Odins Krieger Fest – 07-05-2016 – São Paulo (Clash Club)

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Texto por André Luiz – Fotos por Rodrigo Monteiro – Edição André Luiz

Após o sucesso da edição 2015 do Odins Krieger Fest, o que podia-se esperar do evento em 2016? Como evoluir após tanta ousadia no ano anterior? Pois bem, seguindo a lógica do manter o que está dando acerto e melhorar onde pode ser melhorado, a edição 2016 do Odins manteve-se na Clash Club com ampla estrutura tanto para bandas quanto stands ao público, porém foi dividida em dois dias diminuindo o número de atrações para 04 grupos por data – otimizando a programação, com mais tempo para cada show – e por fim, contando com Vitão Bonesso como mestre de cerimônias do festival. Unindo estes fatos ao ‘alarde’ proporcionado pelo sucesso da edição 2015, eis que novamente o Odins Krieger Fest promete bater recordes, pois se a primeira noite já contou com algo em torno de 900 pessoas, durante a elaboração desta matéria recebemos a informação da produção de que haviam acabado todos ingressos para segunda noite do evento.

Hugin Munin - SP - Odins Krieger Fest - mai-2016 - por Rodrigo Monteiro HDR Photo Art e Desgin -036-1

O primeiro sábado da edição 2016 do Odins iniciou com a abertura da Clash Club às 15h30m e cerca de 40 minutos depois, Surt (vocalista), Thorgrim e Hjalmar (guitarras), Ymir (baixo) e Elandorr (bateria) surgiram no palco após a apresentação de Vitão Bonesso, trazendo a Hugin Munin com “Swords Speaking Louder”. “Aqui são todos viking brothers? Todo mundo curte a temática viking?” perguntou o frontman antes de executarem “Viking Brothers” – com grande participação do público – seguida por “Look Skyward And Despair”. Contando com Ymir e Elandorr, recém integrados à line up, e apresentando o álbum ‘All Hail Odin’ com lançamento no próprio festival, o frontman Surt continuou com seus discursos dizendo “vocês sabem que a gente sempre apresenta algo especial no Odins, desta vez, trouxemos a faixa de nosso novo álbum”, antes de executarem “All For Nothing”.

“Em nome do festival vamos gritar um “hail Odin’”, pediu o frontman, prontamente atendido pelos presentes, continuando com “vamos lembrar um pouco da historia do festival com duas músicas na sequência” antes da execução dos petardos “What Lies Below” e “Flight Of Ravens”. O público fez menções ao baterista Fernando com Surt entrando na brincadeira ao lado da plateia, logo após receber um recado da produção, o vocalista discursou: “galera o tempo está corrido aqui hoje, mas quem foi em um show nosso sabe que a música seguinte é nossa maneira de dizer muito obrigado” antes de apresentarem “Death Or Glory”, faixa derradeira da noite.

Hugin Munin - SP - Odins Krieger Fest - mai-2016 - por Rodrigo Monteiro HDR Photo Art e Desgin -043-1Mesmo com “Mountainbreaker” e “Heroes Rise” cortadas pelo tempo de apresentação, após pedidos do público por um wall of death, o frontman disse que “o Odins é o único evento no qual o ragnarok ocorre no começo” enquanto comandava o WOD junto aos presentes. Ao fim, agradeceu aos paulistanos dizendo que a cidade faz parte da historia da banda e em meio a foto tradicional com público ao fundo, ecoava o grito “olé olé olé olé munin munin”. A considerar pela amostra de ‘All Hail Odin’ executada na Clash Club, a Hugin Munin tende a continuar em posto de destaque nacionalmente falando no estilo a que se propõe fazer, tanto pela qualidade do material apresentado quanto empatia junto ao público.

Set List Hugin Munin:
Swords Speaking Louder
Viking Brothers
Look Skyward And Despair
All For Nothing
What Lies Below
Flight Of Ravens
Death Or Glory

Após curto período para ajustes no palco, Vitão Bonesso tomou as rédeas pedindo aplausos para produção do evento, comentou sobre os stands e anunciou a atração seguinte do Odins, Taberna Folk. Formada em 2008 na cidade de Cosmópolis (SP), atualmente residentes em Campinas, com o intuito de resgatar músicas da Europa antiga apresentando uma das melhores formas de diversão de nossos antepassados: o clima das tabernas. “Nós somos a Taberna Folk, divirtam-se como se vocês estivessem em uma taberna” disse Ricardo Amaro antes de “After A Hard Day”, sendo que ao fim desta, os instrumentistas pediram pelo som do violino – logo arrumado pela produção – e iniciaram “Trotto / A Que Por”.

