Púrpura Ink – Breakin Chains

Púrpura Ink - cd 2015

Púrpura Ink – Breakin’ Chains
CD – WikiMetal Music (2015)

Texto por Leko Soares – o conteúdo expresso reflete a opinião do autor, é de inteira responsabilidade deste
Edição por André Luiz

Um belo dia você acorda disposto a ‘chutar o balde’ em um churrasco ou na vindoura noitada. Abre uma cerveja gelada e ‘tola’ o som no volume mais alto, antes mesmo de escolher qual vinil colocará para rodar no seu aparelho de som, já empoeirado e um pouco desbotado pelas décadas de uso. De repente, um obstáculo se anuncia em sua mente: “Será que devo ouvir algo do Skid Row, Ratt ou Europe pela milésima vez? Será que não existem bandas novas com essa sonoridade oitentista pra me abastecer com um novo sopro do velho Hard Rock?”. POIS SEUS PROBLEMAS ACABARAM: o Púrpura Ink, banda brazuca oriunda do Maranhão chegou com os dois ‘pés na porta’ através de seu álbum de estreia ‘Breakin’ Chains’.

Formada por E.J. Vale (vocais), Chris Wiese e Márcio Glam (guitarras), Seth Bass (baixo) e  Derick (bateria), os maranhenses esbanjam bom gosto e conhecimento de causa ao longo de todas as faixas deste full-lenght. As músicas são niveladas por cima e fica até difícil apontar um grande destaque individual. Neste exercício de esforço, porém, cabe citar a bela abertura com a faixa-título que já começa destilando um riff inicial animal e solos muito bem encaixados. Aliás, falar de riffs e solos nesse álbum é redundância pura: não há uma faixa sequer sem que as guitarras assumam a frente e deixem claro quem comanda as coisas por aqui. A dupla Chris Wiesen e Márcio Glam dão um show à parte e em alguns solos chegam a nos remeter à dupla Murray-Smith, inclusive com direito a um dueto em “Enemy” que parece ter saído diretamente do magistral ‘Somewhere In Time’.

Os vocais também possuem um importante papel neste álbum e embora, confesso que tenha estranhado o timbre limpo e cristalino de E.J. Vale na primeira audição, logo que você entende a intenção e o bom gosto das linhas vocais, fica mais fácil valorizar o trabalho feito pelo frontman durante todo o cd. O único senão em relação a esse lado das composições é a falta de uma maior presença de backing vocals em alguns momentos, como em “Breakin’ Chains” (mais vozes poderiam ter ajudado na dinâmica da música transformando o refrão no ápice da composição). Porém, ressalto que são detalhes de arranjos opcionais da banda e que agradarão alguns e outros não, sem comprometer o resultado das músicas como um todo.

Outro ponto a ser citado é a produção. Por um lado há de se exaltar o bom gosto na escolha dos timbres e na opção da banda e do produtor de soarem orgânicos e pulsantes como se a banda estivesse tocando ao vivo. Por outro, em alguns momentos mais intimistas do CD, como na ótima “Higher Ground” ou em “Let Me Stay – Go Away”, acredito que uma mixagem com mais corpo e ambiência e um pouco mais aveludada poderia ter tornado as músicas ainda ‘maiores’ do que já são.

Detalhes à parte, se sua onda é o Hard/Glam Oitentista com pitadas de NWOBHM, a bola oito da vez com certeza é o Púrpura Ink, principalmente pela maturidade impressionante que demonstraram neste debut, que, espero, seja apenas o primeiro play da festa. E respondendo à angústia do nosso personagem festeiro do início da resenha: SIM, existem ótimas bandas fazendo o bom e velho Hard Rock ainda se manter como um estilo relevante nos dias de hoje. Basta deixar a preguiça e a síndrome saudosista de lado e garimpar o que temos de bom por aí!

Integrantes:
E.J Vale – vocal
Seth Bass – baixo
Márcio Glam – guitarra e teclado
Chris Wiesen – guitarra
Derick – bateria

Faixas:
01- Breakin’ Chains
02- Lifestyle
03- Higher Ground
04- Kate
05- Let Me Stay (Go Away)
06- Enemy
07- Flying Away
08- Rose With Thorns
09- Bitter Wishes
10- Something To Believe

Confira abaixo as faixas “Higher Ground” e “Kate”:

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