Sepultura – 28-07-2016 – Taubaté (Sesc)

Sepultura Sesc-Taubate-Agosto16 por- Rafael Expedito Fotografia - RE Fotografia (7)

Texto por Clayton Franco – Fotos por Rafael Expedito – Edição por André Luiz

Em uma noite fria do inverno de julho, o Sepultura desembarcou no Sesc Taubaté para literalmente colocar fogo no local ao lado de 1500 pessoas que lotaram o recinto, em performance válida pelo projeto Rock Rio Paraíba. Em tour comemorativa dos seus 30 anos, o repertório escolhido passou a limpo sua carreira em aproximadamente 01h40m. Contando com clássicos antigos e canções mais recentes, com direito a uma grata surpresa – a qual será revelada mais à frente –, o que vimos no Sesc Taubaté foi um espetáculo musical proporcionado pelo grupo e um grande entrosamento entre banda e fãs ao longo do show.

Pontualmente as 20h30h o show iniciou com “Troops Of Doom”, clássico do seu primeiro disco (sem contar o Split ‘Bestial Devastation’) relembrando os primórdios do grupo quando ainda praticavam um Death Metal cru e visceral. Sem dar tempo para o público respirar, emendam com “Kairos”, canção de 2011 – a mescla de sons antigos e recentes foi a base para o set executado durante o show. Em um primeiro contato com o público, Derrick agradeceu a presença de todos e disse que a noite apenas estava começando. Sem se alongar muito na conversa, anunciou “Slave New World”, petardo presente no ‘Chaos A.D.’, muito bem recebida pelos presentes. “Breed Apart” foi a primeira canção do ‘Roots’ a ser tocada na noite e abriu várias rodas no meio do público que a acompanhou em uníssono. Com a performance absurda dos seus fãs, Derrick novamente disse o quanto estava feliz por tocar para um público tão ensandecido. Aproveitando a conversa com os fãs, anunciou que a canção seguinte faz parte do disco que ele considera o mais “hardcore” do grupo: “Desperate Cry”, clássico absoluto do ‘Arise’.

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“Dusted” nos fez retornar ao Roots de forma brilhante e após sua execução, Andreas assumiu o microfone dizendo que o Sepultura estava comemorando 30 anos de existência e que aquela se tratava de uma noite especial, já que foram dez anos desde a última vez que passaram por Taubaté e por isso, tocariam “muita música véia”, o que foi recebido aos gritos pela galera. Disse que tocariam músicas mais recentes e relata que o próximo álbum do grupo já foi gravado na Europa e estava nos ajustes finais para ser lançado em janeiro de 2017. Finalizou dizendo que a canção seguinte seria um presente para os fãs, pois ela só foi tocada duas vezes (em um show no México e outro na Colômbia) e que os bangers de Taubaté, por terem ficado 10 anos sem uma visita do grupo, seriam os primeiros do Brasil a ouvi-la. Sobre os gritos dos fãs, executaram “I Am The Enemy”.

Após a surpresa bem-vinda, seguiram com “Convicted In Life” nos lembrando do disco baseado na obra “A Divina Comédia”. “Dialog” trouxe uma boa resposta do público, mas o circo do Sesc pegou fogo com “Attitude”. E se o povo se esbaldou nas rodas ao longo desta canção, nada nos preparou para a medley de “Biotech Is Godzilla” com “Polícia” (cover do Titãs) que, com o perdão do trocadilho, trouxe o “Chaos” ao local, com rodas se formando e muitas pessoas se jogando em mosh pit. Andreas agradeceu a todos pela participação massiva, dizendo que aquele era o espirito dos fãs do Sepultura. Que mais que fãs, o grupo tem uma verdadeira nação – a deixa para “Sepulnation” dar as caras na noite.

Sepultura Sesc-Taubate-Agosto16 por- Rafael Expedito Fotografia - RE Fotografia (3)“The Vatican” foi a única canção tocada do seu último disco (lançado em 2013) e o primeiro a contar com as baquetas de Eloy Casagrande. Aliás, tratando-se deste baterista, para este repórter ele foi o grande destaque da noite. Começou cedo (aos 17 anos) com a banda de metal cristão Iahweh (originária de Taubaté) e se destacou como baterista do André Matos no disco ‘Mentalize’. Tive a oportunidade de ver um show do André Matos em 2010 no qual Eloy era o baterista. Se na época ele já demonstrava toda sua competência com as baquetas, seis anos depois se tornou um monstro da bateria ao lado do Sepultura.

Continuando sobre o show, “Territory” foi mais uma do ‘Chaos A.D.’ a dar as caras no show e a dobradinha composta por “Beneath The Remains” e “Arise” fez o circo pegar fogo com rodas espalhadas no meio do público. Aqui cabe um parêntese, pois quando digo que o circo pega fogo, literalmente quero dizer “circo” e “fogo”. O Sesc de Taubaté é uma unidade imensa se comparado a muitos outros. O show foi realizado no pátio do local, no qual há uma grande lona no melhor estilo circense. Algo simples e cativante que faz lembrar os circos itinerantes que antigamente existiam no interior paulista. O fogo eu nem preciso dizer, pois com todos os ingressos vendidos e a casa em sua lotação máxima, as rodas e o mosh pits protagonizados por fãs ensandecidos ligados no 220V transformaram uma fria noite de inverno em um verdadeiro calor do inferno.

O show já se aproximava do seu fim e foi justamente com “Refuse/Resist” que encerraram a primeira parte do espetáculo. Mas ninguém arredou o pé do SESC, e aos gritos de “Sepultura”, em questão de minutos os integrantes retornaram ao palco. Andreas perguntou se o público gostaria de ouvir mais alguma coisa e perguntaram se alguém tinha tatuagem da banda. Vários braços foram erguidos no meio da multidão. Andreas brincou com Paulo Jr. perguntando se ele tinha alguma tatuagem do Sepultura, e com a resposta negativa despertou risos gerais. A brincadeira foi a deixa para executarem “Sepultura: Under My Skin”; single homônimo lançado em 2015.

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O show já se aproximava de seus momentos finais, sendo concluído com dois hinos do Sepultura: “Ratamahata” e o clássico absoluto “Roots Bloody Roots”. Impossível descrever a comoção que este petardo causa ao vivo, a canção mais conhecida do grupo, tendo se tornado um clássico do metal mundial. Fim do show, de alma lavada, os fãs se dirigiram à saída do SESC Taubaté com a sensação de terem visto um grande evento – esperamos que o grupo não demore mais 10 anos para retornar à cidade. Agradecimentos a Samantha e Mariana Krauss pelo credenciamento de nossa equipe no evento e ao SESC Taubaté pela idealização do projeto Rock Rio Paraíba.

Set list Sepultura:
Troops of Doom (Morbid Visions 1986)
Kairos (Kairos 2011)
Slave New World (Chaos A.D. 1993)
Breed Apart (Roots 1996)
Desperate Cry (Arise 1991)
Dusted (Roots 1996)
I Am The Enemy (nova faixa)
Convicted in Life (Dante XXI)
Dialog (Kairos 2011)
Attitude (Roots 1996)
Biotech Is Godzilla / Polícia (Chaos A.D. 1993)
Sepulnation (Nation 2001)
The Vatican (The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart 2013)
Territory (Chaos A.D. 1993)
Beneath the Remains (Beneath the Remains 1989)
Arise (Arise 1991)
Refuse/Resist (Chaos A.D. 1993)
Under My Skin (single Under My Skin 2015)
Ratamahata (Roots 1996)
Roots Bloody Roots (Roots 1996)

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