Zumbis do Espaço: ainda inovando aos 20 anos – Entrevista exclusiva com Tor e Gargoyle e novo vídeo clipe

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Entrevista por Alvaro Ramos – Imagens por Felipe Buli – Edição por André Luiz

A última segunda-feira, data abreviada propositalmente para 6/6/6, foi a data escolhida pelos Zumbis do Espaço, um dos maiores nomes do cenário brasileiro, para lançarem seu mais novo trabalho, ‘Em Uma Missão de Satanás’. Durante a festa de lançamento, Tor e Gargoyle concederam uma entrevista exclusiva ao Portal Metal Revolution, contando um pouco sobre o novo álbum, além de comentar sobre a trajetória da banda – comemorando 20 anos ininterruptos de carreira –, as mudanças na line up, e muito mais – agradecimentos à Paola Zambianchi da Hearts Bledd Blue.

Fale um pouco sobre o novo álbum, ‘Em Uma Missão de Satanás’, e o que os fãs podem esperar deste trabalho
Tor – O novo álbum foi um disco muito bom de gravar, tivemos uma ótima produção dessa vez. Já tivemos algumas boas produções de discos anteriores, mas desta vez a maneira como foi gravada foi muito fácil, muito boa. Esse álbum é o que tentamos fazer no ‘Nós Viemos em Paz’, que é o álbum anterior, e finalmente conseguimos realizar isso de uma maneira bem efetiva, que é soar como o Zumbis clássico dos primeiros discos, mas com uma boa produção e inovando na maneira de tocar e compor, porque 20 anos depois, nós somos músicos bem melhores do que quando começamos. A gente conseguiu de uma maneira muito boa fazer esse equilíbrio de soar como o Zumbis clássico tendo uma boa produção.

Muitas bandas consideram o estilo do Zumbis do Espaço como horror punk, principalmente pela influência do Misfits, banda criadora do estilo. Como vocês definiriam a sonoridade da banda?
Tor – Na verdade nós nunca nos consideramos uma banda punk ou horror punk. Somos uma banda de rock and roll selvagem! É o jeito como costumo definir o Zumbis. É difícil definir como punk, pois temos um espectro que vai do metal até o punk, o rock clássico, o country…

Durante os anos vocês acabaram influenciando várias bandas que se inspiraram nesse estilo, não?
Tor – Sim, durante os anos acabamos influenciando muitas bandas, assim como fomos também influenciado por várias outras. Falando um pouco das influências, eu gosto de música bem feita, música de raiz. Isso você pode achar no metal, no punk, no country, na música sertaneja… Antes de ser alguém que faz parte de uma banda, sou um fã de música! Ramones sempre foi uma influência muito grande, o Misfits original, Black Sabbath, Motorhead, countrys clássicos…
Gargoyle – Thin Lizzy também tem sido uma grande influência, assim como AC/DC, rocks clássicos em geral. Sempre fomos muito mente abertas em relação à música. Um membro da banda pende mais para o metal, outro mais para o rock and roll, outro pro country, mas no final todos são bem abertos para a boa música.

