Dee Snider – 23-03-2019 – São Paulo (Tom Brasil)

Texto por André Luiz – Fotos por Teca Lamboglia – Edição por André Luiz

Em sua primeira turnê solo após o fim do Twisted Sister, o vocalista e líder da aclamada banda, Dee Snider, excursionou pelo Brasil trazendo o sucesso de crítica e público ‘For The Love Of Metal’ aos palcos de Curitiba – Ópera de Arame – e São Paulo. Na capital paulista, o Tom Brasil foi o local responsável por abrigar a legião de fãs, ávidos por presenciar um dos principais performers de toda história do rock mundial, o qual no auge de seus 64 anos de idade – completados uma semana antes – esbanjou energia on stage e potência de voz. O frontman retornou à cidade 06 anos após o último show com o Twisted Sister no Brasil – a considerar que neste meio tempo, o músico fez uma participação especial na apresentação do Angra no Rock In Rio em 2015.

Havia pouco público nos arredores do Tom Brasil por volta das 20h30m, horário informado para início da apresentação da banda de abertura. A considerar que os veículos de imprensa não receberam release com a informação de que os curitibanos do The Secret Society se apresentariam, pode se afirmar que a chegada programada do público para as proximidades das 22h – anunciado como horário de subida ao palco de Dee Snider – foi algo natural. Desta forma, Guto Diaz (vocal, baixo), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria) iniciaram sua apresentação com a faixa “Beyond The Gates”, seguida pelo single “Fields Of Glass”.

Os integrantes possuem uma história interessante: Guto e Fabiano formaram respectivamente nos anos 80 as bandas Epidemic e Abaixo de Deus, posteriormente no início da década 90 se juntaram para criar a banda Primal a qual terminou em 2011. Em 2017 os músicos se juntaram ao Orlando – o qual integrou o Primal de 2000 a 2008 – e em forma de power trio, criaram o projeto The Secret Society o qual até o dado momento lançou três singles sendo dois como lyric video e um outro em forma de vídeo clipe. O som arremete a um post punk com pitadas de gothic rock e industrial muito bem executados, na linha de The Sisters Of Mercy, Bauhaus – o visual do vocal lembra muito o de Peter Murphy na fase áurea –, Christian Death… E nesta toada, os músicos executaram mais três músicas: “Mefistofaustian Transluciferation (A Map For a Lonely Man)” – com direito a citação poética de Guto como introdução a faixa –, “The Final Cut” e “Rites Of Fire”.

O power trio, o qual atualmente trabalha na pré-produção de seu álbum de estreia – previsão de lançamento ainda em 2019 –, arrancou aplausos do público ao final de “Rubicon”, da mesma forma que “The Architecture Of Melancholy” demonstrou a figura caricata do frontman em meio a imagens aleatórios sendo projetadas ao fundo do palco. Finalizaram a apresentação às 21h38m com uma versão muito bem executada para “Cry For Love” do Iggy Pop. Mesmo em meio ao pouco público presente durante a abertura – com uma maior divulgação deste show, provavelmente haveriam mais pessoas para apreciar sua performance –, pôde-se perceber a qualidade no material executado pelo power trio curitibano, pois mesmo a sonoridade sendo diferente da atração principal da noite, o público presente – o qual em sua maioria aparentava ser mais “maduro” – apreciou o que presenciou no palco do Tom Brasil. Quem sabe um retorno no final do ano à São Paulo com debut album em mãos e na abertura para um The Sisters Of Mercy não seja plausível? Uma sugestão viável, tendo em vista a qualidade de material apresentado ao público paulistano na referida noite.

