Ummagumma: mantendo viva a chama do Pink Floyd – entrevista exclusiva

Ummagumma

Entrevista por Arony Martins – Imagens por divulgação – Edição por Rodrigo Gonçalves

Ummagumma, The Brazilian Pink Floyd, têm se apresentado no país desde 2002 após uma tour de Roger Waters, a qual inspirou a reunião de músicos para um projeto ousado, representando com riqueza de detalhes e grande estrutura as memoráveis apresentações do Floyd. Confira abaixo entrevista exclusiva concedida pela banda ao Portal Metal Revolution, comentando sobre a temática floydiana abordada pelo grupo durante as apresentações ocorridas Brasil afora durante os últimos 13 anos.

Arony Martins – Primeiramente gostaríamos de agradecer a gentileza em atender nossa equipe. Hoje em dia é possível afirmar que o Ummagumma, após anos de estrada, é reconhecido não somente como uma banda cover, mas sim um grupo que apresenta um espetáculo tributo sendo reconhecido nacionalmente por isso. Todavia tudo tem um começo. Vocês poderiam nos contar um pouco de como foi esse início? Como nasceu o projeto?
Ummagumma –
Nós que agradecemos pelo interesse em saber um pouco mais da nossa história e do nosso trabalho! Não foi fácil mesmo atingir essa projeção nacional. Já são 13 anos na estrada. Uma história que começou com a vinda do Roger Waters ao Brasil em 2002, com a turnê IN THE FLESH. Bruno Morais, vocalista, guitarrista e diretor musical da banda, foi ao show acompanhado da irmã Isabela Morais, backing vocal e de sua mãe, Ber, backing vocal e produtora executiva do projeto. Ele voltou completamente emocionado do show e usou sua experiência de anos com o rock, para iniciar seu projeto mais sério e audacioso: levar às pessoas que não puderam estar no show do Roger, a sensação de presenciar um espetáculo floydiano, repleto de efeitos, com um trabalho cuidadoso de cenografia, iluminação, tudo isso ao som dos clássicos da banda inglesa. O show que assistiram foi em março. Em abril a primeira formação da banda estava montada. Dia 28 de setembro de 2002, Ummagumma fazia o show “Is There Anybody Out There?” no Centro Cultural Milton Nascimento, em Três Pontas, cidade natal do projeto, lotando pela primeira vez a casa. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Mudanças na banda, na produção, alteração no próprio nome, que antes era Ummagumma Pink Floyd Cover. E graças à persistência da equipe Ummagumma e o apoio dos fãs, estamos aí até hoje.

Arony – O álbum Ummagumma pode ser considerado o trabalho que colocou o Pink Floyd no mainstream da música mundial, um verdadeiro salto de qualidade e sonoridade em relação aos álbuns anteriores. A escolha do nome teve alguma relação com esse fato? O que motivou o grupo em escolher o nome desse importante trabalho?
Ummagumma Não diretamente. Quando fomos escolher o nome, queríamos algo que remetesse ao Pink Floyd, mas também que tivesse um apelo sonoro, um nome “que pegasse”, inclusive para quem não fosse tão fã da banda… Ummagumma então contempla porque é de conhecimento dos fãs e tem uma sonoridade interessante e chamativa para quem está entrando agora no universo floydiano. E o nome pegou mesmo. Em 2012 quando alteramos o nome de Ummagumma – Pink Floyd Cover para The Brazilian Pink Floyd, até “tentamos” ficar sem o Ummagumma, mas depois de 10 anos já não tinha jeito e ficou então: Ummagumma – The Brazilian Pink Floyd.