O Zumbis é uma banda que já está na ativa há 20 anos ininterruptos, e durante este tempo ocorreram algumas alterações na formação da banda, algumas trocas de guitarristas. O que cada membro trouxe para a banda?
Tor – Nas composições as alterações de formação nunca chegaram a fazer diferença, pois sempre quem compõe somos eu, o Gargoyle e o Zumbilly. Nós que sempre definimos para onde a banda iria, mas cada membro que passou foi importante e trouxe algo diferente. Por exemplo, o Cromo pra mim sempre vai ser o guitarrista original do Zumbis, é uma pessoa fantástica e tem um estilo bem próprio. Ele foi muito importante, e apesar de não compor, o estilo dele para tocar acabou nos ajudando a chegar ao nosso som. O Hank Alien foi uma pessoa muito importante também, porque durante 10 anos ele tocou e vestiu a camisa da banda, e sempre tocou bem, teve uma ótima interação com o público… Mas no final os caminhos acabaram se separando e não dando mais certo. Já o Machado foi um excelente profissional, um excelente guitarrista e uma excelente pessoa, mas o background dele era bastante diferente de nós.  Na época funcionou porque precisávamos de um guitarrista bem técnico para tocar ao vivo as músicas do ‘Destructus Maximus’, e isso foi muito bom, fez com que a gente tocasse melhor ao vivo. Mas com o passar dos anos, nós vimos que com essa diferença de background nós não estávamos mais soando como deveríamos. Isso não é uma crítica pra ele, porque o Machado é um cara que pode tocar guitarra em qualquer lugar do mundo, além de ser extremamente dedicado, honesto, responsável… Só de repente não era o cara certo para o Zumbis. Então veio o Manialcöol, que é um fã da banda, e isso foi bastante importante porque além de ele tocar bem e entender a banda, sabe como devemos soar, e também respeitar muito a opinião dos três membros originais. Eu falo que ele é um guitarrista que é a mistura dos três que já tivemos anteriormente, tendo a melhor qualidade de cada: a “fanfarronice” do Cromo, de agitar no palco e perder a cabeça no tempo certo; a empatia com o público que o Hank Alien tinha; e a técnica do Machado. Então ele é o guitarrista certo pra gente, ele já tocava conosco quando o Gargoyle ou o Machado não podiam ir pra algum show ou outro, já temos uma interação muito boa musicalmente. Ele entende o espírito da banda, está no lugar certo e isso refletiu no disco novo apesar de ele não ter participado da composição.

Com o lançamento do novo trabalho e os 20 anos da banda, quais são os planos agora?
Tor – Agora é tocar pelos próximos dois anos, no máximo de lugares, e se pintar de fazermos outra gravação, vamos fazer. Mas no momento vamos tocar, e quando tivermos material pra mais algum projeto, vamos dar continuidade. Esse é o melhor disco do Zumbis em anos, e com certeza vai se tornar um clássico do naipe do ‘Invasão’, do ‘Abominável Mundo Monstro’, do ‘Aberrações Que Somos’ e do ‘Destructus (Maximus)’… Acho que esse disco vai ser um marco da história do Zumbis no futuro.

Para encerrar, deixe um recado para os leitores que estão ansiosos para conhecer o novo trabalho.
Tor – Espero que gostem do nosso novo álbum o mesmo tanto que nós gostamos na hora de fazer e compor, é sempre uma motivação poder estar tocando para nossos fãs!
Gargoyle – Queria agradecer o apoio dos fãs que temos durante toda a carreira, nosso público sempre se renova e isso é muito bacana, vemos os fãs que estão conosco desde os primeiros dias, e até a molecada nova que descobre a banda, e acaba estando sempre nos shows… Isso é um orgulho pra gente!

Gravado no estúdio Casanegra em São Paulo e produzido por Rafael Augusto Lopes, o oitavo álbum do Zumbis do Espaço chega ao mercado em CD Digipack, LP 180g amarelo opaco e fita cassete. “Em uma missão de Satanás” tem a arte da capa assinada pelo americano Ed Repka, responsável por ilustrar discos do Circle Jerks, Megadeth, NOFX, Venom, entre outros.

O lançamento “demoníaco” ainda ganhou o polêmico videoclipe da canção “O Mal Imortal”, dirigido por Marcelo Colaiacovo e Nilson Primitivo, com a participação do José Mojica Marins, o lendário Zé do Caixão. A música, que dá título ao vídeo, também faz parte da trilha sonora do próximo filme do cineasta, “Coração das Trevas”.

As imagens que compõem “O Mal Imortal” foram descobertas por Marcelo Colaiacovo, durante sua pesquisa nos últimos treze anos no acervo de Mojica. Os negativos em 35 milímetros, precariamente protegidos da luz e datados entre 1970 e 1993, foram revelados, gerando um resultado apocalíptico recheado de conteúdos explícitos. Para completar o videoclipe, as cenas dos integrantes do Zumbis do Espaço foram capturadas com o mesmo processo de filmagem. Confira o vídeo clipe de “o Mal Imortal”:

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