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“Lanningan’s Ball” foi a primeira com vocal – mesmo o som da voz principal estando baixo – e seguiu com “Rocky Road To Dublin” movida ao público totalmente ativo. “Nossa música mais nova, um cover dos anos 60, nos ajudem no refrão porque ele é difícil, só dizer ahhhhh” ironizou Luis Romagnolo e iniciaram “Lady In Black” (Uriah Heep cover). Ao fim, Luis brincou dizendo que caiu a paleta dentro da cerveja, e após arrancar risos da plateia, “Sturm” foi regida por um grande coral de “ohhhh”, seguida pelo tema dinamarquês “Viking Party Polka”.

“Esta já é tradicional do grupo”, comentou Ricardo para um público ativo em “In Taberna” – com destaque para roda aberta no meio da pista –, já antes de “Jeg Sa Ein Ulf”, o vocal comentou se tratar de “um tema o qual crianças dançam como gigantes e gigantes como crianças” – nesta faixa, destaque para Mr. Amaro tocando duas flautas com o nariz. “Quem quer tocar flauta agora” brincou Luis, depois pediu pra para procurarem os músicos ao final do show para compra de material promocional do Taberna Folk pois os músicos precisavam jantar naquela noite, e executaram “Some Say The Devils”.

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Ricardo Amaro (Violão, flauta, gaita de fole e vocal), Luis Romagnolo (violão, bandolim e vocal), Karina Moreno (percussão e vocal), Hugo Taboga (percussão e flauta) e Anderson Bardo (violino, harpa e vocal) proporcionaram um clima todo especial durante a uma hora em que estiveram no palco da Clash, seja pela alegria de suas composições ou interação junto ao público, como no tema “Drunken Lullabies” cantado por Anderson Bardo com destaque para bela melodia desta. Mas se o repertório da Taberna Folk consiste basicamente em temas tradicionais medievais, celtas, germânicos e nórdicos, não falta espaço para homenagens no repertório. A exemplo do ocorrido com a faixa do Uriah Heep, executaram “Estamos todos bêbados” (Matanza cover), com público a todo vapor. Após agradecimentos à produção e o convite ao público para retornarem na semana seguinte, encerraram a performance com “Sieben Tage Lange”, em mais um momento de grande interação com os presentes que já abraçaram a banda como figura marcante do maior festival viking/medieval do país.

Set List Taberna Folk:
After A Hard Day
Trotto / A Que Por
Lanningan’s Ball
Rocky Road To Dublin
Lady In Black (Uriah Heep cover)
Sturm
Viking Party Polka
In Taberna
Jeg Sa Ein Ulf
Some Say The Devils
Drunken Lullabies
Estamos todos bêbados (Matanza cover)
Sieben Tage Lange

Eram quase 19h quando Vitão Bonesso anunciou um sexteto com visual e instrumentos exóticos, vindo da cidade paranaense de Londrina, formada por Elcio Oliveira (vocal, violino, gaita de fole e nyckelharpa), Alexandre “Arrigo” Garcia (acordeão), Edgar Nakandakari (banjo, bandolim, tin whistle, clarinete, gaita de fole e Hurdy Gurdy), Luís Fernando Nascimento Sardo (bateria e percussão), Eduardo Brancalion (guitarra, violão e bouzouki) e Bruno Guimarães (baixo). “Sejam bem vindos” iniciou a performance com muita dança e interação palco/pista, seguida pela instrumental “Second First Song” e “Shipping Up To Boston”, com participação ativa do público.

