Garbage – 10-12-2016 – São Paulo (Tropical Butantã)

Texto por Sara Ferrer – Fotos por Fernando Pires The Ultimate Music – Edição por  André Luiz

Foram quatro anos de espera por uma nova passagem dos norte-americanos do Garbage no país; até então, sua única apresentação em solo brasileiro foi no extinto “Planeta Terra Festival” em 2012. Desta vez, excursionando para promover o full lenght aclamado pela crítica ‘Strange Little Birds’ (2016), com duas datas no país: 10 de dezembro em São Paulo e 11 na capital carioca. O grupo potiguar Far From Alaska teve  a honra de abrir a noite em solo pauslitano e reencontrar seus conhecidos.

A Far From Alaska começou sua apresentação pontualmente às 18h45m, sob a responsabilidade de abrir o show da banda para a qual eles mostraram sua demo no começo de carreira – e foram muito bem recomendados desde então. Veteranos de festivais e donos de diversos prêmios dentro do cenário musical, Emilly Barreto soltou a voz – acompanhada de Cris Botarelli (synth, lap steel e voz), Edu Filgueira (baixo), Rafael Brasil (guitarra) e Lauro Kirsch (bateria) –, demonstrando aos presentes a qualidade de seu rock experimental à lá stoner, com pitadas eletrizantes e solos de guitarras bem elaborados, os quais entreteram os que ainda adentravam ao Tropical Butantã naquele começo de noite chuvosa na capital paulista, executando as principais faixas do disco ‘modeHuman’ (2014), a citar “Thievery”, “Politks”, e as derradeiras da noite “Dino Vs. Dino” e “Monochrome”. Os músicos não esqueceram de agradecer a oportunidade e todo reconhecimento que o Garbage tem para com eles – como em recente entrevista que fizemos com a banda, a qual pode ser conferida clicando aqui, se era reconhecimento internacional que eles precisavam para cair nas graças do público, “então está aí”… Eles ainda vão muito ‘Além do Alaska’.

Set list Far From Alaska:
Thievery
Another Round
Deadmen
Politiks
About Knives
Dino Vs Dino
Monochrome

Intervalo para ajustes no palco, como de praxe e a ansiedade já era visível no rosto dos fãs; esta que logo foi suprida quando a vocalista Shirley Manson, acompanhada de Steve Marker  e Duke Erikson nas guitarras/teclados e Eric Gardner na bateria – substituindo Butch Vig o qual foi impedido de viajar por problemas de saúde, conforme nota oficial publicada no site da banda – subiram ao palco sob iluminação predominantemente rosa, abrindo com “Supervixen” de forma inesperada, para então começar o desfile de hits com “I Think I’m Paranoid” cantada a plenos pulmões, e “Stupid Girl”, os quais levaram os fãs à loucura. “Obrigada por nos receber em seu país, estamos muito felizes de estarmos aqui”, ressaltou a vocalista.

A partir dali, o set list seguiu equilibrado entre os grandes sucessos do passado e as faixas mais intensas do disco atual. Sempre performática, comunicativa e carismática, Ms. Manson aproveitou para enfatizar em um dos discursos que conhecia o trabalho do FFA: “nós encontramos esses caras na última vez que estivemos aqui em São Paulo, e estávamos saindo do hotel, quando eles chegaram gritando, ‘Garbage, Garbage, essa é nossa demo, ouça por favor’, nós ouvimos e mantivemos contato ao longo dos anos via Facebook e é incrível ver a carreira deles estourar e crescer”, fala esta que foi muito aplaudida.

A pesada “Sex Is Not the Enemy” fez-se presente com seu teor reivindicatório; Ms. Manson não tem problemas em falar sobre sexo, feminismo e sempre está em defesa das minorias, defendendo seu ponto de vista e atraindo cada vez mais jovens que compartilham dos mesmos ideais. Ainda desculpou-se com os presentes por não ser uma “rockstar tão ‘cool’ e não saber falar português” – não tem problema Manson, os fãs te amam mesmo assim. “Why Do You Love Me” com as linhas de guitarra ornadas junto a bateria dando um toque nostálgico das danceterias dos anos 90. Em um momento mais intimista e para acalmar os ânimos, “Night Drive Loneliness” chegou majestosa aos presentes.

São 23 anos de carreira bem distribuídos – mesmo com um hiato de sete anos até o retorno em 2012. O grupo possui uma energia envolvente no palco a ponto de quem vê a banda pela primeira vez, não imagina que seus integrantes já estão na casa dos 50. Um exemplo disso, as canções “Only Happy When It Rains” e “Push It” protagonizaram o ápice da noite com os balões coloridos erguidos pelos fãs enfeitando o local.

A surpresa veio no bis, com a faixa “Queer”. Em seguida a sublime “Empty” e marcando seu fim com a dançante “Cherry Lips (Go Baby Go!)” dedicada ao público LGBT. Com quase duas horas de show, a banda que marcou a geração dos anos 90 cumpriu com o prometido, ainda que alguns hits  como “When I Grow Up”, “Androgyny” e “Milk” tenham ficado de fora. Agradecimentos à Liberation pela realização do evento e ao Costabile Salzano pelo credenciamento de nossa equipe.

Set List Garbage:
Supervixen
I Think I’m Paranoid
Stupid Girl
Automatic Systematic Habit
Blood for Poppies
The Trick Is To Keep Breathing
Sex Is Not The Enemy
Blackout
Magnetized
Special
#1 Crush
Even Though Our Love Is Doomed
Why Do You Love Me
Night Drive Loneliness
Bleed Like Me
Shut Your Mouth
Vow
Only Happy When It Rains
Push It

Queer
Empty
Cherry Lips (Go Baby Go!)

 

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