Mike Portnoys Shattered Fortress – 21-10-2017 – São Paulo (Carioca Club)

Texto por Thiago Verpa – Fotos por Yuri Murakami www.musicdrops.com.br – Edição por André Luiz

O exímio baterista Mike Portnoy tornou-se uma presença constante em solo brasileiro. Pelo menos uma vez por ano, Mike se apresenta no país com algum de seus projetos ou bandas. Dessa vez a atração era mais especial, principalmente para os fãs de Dream Theater “órfãos” do Sr. Portnoy desde 2010. Mike trouxe o projeto “Mike Portnoy’s Shattered Fortress” para o país junto com os músicos Conner Green (baixo, Haken), Diego Tejeida (teclado, Haken), Richard Henshall (guitarra, Haken), Charlie Griffiths (guitarra, Haken), Eric Gillette (guitarra, The Neal Morse Band) e Ross Jennings (vocal, Haken).

Neste projeto, Mike voltou a tocar músicas do Dream Theater sete anos após a sua saída, com foco no seu famoso “Twelve-step suite” (cinco músicas compostas por ele tratando de sua relação com o alcoolismo), além de outros clássicos. Prato cheio para os fãs que compareceram em grande número, número este tão alto que superlotou o Carioca Club, com relatos de fãs passando mal devido ao calor e aperto – sendo que parte do público conseguiu adentrar após o início do show devido a fila interminável e outros simplesmente desistiram de ficar após verem que não havia mais espaço disponível na casa.

Com 15 minutos de atraso – uma tentativa de permitir que os fãs ainda do lado de foram conseguissem entrar –, as luzes se apagaram às 19h15m e a famosa “Prelude” (tema do filme “Psicose”) começou a ecoar nos PAs. Em seguida, o famoso “tic-tac” de “Regression” enlouqueceu os fãs. Surgindo aos poucos no palco, a banda iniciou a execução de “Overture 1928” com um Mike Portnoy tocando bateria em pé e saudando a todos os presentes. “Strange Déjà Vu” foi cantada em uníssono e completou a trinca inicial de músicas do aclamado disco ‘Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory’.

Após a pesadíssima “The Mirror” (do álbum ‘Awake’), que contou com um solo de teclado, Mike deixou a bateria e foi para a frente do palco conversar com o público. Após ser muito aplaudido, ele contou sobre o conceito do show, como a ideia surgiu para o seu aniversário de 50 anos e como ele estava feliz em trazer o show para São Paulo. “Esse é a parte 2 do meu presente de aniversário de 50 anos para vocês”, declarou Portnoy.

Após a introdução, Mike retornou à bateria e iniciou a primeira música do “Twelve-step suite”, “The Glass Prison” (do álbum ‘Six Degrees Of Inner Turbulence’). O público foi ao delírio. Tenho que dar grande destaque ao entrosamento dos músicos acompanhando Mike. A precisão era tanta que a impressão que se tinha é a de que o CD estava sendo tocado nos PA’s. As três guitarras deixaram o som mais completo e encorpado. Acredito que a ideia de Mike foi realmente executar as músicas de maneira 100% fiel às gravações. O vocalista Ross Jennings cumpriu bem o seu papel e deixou transparecer a emoção das letras através de sua voz.

Na sequência, “This Dying Soul”, “The Root Of All Evil”, “Repentance” e “The Shattered Fortress” deixaram os fãs ensandecidos. É de senso comum que a base de fãs do Dream Theater é extremamente fiel e apaixonada. Frequentador do Carioca Club desde 2010, afirmo que nunca havia visto uma cena como a presenciada neste show: todos cantando e pulando de maneira fervorosa, mesmo com o pouquíssimo espaço disponível para isso no momento.

Faltando apenas três músicas para encerrar o espetáculo (o que significava que ainda teríamos 30 minutos de show), a banda executou “Home”, “The Dance Of Eternity” e “Finally Free” (sendo essa a trinca final de músicas do álbum ‘Metrpolis Pt. 2: Scenes From A Memory’). Visivelmente emocionado, Mike foi até a frente do palco e agradeceu ao público, que respondeu com uma vibração impressionante – me senti na final de uma Copa do Mundo com tantos gritos e aplausos.

Uma noite memorável para a banda e fãs que testemunharam, possivelmente, a última vez que Portnoy tocou músicas do Dream Theater em solo brasileiro. Mike disse em diversas ocasiões que, após essa turnê, nunca mais tocaria nada do Dream Theater, encerrando de vez este capítulo de sua vida. Obrigado pela oportunidade, Mike. Agradecimentos à Overload e The Ultimate Music pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

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