Midnight Oil – 30-04-2017 – Rio de Janeiro (Vivo Rio)

Texto por Arony Martins – Fotos por Ricardo Nunes (Midiorama) – Edição por André Luiz

Se hoje você conhece ou mesmo já ouviu falar sobre qualquer causa socioambiental, agradeça ao Midnight Oil. Formada nos longínquos anos 1970, o grupo liderado pelo vocalista Peter Garrett, sempre esteve à frente de seu tempo. Criadora de um estilo próprio e sempre fiel aos seus ideais, o grupo australiano, que vivia uma longa pausa de shows e tours, não somente fez uma bela escolha em retornar à ativa, mas também nos presenteou com uma série de apresentações em solo brasileiro, e o Rio de Janeiro que foi rota de passagem quando estiveram por aqui em 1993 e 1998, mais uma vez recebeu a trupe das terras austrais de braços e gogós pra lá de abertos.

Com uma apresentação soberba, os “Oils” trouxeram ao palco do Vivo Rio – praticamente lotado diga-se de passagem – um desfile de canções que marcaram sua carreira. Algo a ser ressaltado é a não repetição da ordem dos sets ao longo da turnê brasileira, o que fez com que cada show tivesse sua própria história, história essa que no caso do grupo não é somente muito significativa, mas politicamente bem relevante também. Enquanto as pessoas se deliciavam com a modernização do rock nos anos 80, o Midnight Oil levava aos ouvidos do mundo inteiro, através de sua música, denúncias sobre o mal que as grandes empresas causavam ao meio ambiente, as gigantes desigualdades sociais e também a causa dos aborígenes, historicamente massacrados desde o período da colonização inglesa.

E com o clássico “King Of The Mountain” foi dada a largada para duas horas, quase que ininterruptas, de muito rock and roll. Foram 24 canções que varreram a carreira da banda, porém concentrados naqueles que podemos considerar seus álbuns mais importantes: ‘Diesel And Dust’ (executado quase que na íntegra), ‘Blue Sky Mining’ e ‘Earth And Sun And Moon’.

Não faltou simpatia por parte da banda. Por diversas vezes Peter se comunicou com a plateia, arranhando um português que se não era dos melhores, acabava compensado com as excêntricas performances, que se eletrizavam a cada canção e eletrizavam ainda mais os fãs que durante toda a apresentação citavam cada uma das músicas ao soar dos primeiros acordes. Como não amar ouvir mais de mil vozes cantando o refrão de “The Dead Heart” e seu ‘Thurururu”?

Se o show foi recheado de clássicos, a banda não deixou de fora músicas menos conhecidas como “Warakurna” e “Hercules”. Não faltaram as mais do que exigidas “Beds Are Burning” e “Blue Sky Mine”, impecavelmente executadas. Aliás, se existe algo que se faz muito evidente no grupo é seu entrosamento. É bem difícil não se empolgar com a bateria de Rob Hirst, mais difícil ainda não se envolver com a simpatia e as linhas belamente desenhadas do baixo de Bones Hillman, os timbres das guitarras de Martin Rotsay e Jim Moginie ora mais vicerais ora mais brilhantes, beirando a perfeição.

Algo também interessante foi poder observar a presença de muitas crianças, devidamente “fardadas” com camisas da banda, carinhosamente cantando e se divertindo muito. Excelente saber que o alcance do trabalho do grupo, historicamente muito grande, continua trazendo para si novas gerações de pequenos “fan oils”.

Apoteótico! Se existe um adjetivo que resuma bem a apresentação dos australianos aqui no Rio, essa é a melhor escolha. Um lindo show de luzes, repleto de grandes canções, mantendo vivo um importante ativismo do ponto de vista mundial. O que podemos desejar é que a vida da banda dure muito mais do que os quarenta anos vividos até aqui. Agradecimentos à Move Concerts e Midiorama pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

Set List Midnight Oil:
King Of The Mountain
Bullroarer
Drums Of Heaven
River Runs Red
Feeding Frenzy
Gunbarrel Highway
Shakers And Movers
Hercules
My Country
White Skin Black Heart
Ships Of Freedom
Kosciusko
Now Or Never Land
Arctic World
Warakurna
Dreamworld
Power And The Passion
The Dead Heart
Beds Are Burning
Blue Sky Mine

Drop In The Ocean
Best of Both Worlds
Forgotten Years

Truganini

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