Marillion – 30-04-2016 – Rio de Janeiro (Vivo Rio)

Marillion-RJ-abril-2016-por-Rodrigo Gonçalves-17Texto por Arony Martins – Fotos por Rodrigo Gonçalves & Arony Martins – Edição por André Luiz

Após alguns meses tendo quase que diariamente o calor como companhia, os moradores da cidade do Rio de Janeiro puderam provar um pouco das temperaturas mais amenas e agradáveis que um leve outono pode proporcionar. Folhas das árvores caindo aos poucos, o céu mais acinzentado, pessoas andando nas ruas de forma mais elegante do que de costume e pronto, uma das mais belas cidades litorâneas do mundo passou a se assemelhar às cidades europeias mais famosas. Poderíamos elencar Londres como exemplo, até por toda a atmosfera olímpica que gira em torno da sede dos próximos jogos olímpicos, a mesma Londres, que há 37 anos, foi o berço do nascimento de uma das bandas mais influentes do Rock Progressivo em todo o mundo. E eis que em uma ambientação bastante generosa, o grupo inglês se apresentou no Vivo Rio, na noite de 30 de abril.

Eram 22h10m quando a banda subiu ao palco para executar 17 canções, as quais varreram todas as fases de sua carreira, inclusive da era Fish, primeiro e emblemático vocalista que deixou o grupo ao final dos anos 80. O repertório ficou concentrado na era Steve Hogarth (também conhecido como ‘H’), mais precisamente no álbum ‘Afraid Of Sunlight’ e em ‘Seasons End’ primeiro trabalho de Steve com o grupo. Um fato seja talvez a maior explicação para quem questiona o fato do grupo não concentrar seus sets na fase Fish: Hogarth está com o grupo há quase 30 anos, enquanto Fish foi integrante menos que um terço desse tempo.

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A simpatia emanada por todos os músicos do grupo é algo ímpar. Poucas vezes percebi algo tão honesto nesse sentido. E com muitos sorrisos nos rostos que preencheram as dependências da casa, o grupo iniciou o show com “The King Of Sunset Town”, sendo possível ouvir muitas vozes em coro cantando cada uma das palavras de uma das mais belas canções do grupo. Em seguida, foi oferecida ao público a música “Power” do último trabalho do grupo ‘Sounds That Can´t be Made’ de 2012. Mesmo com uma sonoridade bem diferenciada da fase clássica da banda, a aceitação do público presente foi um significativo sintoma de que independente do tipo de som proposto, a fidelidade dos fãs se encontrava inabalada.

Por alguns momentos, Steve Hogarth conversou com os presentes demonstrando grande empatia com o público carioca que já havia os recebido em outras ocasiões. Para o vocalista, dito inclusive em uma das pausas da apresentação, o concerto no festival Hollywood Rock em 1990 foi um dos senão o mais importante da carreira do conjunto britânico. Outros momentos do show deixaram a plateia ainda mais em êxtase como em “Hooks In You” e “Easter”, canções também executadas na histórica apresentação anteriormente citada. Porém mesmo com tantas canções da ‘H Era,’ a primeira fase do grupo estaria representada, e no caso muito bem, com “Sugar Mice” do álbum ‘Clutching At Straws’, emocionando os fãs presentes. Mais algumas músicas e era hora da talvez, a mais aguardada da noite: “Kayleigh” do álbum ‘Misplaced Childhood’, maior sucesso comercial do grupo em sua história.

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Toda banda tem alguma tradicional sequência em seus repertórios. E os fãs se acostumaram a esperar que essa música, que seguramente é a mais conhecida da banda, fosse acompanhada por “Lavender”, como no álbum em que foram gravadas. Entretanto, na apresentação ocorrida em São Paulo na noite anterior, isso não aconteceu. Eis que mais do que depressa os fãs se mobilizaram e com cartazes pediram para que o conjunto mantivesse a tradição, emocionando ainda mais todos os presentes, inclusive este que vos fala.

Um dos pontos altos da apresentação foram as projeções em um enorme telão posicionado na parte de trás do palco. Todas as músicas foram acompanhadas por imagens que ajudaram a contextualizar as belas letras das canções apresentadas. Em “King”, por exemplo, dedicada à memória de Prince, artista recentemente falecido, enquanto a música chegava aos ouvidos do público, imagens de artistas que já não estão entre nós foram projetadas. E a cada um que surgia, todos reagiam com gritos e aplausos. Lemmy Kilmister, Jimi Hendrix, Keith Moon, DimmeBag Darrel, Amy Winehouse, dentre outros foram lembrados. Uma curiosidade: a canção é integrante do álbum ‘Afraid Of Sunlight’, o qual possui como temática principal o lado destrutivo da fama. Entretanto um ponto negativo da apresentação foi o encurtamento da música “Sounds That Can´t Be Made” por motivos técnicos. Contudo respeitosamente o vocalista Steve Hogarth pediu desculpas ao público, o qual retribuiu com merecidos aplausos e a apresentação seguiu normalmente.

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“Beautiful” mais uma vez levantou o público presente, sendo esta uma das mais conhecidas canções da banda no Brasil por ter feito parte da trilha da novela “Cara e Coroa” nos anos 90. E por fim, mais uma das músicas esperadas da noite: a magistral “Garden Party” do primeiro trabalho do grupo ‘Script For A Jester’s Tears’.

Sem sombra de dúvida o que vimos foi uma apresentação para jamais ser esquecida, não somente pela intensa musicalidade característica desta banda que em breve chegará ao seu quadragésimo aniversário, mas pela experiência proporcionada por cinco excelentes músicos que nitidamente amam o que fazem. Agradecimentos à Top Link Music e assessoria de imprensa Vivo Rio pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

Set List Marillion:
The King Of Sunset Town
Power
You’re Gone
Cover My Eyes (Pain And Heaven)
Hooks In You
Sugar Mice
Afraid Of Sunrise
Man Of A Thousand Faces
Easter
Kayleigh
Lavender
Sounds That Can’t Be Made
Afraid Of Sunlight
King
The Invisible Man
Beautiful

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