Set List The Secret Society:
Beyond The Gates
Fields Of Glass
Mefistofaustian Transluciferation (A Map For a Lonely Man)
The Final Cut
Rites Of Fire
Rubicon
The Architecture Of Melancholy
Cry For Love (Iggy Pop cover)

Conforme o horário programado para apresentação de Dee Snider se aproximava, as dependências do Tom Brasil ganhavam mais público – a casa não lotou mas recebeu grande presença de fãs e apreciadores da discografia do músico. Os próprios guitarristas Nick Petrino e Charlie Bellmore foram vistos fazendo trabalho de roadie durante a arrumação de palco, porém por serem desconhecidos do “grande público”, suas presenças passaram batidas. E foi às 22h04m com “Exciter” do Judas Priest nos PA’s que os gritos do público ganharam voz no Tom Brasil, até a entrada dos músicos e a execução da dobradinha do álbum de 2018 ‘For The Love Of Metal’ formada por “Lies Are A Business” – cujo vídeo clipe com produção brasileira fora divulgado uma semana antes – e a pesada “Tomorrow’s No Concern”, duas músicas que representam o espírito do “disco de metal” de Dee Snider, o quarto solo do músico. Mas nem somente de faixas novas o show viveria, e o primeiro clássico do Twisted Sister jogou de vez gasolina no fogo: “You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll”, faixa título do álbum de 1983 da mítica banda norte-americana, empolgou inclusive os músicos pela recepção do público.

“Estou feliz de voltar à São Paulo, Brasil” começou seu primeiro discurso da noite o bem-humorado Dee Snider, o qual continuou dizendo que veio especialmente para tocar o último álbum solo, mas sem deixar de lado músicas do Twisted Sister. Desta forma, o frontman anunciou a excelente “American Made” – com Snider fazendo o trocadilho para “Brazilian made” durante sua execução – emendada com o hino do ‘Stay Hungry’ de 1984 do Twisted Sister, “Burn In Hell”, para explosão geral do público e alegria da banda, um daqueles momentos em que os presentes no Tom Brasil reverberarão por muitos dias na mente. “Tenho tanta coisa a dizer para vocês, pena que não falo português, prometo que na próxima vez que vir ao Brasil estarei aqui falando português, mesmo que isso demore uns dez anos…” brincou Snider antes de anunciar mais uma do álbum solo, a faixa “I Am The Hurricane”.

Nova-iorquino nascido em 1955, Daniel “Dee” Snider completou 64 anos dia 15 de março – uma semana antes do show em São Paulo –, e trouxe à capital paulista para promover o álbum de 2018 ‘For The Love Of Metal’ os irmãos Nicky Bellmore (bateria) e Charlie Bellmore (guitarra), além de Nick Petrino (guitarra) e Joakin Agnemyr (baixo). O Twisted Sister entre idas, vindas e hiatos, esteve de 1972 a 2016 em atividade, período durante o qual produziu diversos hits de sucesso. Dentre as faixas clássicas, podemos citar “We’re Not Gonna Take It” do ‘Stay Hungry’ de 1984 como uma das senão a principal. E foi esta música a responsável por fazer o Tom Brasil pular e cantar de forma efusiva, tanto que Dee entusiasmado ao fim da faixa discursou “holy shit, eu pude ver vocês cantando, mas agora quero ouvi-los sem banda, somente vocês”, recebendo como resposta do público o refrão cantado a capela em uníssono e a retomada da música, finalizando de maneira épica.

Snider cumprimentou alguns presentes junto a grade e recebeu uma bandeira do Brasil a qual estendeu no alto para gritos dos presentes, e discursou dizendo que “na América do Sul e Brasil há fãs originais, trues de verdade” e anunciou que executariam uma música do Widowmaker – banda do frontman nos idos dos anos 90 com a qual gravou dois full lenghts, ‘Blood And Bullets’ de 1992 e ‘Stand By For Pain’ de 1994 –, e foi do segundo álbum a escolhida pelo frontman: “Ready To Fall”. Com a banda empolgada, emendaram outra do clássico disco de 1984 do TS, o hino “The Price” o qual ganhou um plus com as imagens de personagens da história do rock e metal já falecidos – iniciando por Ronnie James Dio e passando por vários mitos ovacionados pelos presentes, a citar Freedy Mercury, Dimebag Darrell, Eric Carr, Cliff Burton, Randy Rhoads, Clive Burr entre tantos outros. Dee pediu para todos ligarem seus celulares em meio ao Tom Brasil com luzes apagadas, dando um tom diferenciado ao ambiente na casa de shows, e finalizando com a imagem de A. J. Pero ao fundo, baterista do Twisted Sister falecido em 2015, para quem Snider dedicou a música apontando o dedo indicador aos céus – momento memorável da noite.

