porno Slut
Fuck The System
Disorder
Army Life
Fuck The U.S.A.
Sex & Violence
There Is No point
Punks Not Dead
Was It Me?

(Visited 127 times, 2 visits today)