Arony – Produzir um show com a riqueza de detalhes que o Ummagumma produz, não é uma tarefa das mais fáceis. Incluindo os cenários e a busca por uma sonoridade, dentre timbres e afinações, que estejam fiéis em relação à banda original, quais são as maiores dificuldades que vocês encontram na montagem dos concertos e reprodução da atmosfera das apresentações do Pink Floyd?
Ummagumma Em alguns momentos, quando estamos diante de algum problema com a produção, equipamento ou para administrar uma equipe com quase 30 pessoas (banda + produção – sem contar o pessoal das empresas de som e luz), a gente se pega soltando a seguinte frase: “seria mais fácil se fosse um cover de Stones ou Beatles né?”. Não é uma questão de desmerecer o trabalho dessas duas bandas que são referências importantes para gente também, mas é que quando assumimos a ideia do projeto Ummagumma, não queríamos apenas tocar as canções, mas reproduzir a atmosfera. Então o Ummagumma já nasceu “grande”. Já no primeiro show a gente tinha o muro, telão, luzes, o “Teacher”, um avião que sobrevoava o público e explosões no palco. Então sim, a dificuldade é grande, mas é o que diferencia o trabalho do Ummagumma no Brasil desde o início. Em 13 anos evoluímos muito nesse sentido. Temos os nossos próprios técnicos de PA, monitor, iluminação e efeitos áudio-visuais, além das equipes de roadies, montagem e apoio. São profissionais tão imprescindíveis quanto os próprios músicos no palco. Aos poucos a banda tem evoluído nos equipamentos também, o que ajuda muito na busca da timbragem cada vez mais próxima. Recentemente fechamos a parceria com a Hiwatt, a mesma marca de amplificadores que David Gilmour usa, por exemplo. Mas temos consciência de que temos MUITO a avançar. Em abril desse ano fizemos um dos nossos shows mais importantes em São Thomé das Letras. Foi a própria Equipe Ummagumma que produziu o show e lá pudemos usar todos os recursos possíveis: sistema de som surround 5.1 (quadrafônico), explosões – que desde o episódio de Santa Maria/RS estão cada vez mais restritas, cenografia completa com o avião, professor, porco, além de uma superestrutura de palco e iluminação. Mas só foi possível porque fizemos em local aberto e porque nós assumimos o risco. A locação desses equipamentos é cara e não é todo contratante que está disposto a arcar com todas essas despesas; não é toda casa que aceita certos efeitos especiais e por aí vai…

Ummagumma - em Porto Alegre - foto por divulgação 2015Arony – As últimas turnês de Roger Waters talvez tenham sido o mais próximo do Pink Floyd original que pudemos assistir aqui no Brasil. Como vocês se sentem sendo uma banda com a grande responsabilidade de reproduzir com a maior fidelidade possível as músicas de uma banda tão importante no cenário da música mundial em todos os tempos?
Umagguma A responsabilidade é muito grande. Muito mesmo. E nos cobramos muito. O Bruno mesmo demorou anos pra descer do palco completamente satisfeito com a sonoridade da banda. Acreditamos que hoje estamos mais próximos dessa sonoridade, mas ainda falta muito. E no quesito equipamento, cenários e efeitos, é um caminho sem fim, sempre haverá mais coisas que poderão ser feitas. Mas a receptividade do público é o que nos motiva. E não apenas os elogios, mas também as críticas. Elas são fundamentais e estamos sempre abertos a elas.

Arony – Algumas bandas mundo afora apostaram em desenvolver espetáculos reproduzindo turnês específicas das bandas as quais prestam tributo. É o caso por exemplo da canadense “The Musical Box” que homenageia a histórica banda Genesis. Vocês em algum momento pensaram em produzir algum espetáculo mais temático, reproduzindo alguma turnê mais específica do Pink Floyd ou mesmo executando álbuns na íntegra, tal qual fez Roger Waters em suas últimas excursões?
Ummagumma Temos sim. Estamos com o projeto de fazer o “The Wall” já há algum tempo e deve sair em breve. De fato, uma das coisas mais difíceis pra gente é escolher o repertório: qual “recorte” fazer da vasta, diversificada e rica discografia do Pink Floyd. Já fizemos uma temporada com o “Dark Side” completo. Ano passado em BH – cidade onde mais nos apresentamos fizemos o “Wish You Were Here”. Das duas vezes que nos apresentamos no The Carnawall, maior evento floydiano do país organizado pelo Bloco do Pink Floyd, fizemos shows temáticos: o “Animals e um tributo ao Live at Pompeii.