A apresentação continuou com mais uma do álbum solo do rockstar, “Become The Storm”, emendada com a faixa título do debut de 1982 do Twisted Sister, “Under The Blade”, trazendo uma performance simplesmente espetacular de Snider com energia, rodando de um lado para o outro no palco, e despejando no palco invejável potência de voz. “Tenho que colocar na minha lista falar português, tenho que colocar…” brincou o frontman junto ao baterista Nicky Bellmore. O público gritou efusivamente o nome de Dee Snider o qual agradeceu e “combinou” com o público para faixa seguinte: “vamos fazer o seguinte, eu canto ‘I wanna rock’ e a plateia emenda ‘rock’…”. Desta maneira “diesnaideriana”, o clássico “I Wanna Rock” do ‘Stay Hungry’ foi executada pelos músicos com tamanha interação da plateia que Dee mandou parar a música no meio fazendo reverências aos presentes, seguiu pedindo para o câmera subir no palco e filmar a interação entre frontman e público, brincou com os músicos dizendo que estes faziam pose de Steve Harris do Iron Maiden e finalizou o clássico sendo ovacionado pelos presentes, deixando o palco ao lado do restante da banda.

Após uma curta pausa de segundos, Dee voltou, passou o microfone para o camera man o qual disse que precisariam filmar mais uma vez a música seguinte, e com os demais músicos no palco executaram pela segunda vez a faixa “Tomorrow’s No Concern”, com muita energia e Snider enrolando uma bandeira do Brasil no microfone. Após apresentação dos músicos, o frontman anunciou a faixa título de seu álbum solo, a já clássica “For The Love Of Metal” – uma verdadeira “colcha de retalhos” com alusões a faixas do Twisted Sister, Iron Maiden, Judas Priest, Motörhead, Slayer, Dio e Ozzy Osbourne – fórmula usada por exemplo em “Thrash ‘Till Death” do Destruction. Com sinais de “horns” – os populares chifres imortalizados por Ronnie Dio – pedidos por Snider à plateia e muita energia no palco, os músicos finalizaram a apresentação exatamente às 23h20m – deixando de lado a execução da versão para “Highway To Hell” do AC/DC, presente inicialmente no set list.

Em meio ao fim do Twisted Sister em 2016, o show mesclou em seu repertório a nostalgia da clássica banda norte-americana com faixas do álbum solo do frontman, sendo abrilhantado pela interação entre músicos – diga-se de passagem, instrumentistas muito bons – e público, uma sintonia excelente explicitada em cerca de 1h15m de show. Se Dee Snider retornará ao Brasil em cerca 10 anos após aprender português, como brincou durante o show, não podemos afirmar; mas o certo é que, aos 64 anos, a energia demonstrada no palco do Tom Brasil e potência de voz apresentada aos paulistanos, são um exemplo a nova geração. Agradecimentos à Top Link Music, Hoffman & Obrian e assessoria de imprensa do Tom Brasil.

Set List Dee Snider:
Lies Are A Business
Tomorrow’s No Concern
You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll (Twisted Sister)
American Made
Burn In Hell (Twisted Sister)
I Am The Hurricane
We’re Not Gonna Take It (Twisted Sister)
Ready To Fall (Widowmaker)
The Price (Twisted Sister)
Become The Storm
Under The Blade (Twisted Sister)
I Wanna Rock (Twisted Sister)

Tomorrow’s No Concern
For The Love Of Metal

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