Terra Celta - SP - Odins Krieger Fest - mai-2016 - por Rodrigo Monteiro HDR Photo Art e Desgin -065-1“Drunken Sailor” contou com Elcio Oliveira showman, seja tocando violino em uma perna só, rebolando ou com trejeitos totalmente frenéticos on stage. Após agradecimentos ao público, Elcio comentou sobre a mescla de música celta com brasileira evidenciada na faixa seguinte, o chamado “celtanejo” em “O veio bêbado (o porco)”, com integrantes tocando em círculo no palco e se revezando sobre as caixas de som da Clash Club. “E agora vocês estão se perguntando ‘que p**** é essa’?” comentou o vocal portando uma nyckelharpa – apresentada como tradicional instrumento vicking –, anunciou a citada faixa “forrometal” intitulada “Forró bretão” e prometeu que quem dançasse melhor ganharia um DVD da Terra Celta ao fim da música – “como todos dançaram bem, está aqui o DVD” disse Elcio antes de jogar o item citado ao público minutos depois.

A Terra Celta traz ao cenário musical brasileiro um trabalho de vanguarda, fundindo elementos da música celta e brasileira em divertidas canções, mesclando cultura e diversão, como quando o frontman anunciou “a próxima música é nossa, fala sobre uma determinada forma geométrica que não queria sair do lugar” antes de executarem “O quadrado”, com público ativo e coreografia efusiva utilizando as mãos – NOTA DO EDITOR: a frase “o quadrado não quer rolar” simplesmente perdurou em minha mente durante toda semana seguinte rsss.

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“A música seguinte estará em nosso próximo álbum que se encontra em fase de pré-produção, fala sobre a mãe natureza”, citou Elcio antes de um discurso contundente sobre o pior acidente ambiental da historia do país ocorrido recentemente, executando “Gaia”, faixa com uma letra espetacular e melodia cativante a qual levou alguns presentes as lágrimas. Durante esta, Elcio pediu para o público segurar as mãos na pista e levantar para o alto cantando “lararara” no ritmo da melodia de “Gaia” completando: “bem alto para os filhos da p*** da Samarco ouvirem”.

Os presentes permaneceram cantando cada letra e dançando ao som de “Até o último gole”. Seguindo a performance, Élcio discursou “bem vindo a Bretanha, pessoal por favor dancem rodando os braços como se fazia na França antiga, como quando nossos antepassados se encontravam em rodas pagãs, afinal de contas o sangue pulsa e esse é o motivo de estarmos aqui hoje”. Ao fim, “Zelda” contou novamente com participação ativa dos presentes, os quais puderam até mesmo apreciar um trecho de “Tarantela”.

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“Se pedirem mais uma com muito afinco, nós tocamos ao final OK?” brincou Elcio, e continuou dizendo que “a música seguinte fala sobre um monte de coisas que não existem, tipo, enterro de anão, príncipe encantado, filho de p*** chamado JR… Enfim, falei este monte de m**** para o japa – Edgar Nakandakari – afinar ali o instrumento dele e como não terminou, vou ensinar o refrão para vocês…”. O grande problema é que enquanto Elcio tentava ensinar o público a capela, o mesmo encobriu a voz do vocal e após salva de palmas executaram o petardo “Era uma vez”, em mais um momento mágico da noite. Os músicos deixaram o palco, e após gritos de “mais um” e “olé olé olé Terra Celta” retornaram para executarem “Ressaca”, com interpretação totalmente cômica no palco além do público cantando e erguendo as mãos. Ao final cumprimentos e grito de “olé olé olé” novamente, encerrando um momento nostálgico que certamente está marcado como um dos principais pontos altos de toda história do Odins Krieger Fest.

Set List Terra Celta:
Sejam bem vindos
Second First Song
Shipping Up To Boston
Drunken Sailor
O veio bêbado (o porco)
Forró bretão
O quadrado
Gaia
Até o último gole
Zelda
Era uma vez
Ressaca

Em meio aos ajustes no palco, durante cerca de 20 minutos ocorreram exibições de luta medieval na pista da Clash Club, proporcionadas pela Ordo Draconis. Logo em seguida, Vitão Bonesso agradeceu a presença de todos e apresentou a banda curitibana Hillbilly Rawhide que iniciou seu set com “Fugindo com a pacoteira” e logo após pedir para aumentar os retornos de som – “mete o ferro na boneca” pediu Mutant Cox, arrancando risos da platéia – executaram o country em inglês “Smokey On Your Front Door (W. Jennings)” e “High On The Road” – faixa título do debut MCD da banda de 2005 e primeiro vídeo clipe do grupo.

