Bullet For My Valentine e Motionless In White – 12-07-2015 – Rio de Janeiro (Circo Voador)

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Texto por Allan Barata – Fotos por Allan Barata – Edição por André Luiz

Foram quase 04 anos desde a última vinda, no dia 19 de Novembro de 2011, em São Bernardo do Campo, São Paulo, ocorrendo algumas frustrações nas negociações com o Rock In Rio durante esse período. Foi a primeira vez pisando no Rio de Janeiro e com o apoio brutal do Motionless In White, o Bullet For My Valentine misturou lágrimas e headbangers no Circo Voador.

A fila do lado de fora do Circo Voador se formara desde cedo, mesmo em um domingo de sol – sim, esse é o público apaixonado de metalcore – e, como todo bom headbanger, vestir preto no calor não é agradável. Além da ansiedade para ver as bandas, 20 sortudos aguardavam ansiosamente para o Meet & Greet. A fã Nathália Lins não escondia o nervosismo de conhecer uma de suas bandas preferidas e poder abraçar Matt Tuck, vocalista do Bullet – definitivamente a pessoa mais feliz na Lapa, fato ilustrado por seu sorriso contagiante.

A previsão da abertura dos portões às 18h foi cumprida pontualmente – situação que nem sempre acontece – e os fãs foram sendo liberados pouco a pouco, sempre correndo até as catracas, e, em seguida, à beira do palco para conseguirem um disputado lugar na grade. Inegável que a comoção era pelo Bullet For My Valentine, mas Chris Cerulli e o Motionless In White estavam prestes a entregar um metalcore repleto de breakdowns violentos, teclado e sintetizadores – bem diferente do som apresentado pelo BFMV, apesar de serem enquadrados no mesmo subgênero.

Às 19h os fotógrafos se direcionaram para o warpit enquanto os membros do MIW entravam um por um, até Chris, também apelidado de ‘Motionless’, aparecer e Josh Balz começar a introdução de “Break The Cycle” no teclado. A banda inteira possui um visual um tanto mórbido e sombrio, com direito a máscara de Leatherface do baixista Devin “Ghost” Sola.

Motionless In White - RJ - jul-2015 - por Allan Barata 1O6A0407web_wm

A banda seguiu com o material do seu último álbum ‘Reincarnate’, justamente com a title track – que alterna início e meio agressivos com um refrão mais leve, sem gutural. A escolha para a sequência foi “Death March”, com uma sonoridade que lembra Marilyn Manson. O headbanger Logan Ferreira, fissurado na banda e devidamente condecorado com a grade, recebeu de presente uma palheta que caíra no pit dos fotógrafos – quem está acostumado com shows de metal sabe que estes souvenirs são bastante cobiçados. Visitando o trabalho de 2012, ‘Infamous’, a perturbada “America”, com uma pegada de Till Lindemann, foi a quarta faixa do setlist.

Os fãs mais antigos entraram em frenesi quando “Abigail”, do primeiro e mais brutal álbum da banda, o ‘Creatures’, foi ouvida nas guitarras de Ryan Sitkowski e Ricky ‘Horror’ Olson, e no gutural de ‘Motionless’ com “Burn, Baby, Burn!”. A raivosa “If It’s Dead, We’ll Kill It” foi a seguinte, acompanhada por “Unstoppable”, que possui um riff principal puxado para o deathcore e vocal limpo que lembra a banda Five Finger Death Punch.

Já entrando na parte final do show, o Circo Voador foi destruído com a implacável “Devil’s Night”, durante a qual Josh Balz brilha nos sintetizadores e há muitas oportunidades para quebrar o pescoço. A adorada “Generation Lost”, que mantém o mesmo nível, e “Dead As Fuck” tocaram antes do cover “Du Hast”, da banda alemã Rammstein – momento em que o lugar todo, mesmo quem nem conheciam os americanos – cantou junto. Para fechar o curto setlist, nada menos, nada mais que ‘O’ hino: “Immaculate Misconception”, música de letra com uma brutalidade ímpar e estética provocante. ‘What The Fuck!?’