Arony – O Ummagumma The Brazilian Pink Floyd tem um trabalho muito similar ao de outras bandas tributo como o Aussie Floyd da Austrália e o Brit Floyd da Inglaterra, todas estas com qualidade inigualável. É sabido que os músicos do Pink Floyd têm total ciência do trabalho desenvolvido pelas últimas duas e inclusive os observam com ótimos olhos, considerando inclusive que essa é uma forma de perpetuar o catálogo gravado pelos músicos britânicos. Vocês já tiveram algum tipo de contato com Gilmour, Waters ou Manson?
Ummagumma O título “The Brazilian Pink Floyd” foi uma sugestão que nos foi dada devido à projeção que a banda alcançou. A similaridade com as bandas citadas vem justamente da proposta de levar não apenas a música, mas toda a atmosfera de uma apresentação floydiana. Estivemos com Roger Waters em 2007 durante a turnê “The Dark Side of The Moon”, no hall do hotel no Rio onde estava hospedado. Entregamos nosso material, mas foi algo bem rápido. Mas temos sim, muita vontade de estabelecer contato e batalhamos pra isso.

Arony – A banda incluiu no repertório dos shows realizados desde o ano passado a música “Louder than Words” do álbum The Endless River, lançado recentemente. Considerando que o Pink Floyd não mais existe enquanto banda, essa é uma canção que provavelmente não veremos sendo executada ao vivo pelos músicos originais hoje ainda vivos. Como tem sido a receptividade do público em relação a esse momento da apresentação?
Ummagumma A receptividade é muito boa. Alguns fãs ficam emocionados e cantam juntos a música toda, outros ficam surpresos quando a apresentamos.

Ummagumma - foto por divulgação 2015

Arony – Os músicos da atual formação da banda trabalham em outros projetos ou se dedicam integralmente ao Ummagumma?
Ummagumma Sim, estão envolvidos em outros projetos. Alguns músicos trabalham juntos em outras bandas e projetos musicais, e outros têm ainda trabalhos não relacionados com a música. Muitos gostariam de viver exclusivamente da banda, mas por hora ainda é inviável. Quem sabe um dia?

Arony – Como vocês avaliam hoje o mercado para bandas tributo como a de vocês? Ainda há espaço para outros projetos que homenageiem artistas tão importantes para o rock mundial?
Ummagumma Há sim uma grande demanda por shows que façam tributos a bandas clássicas. A atual dificuldade do Ummagumma é de sempre conseguir produzir os shows com a estrutura completa que a banda pode oferecer, e de se apresentar por todo o país. Muitas pessoas nos escrevem de diferentes regiões do Brasil pedindo o show. Nós queremos muito, mas dependemos de apoios, patrocínios e parcerias, e nem sempre um “cover” é o tipo de projeto em que as pessoas estão dispostas a apostar. Ainda mais na grandiosidade que é o nosso projeto. Uma vez criticaram a banda por ter conseguido aprovação do projeto pela Lei Rouanet, mas foi graças à captação de parte dos recursos, que conseguimos fazer nossa turnê no Rio Grande do Sul, por exemplo. Queremos sim tocar em todo país e estamos batalhando para isso, porque público existe! E muito!

Arony – Como estão os preparativos para a apresentação da banda na tradicional casa de espetáculos carioca, Citibank Hall? Podemos aguardar surpresas para o show?
Ummagumma Estamos a mil com os preparativos. 2015 tem sido um ano de shows importantes e essa apresentação do Rio não será diferente. Queremos um show ainda mais emocionante que o do ano passado! O mesmo cuidado com cenografia e iluminação e efeitos áudio-visuais, um repertório diferente. Serão mais de duas horas de muita psicodelia!!

Arony – Temos sempre por costume, deixar a última pergunta da entrevista para que os artistas deixem suas mensagens para os fãs do grupo e também aos leitores do Portal Metal Revolution. Fiquem a vontade, o espaço é de vocês.
Ummagumma É um prazer voltar ao Rio de Janeiro. Sempre somos muito bem recebidos aqui. Agradecemos muito pelo carinho e confiança do público carioca em relação ao nosso trabalho. É o apoio do público que nos motiva a continuar na estrada. Convidamos a todos para mais uma viagem floydiana. Quem já foi, venha conferir as novidades e pra quem ainda não assistiu, venha conhecer nosso trabalho. Prometemos uma noite inesquecível! Muito obrigada a toda galera do Portal Metal Revolution! Saudações floydianas e até o show!!!

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Comments

  1. Grande Arony. Curti muito a entrevista. Não poderei ir ao show no Rio mas ficarei atento à agenda da banda. Abração.