Black Sabbath – 04-12-2016 – São Paulo (Estádio do Morumbi)

black-sabbath-2016-por-ross-halfin-photographyTexto por Clayton Franco – Fotos por Silmara Ciuffa e divulgação – Incorporações do Facebook das páginas Rival Sons, Rival Sons fans América Latina, Black Sabbath e Black Sabbath Fan Clube Brasil – Edição por André Luiz

OBS.: a produção da banda não liberou imagens do grupo, por este motivo o Portal Metal Revolution – fugindo a sua política de matérias com imagens de alta qualidade – utilizou incorporações do perfil do Facebook das bandas  e FC’s oficiais assim como imagens cedidas pela assessoria de imprensa da banda Doctor Pheabes.

Ainda lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi o petardo ‘Black Sabbath’, o primeiro disco da banda. A canção inicial com aquele clima tenso e fúnebre de início me assustou. Os sinos tocando em meio a trovoadas seguido por uma voz lamentadora criou todo o clima para a abertura de um disco o qual seria um divisor de águas no quesito musical. Duvido muito que aqueles quatro jovens que lançaram sua canção – em uma sexta feira 13 de fevereiro há 46 anos atrás – soubessem que mudavam o rumo da história musical com suas composições. Antes havia o Rock, ainda que com alguma pitada mais pesada de Led e Purple, mas com o primeiro disco do Sabbath foi criado o Heavy Metal. Os anos se passaram e quiseram as boas bruxas que a realização da última missa de Sabá do grupo no Brasil fosse realizada em uma noite fria e chuvosa de 04 de dezembro, para um Estádio do Morumbi lotado na capital paulistal.

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Antes da grande atração tivemos ainda duas bandas para um esquenta da noite (que havia começado ainda na parte da tarde), a iniciar com o Doctor Pheabes. O grupo já é um velho conhecido de grandes shows e festivais em estádios: abriram para o Rolling Stones em 2016 e para o Guns N’ Roses em 2014, também já participaram do Monsters Of Rock e Lollapalooza. Com uma pegada mais voltada para o rock and roll e um pé no hard rock, o grupo iniciou o show com “Carpe Diem” seguida por “Where Do You Come From?”. Mesmo com um palco reduzido por se tratar de uma banda de abertura, o grupo formado por Parras, Magrão, Escocês e Paul agitou os seus fãs e levou o público a cantar junto em canções como “Godzilla” e “In My Mind”. Com um set list curto, ainda tivemos tempo para “Walking Alone”, single do CD ‘Welcome To My House’, com lançamento previsto para o início do 2017. O encerramento de seu set list se deu com “Suzy”. O grupo deixou o palco com o dever cumprido, sendo aplaudido por todos do estádio que já começava a encher para a atração principal.

Set List Doctor Pheabes:
Carpe Diem
Where Do You Come From?
Godzilla
In My Mind
Roaring
Suzy

O sol já começava a se esconder e a noite a cair – trazendo consigo a chuva – quando o Rival Sons subiu ao palco. Os californianos embora tenham surgido em 2008 fazem um show calcado no rock dos anos 70 com uma clara influência de grupos como Led, Purple e Free. Iniciaram a noite com “Electric Man”, seguida por “Secret”. Canções com um ar ‘retrô’ como “Pressure and Time” animaram o público. Mesmo com um visual meio ‘hipster’, o grupo conquistou a plateia headbanger acostumada a um show mais pesado. O Rivals Sons tirou de letra o show, com canções como “Open My Eyes” e “Fade Out”. Já conhecidos pelo público brasileiro – o grupo se apresentou no Monsters Of Rock em 2015 – ainda tiveram tempo de cativar os presentes com “Torture” e encerraram o show com “Keep On Swinging” que foi acompanhada pelos seus fãs. Assim como o Doctor Pheabes, o Rival Sons tiveram um curto tempo de show e um palco reduzido, mas mesmo com um set list pequeno demonstraram toda sua força perante fãs de um rock mais pesado.

Set List Rival Sons:
Electric Man
Secret
Pressure And Time
Open My Eyes
Fade Out
Torture
Keep On Swinging

Chegou o momento do prato principal. Depois de ótimas entradas para uma grande noite e com um Morumbi lotado por mais de 65 mil fãs, o show do Sabbath iniciou precisamente as 20h30m. Nas imagens transmitidas pelo telão podia-se ver uma cidade sendo destruída por um demônio – com as feições do Ozzy – perguntando aos gritos se todos estavam prontos. Na sequência, o trio formado por Iommi, Ozzy e Butler adentrou ao palco acompanhados por Tommy Clufetos na bateria e o tecladista Adam Wakeman (sim, o filho do cara) e iniciaram a noite com a clássica “Black Sabbath”. Sem dar tempo para o povo respirar já emendaram com “Fairies Wear Boots”, muito bem recebida pelo público – aliás, com um set list matador como veríamos ao longo da noite, todas as canções foram bem recebidas pelos fãs ávidos.