A Hillbilly Rawhide iniciou sua carreira em 2003 e pode ser considerado o precursor do Country Rock Alternativo no Brasil. A proposta é tocar Country misturado com Rock tradicional, suas raízes e vertentes, algo que pôde ser visto em “Caramuru Calibre 32”, faixa em português bem recebida pelos presentes. “Esta fez parte do nosso álbum de dez anos, já é um clássico nosso, mas logo após um minuto para troca da corda da guitarra” disse o frontman antes de “Hillbilly Treasure”, enquanto ajustava seu instrumento, faixa esta seguida por “E Agora, Johnny”, “Ferrovia Centro-Oeste” (“a caravana não pode parar” diz a letra), “Love The Mornings, But Get Along With The Nights” e em homenagem a cerveja da Hillbilly, “Bull Beer Theme”.

Hillbilly Rawhide - SP - Odins Krieger Fest - mai-2016 - por Rodrigo Monteiro HDR Photo Art e Desgin 019-1“Falando em cerveja, cachaça e hidromel, pessoal tragam um pouco mais para nós por favor” pediu o frontman novamente despertando risadas do público antes de uma das músicas mais festejadas do repertório dos curitibanos, “Uma Cerveja, uma cachaça e um remedinho”. Após a chegada da cerveja, houveram mais cumprimentos à produção, a dedicatória da canção seguinte para quem gosta de ficar bêbado e louco e o pedido de ajuda no refrão repetindo o titulo da faixa “Drunk And Crazy” – prontamente atendido pelos presentes.

Mutant Cox (voz, guitarra, violão), Mark Cleverson (violino, voz), Joe Ferriday (piano, voz), Osmar Cavera (baixo acústico) e Juliano Cocktail (bateria, cajón) se apresentavam em pré-lançamento do DVD ‘Outlaw Music For Outlaw People’, a ser lançado semanas depois em sua terra natal, mas em meio a esta divulgação, também executaram faixas de seu vindouro álbum, como “Strange For Me”. Seguiram com “Vida de Bandoleiro” e “Livin’ In Brazil” – versão de “Going To Brazil” do Motorhead, em homenagem a Lemmy.

“Esta próxima música é sobre um fato real acontecido no sul” relata Mutant Cox antes de uma das mais conhecidas da banda, “Cavaleiros da Morte”, com direito a um senhor no mosh subindo inclusive no palco para cumprimentar os integrantes. Com violão em mãos, umas das mais pedidas da noite “O Enxofre e a Cachaça”, foi cantada em uníssono pelo público, faixa esta presente no EP ‘F.N.M.’ de 2008, seguida por outra do mesmo trabalho, “Joe Lee”, além de “Drunk And Stoned”. Após comentar sobre a história da música e a tradição do Lino’s Bar na cidade de Curitiba, executaram “Honky Tonk Lino’s” e a versão da banda para “Beber até Morrer” (RxDxPx cover).

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A parte derradeira do show, já com parte do público deixando a Clash Club, contou com “Iron Fist” (Motorhead cover), “I Will Rock n’ Roll With You” (J. Cash) e “O Trem / O Cachaceiro” – anunciada pelo vocalista com a imitação do som de um trem – encerrando, a primeira tarde/noite do Odins Krieger Fest. Em meio a um country rock despojado com letras mescladas entre português e inglês, a Hillbilly Rawhide entreteu o grande público presente no evento de forma a motivar futuras apresentações do grupo em terras paulistanas – aguardemos. Agradecimentos à Rodrigo Rossi e Sirleide Patriota pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

Set List Hillbilly Rawhide:
Fugindo com a Pacotera
Smokey On Your Front Door (W. Jennings)
High On The Road
Caramuru Calibre 32
Hillbilly Treasure
E Agora, Johnny
Ferrovia Centro-Oeste
Love The Mornings, But Get Along With The Nights
Bull Beer Theme
Uma Cerveja, Uma Cachaça, Um Remedinho
Drunk And Crazy
Strange For Me
Vida de Bandoleiro
Livin’ In Brazil (versão Going to Brazil Motorhead)
Cavaleiros da Morte
O Enxofre e a Cachaça
Joe Lee
Drunk And Stoned
Honky Tonk Lino’s
Beber até Morrer (RxDxPx cover)
Iron Fist (Motorhead cover)
I Will Rock n’ Roll With You (J. Cash)
O Trem / O Cachaceiro

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