Barão Vermelho – 06-05-2017 – Rio de Janeiro (Circo Voador)

Texto por Arony Martins – Fotos por Arony Martins – Edição por André Luiz

Funcionou! E funcionou muito bem. Em uma noite histórica, em que a demarcação de um novo recomeço foi acompanhada por dois mil fãs ensandecidos, um novo Barão Vermelho desfilou, por duas horas, clássicos que varreram sua carreira, emocionando aqueles que já não mais aguentavam de tanta saudade.

O Barão Vermelho é uma daquelas bandas cujo a história se confunde com a do Circo Voador, tendo a lendária casa de shows sendo importantíssima desde o início da história do grupo carioca. Ali tudo começou há 36 anos. E no sábado, 06, a banda iniciou mais um capítulo dessa história – e um promissor capítulo. Era a primeira apresentação sem a voz de Roberto Frejat, após três décadas com o grupo.  E certamente tratava-se de um momento de desconfiança, ansiedade e até mesmo medo, um sentimento que Guto Goffi dividiu com os fãs na volta do grupo para o bis.

Explica-se, quando no começo do ano, foi decidido que era hora do Barão Vermelho retornar à ativa, um impasse foi instalado: a recusa de Frejat, que já há bastante tempo preferiu seguir com a sua carreira solo. Os músicos decidiram caminhar em frente sem o ex-companheiro de banda. Para o seu lugar, recrutaram Rodrigo Nogueira, popularmente conhecido como Rodrigo Suricato. Por mais que o músico, de competência ímpar, já tenha uma carreira consolidada em um grupo com ótimo alcance e visibilidade, a escolha era com certeza arriscada. Ocupar o lugar que um dia foi de Cazuza e Frejat, não seria uma tarefa das mais simples. Porém em pouquíssimo tempo deram início aos ensaios, prometendo ao público cair na estrada. E o que foi prometido, foi cumprido.

E assim com “Pedra, Flor e Espinho” foi dada a largada para uma noite seguramente inesquecível. Com uma produção impecável, a apresentação fez jus à história do grupo. Afiadíssimos, com um som encorpado e pesado, os músicos do Barão demonstraram uma afinidade muito sólida. A impressão era que todos ali já tinham Rodrigo Suricato no line-up há muito tempo. Ou seja, uma identidade própria em construção estava sendo apresentada ali. O que tira desta matéria a responsabilidade de promover qualquer comparação do novo integrante com os eternizados cantores que passaram pela banda.

Pudemos presenciar alguns novos arranjos, Homenagem ao falecido percursionista Peninha, lembrado através de uma sequência gravada em “Puro êxtase” e Maurício Barros muito mais presente, com linhas de teclados andando lado a lado com as guitarras. Guitarras que diga-se de passagem dialogaram muito bem, mostrando que a interação entre Rodrigo e Fernando Magalhães é algo que pode fazer de um possível e vindouro trabalho em estúdio, um álbum à altura do que produziram até hoje. Ansiosamente aguardemos.

Diante de tantas coisas muito positivas, o público se deliciou e com certeza deixou o Circo Voador, feliz da vida. Gente de todas as idades tiveram a oportunidade de rever e cantar grandes clássicos como “Por Você”, “Bete Balanço” e “Pro dia nascer feliz”. Porém também tiveram a agradável surpresa de presenciar canções como “Eu queria ter uma bomba” e “Dignidade”, canções não tão frequentes nos shows da banda, que ultimamente também já não eram tão frequentes.

O que podemos esperar e desejar é longa vida ao Barão Vermelho. Que já não mais precisa ser qualificado como novo. Barão Vermelho é Barão Vermelho. Quem conhece, sabe bem do que está sendo falado. E se em algum momento as escolhas pareciam ser arriscadas. Numa vida feita de riscos, ousar, muitas das vezes, vale a pena. E valeu muito.

Set List Barão Vermelho:
Pedra, Flor e Espinho
Pense e Dance
Ponto Fraco
Carne de Pescoço
Bete Balanço
Dignidade
Billy Negão
Eu queria ter uma bomba
Down em mim
Enquanto ela não chegar
Meus Bons Amigos
Quem me olha, olha só
Não amo ninguém
Tão Longe de Tudo
Por Você
Por que a Gente é Assim?
Cuidado
Menina Mimada
Declare Guerra
Brasil
Puro Êxtase
Maior Abandonado
O Poeta Está Vivo
O Tempo não Para
Pro dia nascer feliz

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