Após uma aula de presença de palco, o público teve que dar uma esfriada até a entrada do Bullet For My Valentine. ‘Moose’ na bateria, primeiro, seguido de Jamie Mathias, o novo baixista e depois por ‘Padge’ na guitarra… Até a entrada triunfal de Matt Tuck e o grito de “No Way Out!” – single do vindouro álbum, ‘Venom’, previsto para ter o lançamento no mês de Agosto – que deu início ao delírio do que seria um show extremamente emotivo para todos os presentes. A primeira do show de 2011, “Your Betrayal”, foi a seguinte. Com um feeling de abertura, um trabalho excelente de Moose e riff de introdução que lembra a Marcha Imperial, com certeza é uma das favoritas – fazendo até os fotógrafos alternarem os clicks com êxtase. Já certa como faixa bônus de ‘Venom’, “Raising Hell” foi a terceira do setlist.

A veloz e cheia de ódio “Scream Aim Fire”, title track do segundo álbum da banda, deixou a felicidade estampada no rosto do pessoal da grade. Felicidade essa que só aumentou ao começar de “4 Words To Choke Upon” com sua introdução clássica, lembrando os tempos de ‘The Poison’. Ouvir o Circo cantar em uníssono as quatro palavras: “Look at me now!” colocou um sorriso no rosto de Matt.  O riff bem melódico da introdução de “Alone”, e a épica “Suffocating Under Words Of Sorrow” deram um tom melancólico e agressivo ao mesmo tempo.

Uma pausa na velocidade para dar lugar à beleza: Matt Tuck trocou de equipamento e cantou, junto com o público inteiro, as primeiras estrofes de “The Last Fight” em uma tentativa acústica – muito bem sucedida – na qual houveram partes que ele se manteve calado e deixou os fãs liderarem. O restante da banda voltou ao palco e tocou a versão elétrica de “The Last Fight” para dar continuidade ao show, continuidade essa que se deu com uma novidade: pela segunda vez na história, a banda tocou “Army Of Noise”, música ainda não divulgada do próximo álbum, ao vivo – a première foi no dia anterior, em São Paulo. Mesmo sem saber a letra, o público se mostrou animado com o trabalho que vem por aí.

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‘Padge’ já rasgara os riffs em todas as musicas anteriores, porém o habilidoso guitarrista decidiu tomar uns minutos para si demonstrando isso de forma mais evidente – ao variar solos com uma maestria invejável. O clima ficou mais calmo com “Dirty Little Secrets”, a única do último álbum, ‘Temper Temper’, a ser tocada – álbum esse que é amplamente considerado como o mais fraco da discografia. A conclusão não poderia ter sido mais perfeita. Implacavelmente cruel, “Waking The Demon” foi a escolha de Matt ao perguntar se os fãs queriam algo brutal ou algo rápido – tiveram ambos. Após toda a empolgação, hora das lágrimas com “The End”, música de letra triste sobre perda, morte e amor. Vosso repórter e fotógrafo não se conteve ao chorar e cantar com toda a voz que lhe restava.

A banda se retirou do palco e o canto de estádio de futebol ecoou: “Olê, Olê, Olê, Bullet! Bullet!” – trazendo os britânicos de volta em poucos minutos para coroar uma noitememorável. O último single oficialmente lançado de ‘Venom’, “You Want A Battle? Here’s A War!”, com seu refrão carismático, já estava na ponta da língua e abriu o encore. Encore este que, mais que obviamente, teria que ser fechado com a mágica “Tears Don’t Fall”.

Cada palavra da letra, cada segundo de riff era uma cicatriz de amor no coração de cada fã presente – nos que já viram a banda ao vivo e nos que presenciavam este colossal nome do metalcore pela primeira vez. Embora alguns pudessem reclamar da falta de musicas como “Hit The Floor”, “All These Things” e “Hearts Burst Into Fire” no setlist, a apresentação do Bullet For My Valentine foi além de repreensões e não será esquecida jamais pelos cariocas. Que não demorem mais quatro anos para um novo retorno ao Brasil. Agradecimentos à assessoria do Circo Voador e Liberation pela produção e credenciamento de nossa equipe no evento.

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