Dr. Sin: intacto as dificuldades e modismos – Entrevista exclusiva com Ivan e Andria Busic

Dr Sin - divulgação - por marco bavini

Entrevista por Rodrigo Gonçalves e Arony Martins – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz
Agradecimentos à Eliane Veronezzi

Com mais de duas décadas de existência e uma vasta experiência on stage ao lado de grandes nomes da música mundial, o trio que debutou nos palcos em pleno festival Hollywood Rock no ano de 1993 permanece mais ativo do que nunca. Lançado em 2015, o nono full lenght inédito de Eduardo Ardanuy e dos irmãos Ivan e Andria Busic, intitulado ‘Intactus’, foi gravado no Estúdio 154 e traz uma banda literalmente ‘intacta as pressões, dificuldades e modismos’, como relata Ivan neste bate papo exclusivo que aborda detalhes sobre o novo álbum e toda trajetória do power trio.

Equipe Metal Revolution – Primeiramente, obrigado por atender a equipe Metal Revolution. O Dr. Sin lançou neste ano o CD ‘Intactus’, que tem sido bastante elogiado pelos fãs e imprensa especializada. Como foi o processo de gravação do novo trabalho?
Ivan Busic –
Muitas coisas nasceram dentro do estúdio e outras vieram prontas na mente de cada um. Passamos alguns meses analisando e pré-produzindo. No final quando vimos tínhamos material para o CD. E ficamos maravilhados com o resultado.

Equipe MR – O ‘Intactus’ foi produzido pelo próprio grupo. Em termos de trabalho, o que os levou a optar por este caminho e qual a importância de gravar o disco nesta atmosfera própria? Conte-nos um pouco como é o trabalho que vocês desenvolvem no estúdio, se já chegaram a produzir álbuns de outras bandas ou até mesmo de estilos musicais diferentes.
Ivan –
Foi gravado no estúdio 154, pois havíamos saído do Sonata (84, estúdio da banda). Hoje nosso estúdio esta em casa, mas também estamos trabalhando terceirizando estúdios. Quem vem produzindo os últimos cd´s é o próprio Andria Busic e tem sido incrível, pois ele tem o melhor ouvido que conheço e sabe muito de produção. Tem sido algo natural.

dr sin - intactus

Equipe MR – O Dr. Sin é uma das bandas de hard rock/metal brasileiras com mais tempo de estrada. É justo dizer que o nome do disco reflete a carreira da banda e a atitude de vocês com relação a própria música?
Andria Busic –
Perfeito. A Ideia é essa mesmo. E somos a única banda que mantem até hoje a formação original no line up. Tudo isso nos fez pensar. Estamos Intactos às pressões, dificuldades, modismos e isso nos faz sentir bem. Daí o nome do CD.

Equipe MR – Entre 2000 e 2001 foi o único momento da carreira do Dr. Sin em que a banda deixou de ser um trio, ao contar com o vocalista Michael Vescera. Recentemente em entrevista ao Portal Metal Revolution, ele comentou sobre o quanto gosta do Dr. Sin e relembrou os tempos com o grupo. Como surgiu a ideia de contar com Vescera na banda? Vocês ainda mantém contato mesmo com a rotina de shows?
Ivan –
Sim. Creio que nunca perdemos um membro. Apenas ganhamos um extra no ano 2000. Foi incrível o lance com o Vescera, mesmo antes de toda essa ideia dele ser da banda. Toda a amizade que nasceu, depois a produção do cd ‘Insinity’ até a entrada na banda. Foi um CD revolucionário por vários motivos, incluindo a venda em bancas que foi fenomenal. Não teve a atenção merecida na mídia do metal na época, mas até hoje é um dos nossos pontos fortes na carreira e cada dia mais traz adeptos. Mantemos contato o tempo todo e ainda faremos coisas juntos. Provavelmente não como Doctor, mas sim como algum projeto.

