David Garrett – 16-11-2017 – São Paulo (Citibank Hall)

Texto por Alvaro Ramos – Fotos por Alvaro Ramos – Edição por André Luiz

De volta ao Brasil após uma passagem de muito sucesso pelo país em 2015, o violinista alemão David Garrett retornou para um show único em São Paulo. Considerado um dos maiores violinistas da atualidade, Garrett é famoso por misturar elementos da música clássica com estilos que vão desde o Pop até o Rap e o Rock, passando por vários outros. Com sua banda de acompanhamento formada por guitarra, contrabaixo elétrico, bateria e teclado, como em uma banda tradicional, Garrett trouxe ao Brasil sua turnê “Explosive”, que começou em 2015, quando o álbum de mesmo nome foi lançado. Depois disso, o músico já lançou um novo álbum, ‘Rock Revolution’, que saiu em setembro de 2017, portanto o repertório contou com algumas músicas do novo álbum.

A apresentação aconteceu no Citibank Hall, e estava marcada para as 21h30m. Por volta de 15 minutos após o horário marcado, as luzes da casa se apagaram, e sob aplausos, a banda entrou no palco, iniciando o show com “This Is What It Feels Like”, música do DJ holandês Armin van Buuren. Enquanto o público aguardava a entrada de David no palco, o mesmo surpreendeu os presentes e entrou pelos fundos, passando pelo meio da plateia enquanto tocava seu violino, e levava todos à loucura. Depois de passar por toda a extensão da casa, David subiu no palco e se juntou à banda para continuar o show. “Superstition”, de Stevie Wonder, veio na sequência, e Garrett fez a primeira pausa para cumprimentar o público e dizer que tocaria em seguida uma música que fez muito sucesso em sua versão.

O clipe de “Viva La Vida”, do Coldplay, viralizou nas mãos de Garrett, vídeo este durante o qual várias imagens de David surgem conforme os instrumentos entram na música. Com muito carisma e uma técnica incrível, Garrett conseguiu logo no começo do show já mostrar o motivo de ser considerado um dos mais importantes violinistas contemporâneos. Depois de “Let It Go” (conhecida por ser parte da trilha sonora do filme “Frozen”) e “Kashmir”, do Led Zeppelin, Garrett interrompeu o show novamente e com bom humor disse que a canção seguinte provavelmente seria reconhecida por todos que estavam lá; a música tema de “Ghostbusters” foi executada, e o público que se divertia com David, colaborou para cantar junto com a banda o refrão do tema. Mais uma parada para conversar com os fãs, David disse que não poderia deixar de tocar algumas coisas de música clássica, e emendou com uma série de canções as quais foram instantaneamente reconhecidas pela plateia. O violinista brincou dizendo que apesar de muita gente achar que não, todos conhecem pelo menos o básico de música clássica, pois muitas músicas do estilo estão no subconsciente coletivo, como a Quinta Sinfonia de Beethoven.

Após nova conversa, o show seguiu intercalando músicas de diversos estilos com as músicas clássicas, e também composições próprias de David Garrett e sua banda, como “Furious” e “Explosive”, sendo que antes de iniciar esta última, David explicou que sempre foi fã de música eletrônica, e que para ele, essa mistura da música clássica com eletrônica deu um resultado explosivo, fazendo um trocadilho com o nome do álbum e da turnê homônimos. Ao término de “Explosive”, Garrett disse que faria uma homenagem à um artista do qual ele e sua banda eram muito fãs, e que infelizmente havia falecido: uma emocionante versão de “Purple Rain”, do Prince, encerrou o “primeiro ato” de seu show, e ele anunciou que voltaria depois, assim como acontece normalmente em concertos de música clássica.

Após aproximadamente 20 minutos, todos retornaram ao palco com “Summer” (Verão, em português), parte das “Quatro Estações” de Vivaldi. Na sequência, a segunda parte do show foi composta por uma seleção de músicas que passaram desde o rap de Eminem (“Lose Yourself”) até o rock clássico de Bruce Springsteen (“Born In The USA”), passando pelo pop de Michael Jackson (“They Don’t Care About Us”) e o metal do Rage Against the Machine (“Killing in the Name”), dentre outros. Após um longo show que contou com muito carisma e interações com o público – em alguns momentos, David desceu novamente do palco para poder tocar passando pela platéia –, a segunda parte do show chegava ao fim com “Music”, de John Miles. Ovacionado pelo público, David Garrett deixou o palco com um sorriso no rosto e mostrando estar satisfeito com a reação dos presentes. Após alguns minutos e muitos pedidos dos fãs, o retorno para o bis executando uma versão de “One Moment In Time” de Whitney Houston, prestando assim outra homenagem à estrela pop que também faleceu há poucos anos. Ao término, o público continou aplaudindo David, que agradeceu novamente e após conversar mais um pouco – prometendo voltar em breve –, deixou o palco de vez, finalizando assim uma apresentação que certamente ficará na memória do público que estava lá.

Por mais de duas horas, David impressionou o público esbanjando seu carisma e simpatia, mas acima de tudo, um talento fora do comum. Se alguém que não está acostumado com esse tipo de show e tem alguma dúvida sobre o resultado de se misturar diferentes estilos com a música clássica, a dica deste quem vos escreve é: assista um show do David Garrett, e veja por si mesmo o quão belo e impressionante o resultado pode ser. Agradecimentos à Time For Fun.

Set List David Garrett:
This is What It Feels Like (Armin Van Buuren)
Superstition (Stevie Wonder)
Viva la Vida (Coldplay)
Let It Go (Idina Menzel)
Kashmir (Led Zeppelin)
Ghostbusters (Ray Parker Jr.)
Symphony No. 5 / G minor symphony / Toccata and Fugue in D minor, BWV 565
Piano Concerto No. 1 (Pyotr Ilyich Tchaikovsky)
Furious
Bitter Sweet Symphony (The Verve)
Adventure Island
Explosive
Purple Rain (Prince)

Summer (Antonio Vivaldi)
Nah Neh Nah (Vaya Con Dios)
Live And Let Die (Wings)
You’re The Inspiration (Chicago)
Zorba’s Dance (Mikis Theodorakis)
Lose Yourself (Eminem)
Midnight Waltz
Odd Measures
Prelude Duel
Born In The U.S.A. (Bruce Springsteen)
Killing In The Name (Rage Against The Machine)
25) They Don’t Care About Us (Michael Jackson)
Music (John Miles)

One Moment In Time (Whitney Houston)

 

 

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