Evil Conduct e Blind Pigs – 14/11/2015 – São Paulo (Clash Club)

Evil Conduct - Clash Club - SP - Novembro2015 - por FelipeBuli.06

Texto por Renata Penteado – Fotos por Felipe Buli – Edição por André Luiz

Show PUNK? SIM. A noite de 14 de novembro teve um clima de nostalgia na casa de shows Clash Club, em São Paulo. O público trajado com suspensórios e exibindo suas cabeças raspadas era uma mistura saudável da galera “old school” com uma boa quantidade de gente mais nova, os quais lotaram a casa paulistana para verem de perto os holandeses pioneiros do oi/street punk mundial, cujos músicos escolheram pessoalmente o Blind Pigs para acompanharem-nos pelo giro brasileiro da tour mundial de divulgação de ‘Today’s Rebellion’, álbum mais recente do trio lançado em 2014.

A banda Faca Preta abriu o show com seus cinco integrantes fazendo um ótimo som. Muito embora o quinteto seja novo, Anderson Boscari (guitarra), Dudu Elado (guitarra), Fabiano Santos (vocal), Shamil Carlos (baixo) e Thiago Brandão (bateria) são velhos conhecidos da cena paulistana. Destaque para “Coração Libertário”, música que ainda não foi gravada pela banda, além de canções de seu EP debut autointitulado lançado em março de 2015.

A casa foi enchendo até que o Blind Bigs entrou causando uma euforia contagiante. Henrike, o vocalista, sabe muito bem lidar com seu público, incitou os presentes em todas as músicas: fizeram “mosh”, “bate cabeça” além de “crowd surfing” durante toda a apresentação. Além do frontman, a line up da noite contou com Gordo (guitarra, vocal), Mauro (guitarra), Galindo (baixo) e o baterista Kleber, ex-integrante responsável por gravar os discos ‘Blind Pigs’, ‘Suor, Cerveja e Sangue’ e ‘Porcos Cegos EP’, tendo em vista que Arnaldo, o titular do posto, quebrou a mão em uma briga de rua em Nova York e está se recuperando de uma cirurgia.

Blind Pigs - Clash Club - SP - Novembro2015 - por FelipeBuli.03

Henrike e cia. apresentaram vários petardos de seus 22 anos de carreira como “Antro de Trastes” e “O Idiota”, com destaque para faixas do mais recente EP ‘Linha de Frente’, dentre estas, uma homenagem emocionante durante “Sempre Avançar” ao ex-guitarrista da banda Fabiano, falecido este ano. Definitivamente, uma performance para roubar a cena, com direito a participação de Joost do Evil Conduct (a qual seria retribuída mais tarde…), coroando a ótima fase da banda paulistana em meio as reestruturações de line up recentes.

Finalizando a noite, a apresentação da banda holandesa Evil Conduct trouxe a essência do oi! por uma das bandas mais tradicionais do estilo. Os músicos subiram ao palco demonstrando autenticidade, vestindo-se com suspensórios e calças de barras curtas, executando músicas oriundas de suas três décadas de carreira, com destaque para o sexto álbum de estúdio e mais recente da discografia, ‘Today’s Rebellion’. Três integrantes foram suficientes para fazer um barulho respeitável na Clash Club.

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Com um set list sortido contendo clássicos como “Skinhead Girl”, “Home Sweet Home” e faixas do último trabalho como “Oi! Oi! The Shop!” e “Something About You”, a banda conseguiu levar o público ao delírio absoluto. Joost, o baixista, era o músico mais animado dirigindo-se a frente do palco inúmeras vezes  para interagir com a galera. O baterista Phil (substituto de Ray o qual deixou a banda em 2015 após 30 anos na line up) embora tenta-se rivalizar nas caras e bocas, não era páreo para o frontman Han (único remanescente da formação original do grupo holandês) que volta e meia fazia suas caretas características em meio aos acordes de hinos do street punk como “One Day Will Come” e “Skinhead Till I Die”.

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E em meio a verdadeira festa na pista do Clash Club, os músicos do Blind Pigs retribuíram a participação de Joost no show anterior com uma verdadeira “invasão de palco”, transparecendo a amizade entre o músicos, razão pela qual esta tour conjunta ocorreu em terras brasileiras. E a contar pela interação entre bandas e público, ocorrer uma reedição da excelente noite presenciada não seria nada mal, afinal, o movimento street punk foi muito bem representado, provando que a “cena” ainda permanece viva e atuante. Agradecimentos à Hearts Bleed Blue (em especial Paola Zambianchi) pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

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