Marillion – 29-04-2016 – São Paulo (Tom Brasil)

Marillion - SP - abr-2016 - por Edi Fortini VTexto por Clayton Franco – Fotos por Edi Fortini – Edição por André Luiz

Marillion de volta a São Paulo. A combinação entre este grupo ícone do rock progressivo e a terra da garoa sempre teve um resultado perfeito: casa lotada e show fenomenal. Foi assim em 2012, se repetiu em 2014 e não poderia ter sido diferente em 2016. Primeiro dos três shows que o grupo faria em terras tupiniquins (ainda haveria outro show no Rio de Janeiro e posteriormente em Belo Horizonte), aquele seria um show atípico do qual o público esperava por muitas surpresas. O motivo para tanto é que o grupo não está na estrada divulgando nenhum trabalho recente, pois o próximo disco (18º trabalho de estúdio) será lançado apenas em setembro.

Pontualmente as 22h30m inicia-se o show com “The King Of Sunset Town” levantado o público, demonstrando que tanto os presentes na pista comum quanto na vip e camarotes, estavam agitados e sedentos por boa música. O início, executando uma canção do primeiro álbum do grupo com Steve Hogarth nos vocais, já daria a pauta de como seria a noite. Sem dar tempo para o público assimilar, seguiram com “Cover My Eyes” e “Power” (esta, de seu último trabalho de estúdio, ‘Sounds That Can’t Be Made’, lançado em 2012). Após a terceira canção, tivemos a primeira interação entre o grupo e seus fãs. Agradecendo a presença de todos, o “Senhor H” disse o quanto estava feliz por retornar ao Brasil e perguntou se todos estão contentes também. Com a resposta afirmativa do público, Hogarth assumiu os teclados para a execução de “Pour My Love” em um dos primeiros momentos intimistas do show.

Marillion - SP - abr-2016 - por Edi Fortini VI

Aliás, intimista e introspectivo resume bem o que foi o show todo. Sem nenhuma pirotecnia e apresentando poucos efeitos de luzes (muitas delas posicionadas no chão, com iluminação de baixo para cima, como nos antigos teatros gregos), o grupo se valeu de um belo telão ao fundo com imagens e efeitos convidando os presentes à introspecção que as canções aliadas ao telão proporcionavam. Músicas como “80 Days” e “Sugar Nice” (esta, ainda da era Fish nos vocais) eram acompanhadas de imagens refletindo o calendário e o passar dos anos, assim como raios e efeitos elétricos.

O show continou com “Afraid Of Sunrise”, durante a qual tivemos show à parte de Steve Rothery. O que este senhorzinho gordinho e simpático fez na guitarra deslumbrou a todos, demonstrando completa afinidade entre músico e instrumento, em determinados momentos ele tocou de olhos fechados portando um leve sorriso no rosto. Em “Easter” tivemos novamente um momento único entre Hogarth e a plateia, pois mesmo mantendo uma bela voz e o domínio sobre ela, os anos começam a pesar para o vocalista que para alcançar as notas mais altas pedidas pela canção, contou com o público cantando junto, a sinergia total entre H e seus fãs.

O show prosseguiu com “You’re Gone” e “Kayleigh”, ficando evidente que Peter Trewavas (baixo) estava muito mais solto no palco, muitas vezes tomando da banda dele para confraternizar com o público no “gargalo”. Foi o destaque em várias canções e demonstrava simpatia com todos. Vale lembrar que o mesmo já veio ao Brasil com o supergrupo Transatlantic, portanto tem mais vivência com o público brasileiro do que os outros integrantes do Marillion. O baterista Ian Mosley era uma figura incógnita no palco, escondido atrás do seu kit de bateria. Embora entre uma canção e outra, ficasse em pé para acenar ao público e bater palmas para os presentes.

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Em “Sounds That Can’t Be Made” houveram alguns problemas técnicos com a guitarra de Rothery – o som sumiu exatamente na hora inicial do solo. A banda continuou tocando enquanto Steve foi assessorado por um membro da equipe técnica que lhe trocou a guitarra a tempo de voltar próximo do final do referido solo de maneira alta e cristalina, encerrando a canção de forma magistral.  Houveram outros pequenos problemas técnicos, como durante “80 Days” na qual o som do teclado de Mark Kelly falhou por alguns segundos, mas pequenos problemas técnicos como os citados não tiraram o brilho da apresentação. Pelo contrário, demonstraram a calma e destreza para contornar momentos difíceis de uma banda afinada e com décadas de estrada.

O show se aproximava do fim, com “Afraid Of Sunlight” e “King”, dobradinha do mesmo álbum que agitou os presentes, mas nada preparou o público para a catarse que seria a canção seguinte. Uma descarga de sentidos e emoções tomou conta do Tom Brasil aos primeiros acordes de “The Invisible Man”. Hogarth também assumiu as guitarras e todos ficaram vidrados no som extasiante da canção agregado com imagens surreais vindas do telão, preenchendo nossos olhos e mente, quase que como uma epopeia grega, encerrando a primeira parte do show.

Após um rápido intervalo, o grupo retornou ao palco sob chuva de aplausos para reiniciar o show com “Beautiful”, canção da era “H” no grupo. Para encerrar a noite, voltaram aos primórdios da Era Fish com “Garden Party”, possivelmente a canção mais conhecida do seu primeiro disco (‘Script For A Jester’s Tear’, 1983). Com o citado bis demonstrando duas fases distintas do grupo, encerrou-se uma noite de rock progressivo na qual o intimismo entre banda e público resumiram a perfeição e nostalgia da noite.

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Fim do show e momento de análises finais de tudo que presenciei. Voltando ao início desta resenha quando citei que seria um show atípico (visto que o grupo não estava divulgando nenhum álbum novo), o público deixou o Tom Brasil conversando sobre a escolha do repertório. Como ninguém sabia quais seriam as canções escolhidas para a noite, achávamos que teríamos alguma surpresa com uma canção do álbum que ainda será lançado. Infelizmente isso não aconteceu. Muitos também sentiram a falta de canções da era Fish que se tornaram clássicos absolutos do grupo, dentre as quais posso citar “Lavender” e “Assassin” entre as mais pedidas. Com uma extensa lista de discos lançados, o grupo concentrou seu repertório nos álbuns mais recentes, havendo poucas mudanças em relação à última passagem pelo Brasil em 2012. Quem sabe seja apenas um sonho pedir para o Marillion fazer um tour basicamente com álbums clássicos como ‘Fugazi’ e ‘Missplaced Childhood’ no set. Com certeza seria a realização do sonho de muitos fãs de longa.

Deixo aqui meus agradecimentos finais Top Link Music por novamente viabilizar um tour do grupo pelo Brasil, além de Damaris Hoffman e Miriam Martinez pelo credenciamento de nosso veículo na cobertura do evento.

Set List Marillion:
The King Of Sunset Town
Cover My Eyes
Power
Pour My Love
80 Days
Sugar Nice
Afraid Of Sunrise
Easter
You’re Gone
Kayleigh
Sounds That Can’t Be Made
Afraid Of Sunlight
King
The Invisible Man

Beautiful
Garden Party

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