Camisa de Vênus – 10-12-2015 – Taubaté (Sesc)

camisa-de-venus-10-12-2015-sesc-taubate-por-deko-lune-49Texto por Clayton Franco – Fotos por Deko Lune – Edição por André Luiz

Em continuação a tour ‘35 anos de história’, o Camisa de Vênus apresentou-se na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, para um público que lotou as dependências do Sesc. Idealizada por Marcelo Nova e Robério Santana, fundadores do grupo, a tour visa festejar a longevidade da banda junto aos fãs e admiradores que há muito pediam por novos shows. O local escolhido, Sesc de Taubaté, trata-se de uma unidade de grandes dimensões (se comparada a outras do estado), desta forma, o show foi realizado no pátio do local no qual há uma grande lona (arremetendo aos circos itinerantes que antigamente existiam no interior paulista).

O show estava previsto para começar às 20h30m e para todos que conhecem o Sesc, sabem que a pontualidade é uma de suas características. Desta forma, Robério Santana (baixista da formação original do Camisa) adentra ao palco acompanhado de Drake Nova e Leandro Dalle (guitarras) e Célio Glouster (bateria) iniciando o show com a clássica “Bota pra Fudê” e seu título sendo gritado em uníssono por todos os presentes. Ao iniciar a letra da canção, Marcelo Nova se juntou a trupe sobre o palco levando o público ao delírio. Sem deixar espaço para os presentes respirarem, o frontman anunciou que a canção seguinte fazia parte do disco ‘Batalhões de Estranhos’ e foi composta no milênio passado, “Hoje”, durante a qual os refrãos ficaram a cargo dos fãs que cantaram tão alto que encobria o som vindo do palco. O Camisa ainda no gás inicial, de emendar um petardo atrás do outro, iniciou os acordes de “Bete Morreu” com Marcelo dizendo que ela foi escrita na estrada em parceria com Robério.

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Durante a primeira pausa do show, Marcelo se dirigiu ao público dando boa noite e dizendo o quanto estava feliz em tocar em Taubaté, afirmando que os presentes estavam contratados para banking vocal em todos os shows da tour devido a euforia. Sob aplausos de seus fãs, a banda continuou com a balada “Rostos e Aeroportos” e “Deus me dê grana” agitando toda a pista.

O show prosseguia com “Gotham City”, na qual ‘Marceleza’ fez uma brincadeira durante toda a primeira estrofe substituindo “Gotham” por Taubaté, novamente se impressionando com a participação dos fãs que vibraram em cada acorde. Agradecendo novamente a receptividade de todos, anunciaram uma canção do primeiro álbum, “Passatempo”.

Em mais um momento de interação com os fãs, Marcelo disse que o rock atual só possui dois tipos de vocalistas: o garotinho novinho de camisa colorida e boné cantando fininho ou o bêbado barbado falando grosso. Arrancando risadas da plateia, Nova imitou os dois tipos de vocais a que se referiu e prosseguiu dizendo que o Camisa não é assim, ainda é da velha escola na qual o rock ainda é verdadeiro, arrancando aplausos de todos, antes de executarem mais uma balada: “A ferro e a fogo”, com sua letra introspectiva que nos faz pensar se realmente um dia tudo acaba. E se estamos falando de letras introspectivas as quais  trazem sentimentos diversos, nada melhor do que “Eu vi o futuro” (outra canção composta pela parceria Marcelo e Robério).

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O agito da pista voltou quando Marcelo anunciou que canção seguinte foi composta e gravada em um dueto entre o Camisa e Raul Seixas, fazendo parte do disco ‘Duplo Sentido’. Nem precisou dizer o nome da canção, pois quando citou Raul, todo mundo já sabia que seria “Muita estrela, pouca constelação”. Uma letra crua que mostra os mais diversos tipos de pessoas que permeiam o meio musical, desde os tipos de músicos e fãs existentes, passando por empresários e pessoas dos bastidores e mainstream – uma canção composta há 28 anos e com uma letra que infelizmente ainda se mantém atual. E se o momento era de sons antigos e clássicos, Marcelo disse acreditar que de todo público presente apenas uns 3 ou 4 conheceriam a letra da canção seguinte, mas nos primeiros acordes de “Só o fim”, um público em uníssono cantou à plenos pulmões a música composta pelo grupo mais tocada nas rádios.

Durante “O Adventista”, a pista virou uma verdadeira roda e o ‘Circo do Sesc’ veio abaixo com o refrão “Não vai haver amor neste mundo nunca mais”. Em “My Way”, vieram as improvisações entre os integrantes. A cozinha formada por Robério e Célio se mostrou coesa e precisa, sustentando o som para que Drake Nova (o filho do homem) e Leandro Dalle pudessem brincar nas guitarras com solos e bases mais pesadas. Nessa improvisação ainda tivemos tempo para Marcelo brincar um pouco com a letra de “Trem das 7” e “Carpinteiro do Universo”.

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A noite já avançava e os momentos finais do show também. Marcelo perguntou se o público ainda queria mais, e em resposta vibrante de todos, encerram o show com um grande medley contendo “Simca Chambord”, “Silvia” e “Eu não matei Joana d’Arc”.  Nada mais apoteótico e visceral para um encerramento de uma noite contagiante, na qual 35 anos de história do rock nacional foram passados a limpo em frente a um público que realmente ‘botou pra fudê’ a noite toda. Agradecimentos à Samantha Azambuja e Viviane Lemes do Sesc Taubaté pelo credenciamento de nosso veículo na cobertura do evento.

Set List Camisa de Vênus:
Bota Pra Fudê
Hoje
Bete morreu
Rostos e aeroportos
Deus me dê grana
Gotham City
Passatempo
A ferro e fogo
Eu vi o futuro
Muita estrela, pouca constelação
Só o Fim
O adventista
My Way
Medley (Simca Chambord / Silvia / Eu não matei Joana d’Arc)

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