Com “After Forever”, ficava clara a diferença deste show para a última vez que o grupo passou por terras tupiniquins: a tour continha algumas canções do último disco lançado pelo grupo, visto que estavam divulgando o álbum ‘13’, mas desta vez, se realmente “The End” é a turnê final da banda, optaram por um set list composto apenas por clássicos.

O show prosseguia com “Into the Void” e foi em “Snowblind” que a chuva acentuou esfriando nossos ossos, mas com o coração quente devido ao grande espetáculo que presenciávamos. Ozzy corria pelo palco dando pulos estranhos e pedindo palmas para todos os presentes. Aos gritos, incitava os presentes a continuarem interagindo com o palco. Com seu humor refinado dizia que a culpa da chuva não era deles, mas mesmo assim se desculpava com os fãs e entoou um verso de um clássico do cinema dos anos 50 cantando “I’m singing in the rain” – nada mais ‘Ozzy’ do que isso.

Em “War Pigs”, uma única voz se elevou por todo o Morumbi, como um grande cântico que por vezes encobria o som vindo do palco, tamanho o êxtase do público. Ozzy apresentou todo o grupo, sendo que cada integrante foi ovacionado por 65 mil pessoas. “Behind The Wall Of Sleep” retornou ao primeiro disco do grupo, visto que todo o show foi baseado praticamente nos dois primeiros discos lançados pela banda. Butler socava as cordas do seu baixo de forma imperiosa, e com isso tivemos a introdução de “N.I.B.” levando o estádio a loucura, principalmente no refrão. Vale ressaltar que muitos fãs pensam que o nome desta canção é uma sigla para ‘Nativity In Black’, mas isto está errado, trata-se apenas de uma referência ao apelido dado a Bill Ward por causa de sua barba, que parecia uma ponta de caneta (‘pen nib’, no inglês).

O telão do palco foi um show à parte. Exibia imagens psicodélicas, que por vezes se sobrepunham as imagens ao vivo dos membros do grupo, gerando algo um tanto bizarro que transmitia através de imagens tudo que o som e a letra das canções representavam. Ao fim de “Rat Salad” o grupo deixou o palco para que Clufetos fizesse um longo solo – muito provavelmente para que o grupo formado por sessentões pudesse recuperar o folego. Não podia deixar de sentir a falta de Bill Ward nas baquetas – o único membro da clássica formação o qual não se juntou para a ‘ultima’ turnê –, mas também fica a dúvida de se ele aguentaria uma exaustiva incursão ao redor do globo, visto que seu instrumento requer um bom preparo físico, algo que Ward não tem demonstrado nos últimos anos.

Com “Iron Man” os integrantes clássicos retornaram ao palco sendo recebidos de forma descomunal pelos fãs que acompanharam toda a introdução da música ao coro de “oooo” durante o riff de Iommi. “Dirty Women” anunciava que o fim do set se aproximava, o que acabou acontecendo com “Children Of The Grave” acompanhada em uníssono pelos presentes. Após uma rápida parada, todos retornaram ao palco para o bis com a provável canção mais conhecida do grupo, “Paranoid”, causando comoção geral nos fãs que abriram rodas de pogo no meio da pista. Ozzy se ajoelhou no palco para agradecer dizendo ‘Deus abençoe a todos vocês’. As cortinas se fecharam e a luz do estádio se acendeu. Com a alma lavada – e o corpo todo molhado –, o público se despediu de um magnífico show deixando o Morumbi fazendo um coro de “Somos todos Chapê”. Um encerramento perfeito para uma noite mágica. Por tudo que presenciei, deixo aqui meus agradecimentos finais a Assessoria de imprensa da Time For Fun (T4F) na pessoa de Gustavo Martines Mayer pelo credenciamento de nosso Portal.

Set List Black Sabbath:
Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind The Wall Of Sleep
N.I.B.
Rat Salad (followed by Tommy Clufetos drum solo)
Iron Man
Dirty Women
Children Of The Grave

Paranoid

 

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