Equipe MR – A banda possui em sua carreira shows ao lado de grandes nomes da música mundial e participações em festivais como Monsters Of Rock, Hollywood Rock e Rock In Rio, todavia nunca deixaram de se apresentar em pequenas casas. Isso de alguma forma os torna mais próximos dos fãs? Há uma performance a qual vocês possam destacar em especial?
Ivan –
Para nós todos os palcos são importantes. Sem demagogia. Algumas de nossas melhores apresentações foram em palcos pequenos e locais pequenos. Num fim de semana a gente as vezes sai de uma casa para duas mil pessoas e no dia seguinte tocamos em um local para quatrocentas. Tudo é lindo contanto que a energia esteja presente. Vou citar um show memorável. Nossa apresentação no Olimpia como banda principal em 1994. Noite furiosa com Raimundos e Angra. Mas na realidade todo show é especial. Pode ser na pior espelunca do mundo ou no Rock in Rio.

Dr Sin - Andria Busic - divulgação - por marco bavini

Equipe MR – Vocês já disseram que pretendem gravar um novo DVD até o fim do ano. Já existe alguma ideia com relação ao local ou set list? Será algo na linha do ‘Dr. Sin 10 anos ao vivo’?
Andria –
Queremos fazer algo englobando muito mais a atmosfera do que o Dr.Sin é normalmente. O lance das pessoas sentadas talvez não queiramos mais. Com certeza teremos problemas para escolher o repertório. Talvez os fãs possam ajudar RS

Equipe MR – O Dr. Sin é uma das bandas que mais interagem com os fãs em redes sociais, publicando fotos, respondendo perguntas e até mesmo comentando sobre shows. Para vocês, o quão importante é essa interação com os fãs tanto nas mídias sociais?
Andria –
Acho que esse é o lado bom da era digital. Os fãs são tudo para nós. Nosso combustível e termômetro.

Equipe MR – Após 23 anos de carreira, tantos álbuns gravados, uma formação mais do que sólida enquanto banda, vocês conseguem identificar diferenças no processo criativo atual em comparação aos primeiros anos do grupo?
Ivan –
Acho que ainda temos os mesmos objetivos e também a mesma maneira de pensar e sentir. O que muda é apenas a adaptação para a era moderna de gravações.

Equipe MR – Como avaliam o atual cenário do Hard / Heavy nacional?
Ivan –
Existem grandes bandas pelo Brasil e pelo mundo, o Hard Rock e o Rock em geral estão voltando com força total. Não há porque haver preconceitos entre os próprios estilos, por que não amar o Grunge e o Metal por exemplo? No final são a mesma coisa; Rock n Roll.

Dr Sin - Ivan Busic - divulgação - por marco bavini

Equipe MR – Como foi gravar a música “The King” para o álbum Animal, uma homenagem a Ronnie James Dio? Qual era a relação que vocês mantinham com Dio e todo seu histórico legado?
Andria –
Sempre foi um de nossos maiores Heróis. Estávamos todos em Fortaleza dentro de uma piscina relaxando para um show que faríamos a noite e pedimos para nosso amigo Thales colocar um cd do Dio. Inacreditavelmente depois de muita cantoria na piscina alguém parou o cd e disse: ‘Caras, O Dio Morreu hoje’. Aquilo foi um choque, acabou a festa. Fizemos uma música para homenageá-lo com as características harmônicas que ele costumava compor e letra baseada em letras dele e também fatos que lembravam o mestre. Até o solo o Edu fez na técnica do Vivian Campbel. O conhecemos no camarim de um festival quando algo surreal aconteceu. O próprio Dio entrou no nosso camarim para nos cumprimentar. Sentou por uns minutos e tomamos algo juntos. Um susto e a maior honra para nós.

Equipe MR – É possível afirmar que o trabalho realizado com Wander Taffo, guitarrista falecido em 2008, foi o ‘embrião’ do Dr. Sin? Qual a importância deste trabalho na formação dos integrantes como profissionais da música?
Ivan –
Não creio que tenha sido o ‘embrião’, mas talvez uma das estradas até chegarmos no que seria o Dr.Sin. Trabalhar com o Wander foi sair do Underground e entrar no Mainstream da música. Foi uma era mágica e que ecoa ate hoje. Um mestre , ídolo e um irmão.

Equipe MR – Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês para deixar uma mensagem aos leitores do Metal Revolution.
Andria –
Continuem revolucionando através do Rock. Só isso.

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