Judas Priest, Accept e Robertinho de Recife – 23-04-2015 – Rio de Janeiro (Vivo Rio)

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Texto por Rodigo Gonçalves – Fotos por Allan Barata – Edição por André Luiz

Um dos headliners do festival Monsters of Rock a ser realizado em São Paulo, o Judas Priest iniciou sua turnê brasileira com um show espetacular na cidade maravilhosa que contou ainda com o Accept como convidado especial.

A abertura da noite ficou por conta do guitarrista Robertinho de Recife. Afastado há anos dos palcos, o veterano voltou à ativa e reativou o seu projeto Metal Mania, tendo inclusive já lançado um álbum de estúdio. Infelizmente a apresentação pareceu um tanto quanto deslocada, por conta do som absurdamente alto, que fazia difícil distinguir qualquer instrumento, além de uma falta de interesse geral, que só foi contornada quando Robertinho tocou riffs e solos de alguns clássicos do metal como “Iron Man” do Black Sabbath, “Crazy Train” de Ozzy Osbourne, “The Trooper” do Iron Maiden e Highway Star do Deep Purple.

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Prosseguindo com a noite, o Accept subiu ao palco para desfilar mais de 40 anos de sucessos diante do público carioca. Foi a estreia da lenda alemã no Rio de Janeiro e, sem medo de errar, a espera tanto do público como da banda valeu a pena. A realidade com certeza superou a expectativa. O grupo alemão atualmente está em turnê divulgando o disco Blind Rage, lançado no fim do ano passado. O álbum é o terceiro gravado pelo novo cantor Mark Tornillo. Além dele, completam o time o guitarrista Wolf Hoffmann, o baixista Peter Batles e os novatos Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria).

Com cerca de apenas uma hora para repassar uma carreira de quase 40 anos, o Accept foi extremamente inteligente na escolha do setlist e deu aos fãs uma excelente mistura entre temas novos como “Stampede”, “Stalingrad”, “Final Journey” e “Teutonic Terror” com os clássicos dos períodos de maior sucesso. A jogada certeira conquistou e cativou os fãs cariocas, que desde o início avassalador do show agitaram e cantaram todas as músicas, fossem elas clássicos como “Restless And Wild” e “Metal Heart” ou da fase mais recente, porém não menos marcantes, como “Teutonic Terror”. A parte final do show contou com clássicos como “Fast as a Shark” e “Balls To The Wall”, que teve a clássica coreografia do guitarrista Wolf Hoffman e o baixista Peter Batles.

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Sempre ouvi que o Accept é uma banda cujo o seu ponto forte são as apresentações ao vivo, o que pude comprovar na noite desta quinta-feira. Fato também evidenciado pela força devastadora do show propiciado pelos alemães, que com apenas 60 minutos disponíveis, deram ao público carioca uma grande apresentação, direta, sem firulas e que saciou a longa espera dos cariocas por um show do Accept na cidade.

Setlist Accept
Stampede
Stalingrad
Restless and Wild
Losers and Winners
Final Journey
Princess of the Dawn
Pandemic
Fast as a Shark
Metal Heart
Teutonic Terror
Balls to the Wall

Após o show do Accept, os roadies trabalharam rápido e, pontualmente às 23h, às luzes se apagaram e era possível ver os músicos do Judas Priest nas laterais do palco prontos para iniciar o show. Após uma breve introdução com parte de “Battle Cry”, um a um Scott Travis, Glenn Tipton, Ian Hill e Richie Faulkner entraram no palco detonando “Dragonaut”, um dos singles do disco novo, Redeemer of Souls. Em seguida foi a vez dos clássicos “Metal Gods” e “Devil’s Child”, que havia sido resgatada na última turnê mundial e foi mantida no setlist.

E chegou o momento daquela que talvez seja a música que melhor represente a carreira do Judas Priest, “Victim of Changes”. Gravada para o seminal Sad Wings of Destiny de 1976, ela é uma grande canção, que mostra vários dos elementos que fizeram o grupo ser reconhecido como uma das grandes forças do metal com o vocal operístico de Rob Halford e o exímio trabalho de guitarras.

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Aliás, sobre o trabalho de guitarras, vale escrever umas palavras sobre Richie Faulkner. Passados quatro anos de sua entrada na banda, o jovem guitarrista parece estar bem confortável na sua posição de substituto de K.K Downing, iniciando músicas, compondo riffs e solando com autoridade, como foi o caso em “Victim of Changes”.

Prosseguindo com o show, o grupo ainda apresentou alguns temas do novo trabalho, como “Halls of Valhalla” (ao lado de “Battle Cry”, o grande destaque do último disco) e também “March of The Damned”, antes de descambar de vez para velharias. Infelizmente, essas músicas foram recebidas com certo desdém pelo público, que diminuiu a intensidade da participação. Ficou claro que muitos não conheciam o novo disco e estavam ali mais pelos clássicos.

Antes da faixa-título do último álbum, Halford falou pela primeira vez com o público, comentou dizendo que estava com saudade e o grupo tentava um retorno ao país há algum tempo, o que finalmente deu certo. Falou ainda sobre a longevidade do grupo e que isso não teria sido possível sem o apoio dos fãs e anunciou “Redeemer of Souls”.

Felizmente a porção dedicada aos clássicos fez a alegria do bom público que compareceu à casa de shows ao lado do aeroporto Santos Dummont. Temas como “Turbo Lover”, “Jawbreaker” e o clássico “Breaking The Law” fizeram os presentes cantarem a plenos pulmões. Além disso ainda tiveram espaço para a surpreendente “Love Bites” e o clássico atemporal “The Hellion” e “Eletric Eye”, duas músicas distintas mas que são impossíveis de serem dissociadas uma da outra.

Eu costumo ter dificuldades para expressar o quão importante a música é em minha vida. Mas se tivesse uma que pudesse falar tudo o que sinto sem precisar de palavras, essa música seria “Beyond The Realms of Death”. Em um mundo onde as pessoas não têm qualquer tipo de consideração pela diversão das outras e passam boa parte dos shows filmando com seus telefones celulares, só me restou fechar os olhos e ouvir cada nota do solo antológico de Glenn Tipton, o baixo melancólico de Ian Hill, as batidas fortes e marcantes de Scott Travis, a interpretação espetacular do vocalista Rob Halford e me emocionar com a música.

Fechando a primeira parte do show, tivemos “Hell Bent For Leather” (na qual Halford entrou no palco acelerando uma potente Harley-Davison) e “You’ve Got Another Thing Coming.” Vale ressaltar que a moto permaneceu no palco até o fim da apresentação.

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Um breve descanso e Scott Travis perguntou pro público se ainda tinham força pra mais uma música. O público logo assentiu, só que Scott não disse é que a música em questão era “Painkiller”. Após “Painkiller”, o quinteto chegou a sair do palco e iam embora, mas Glenn Tipton não queria que a festa acabasse, o público também não e berrou o nome da banda a plenos pulmões, ajudando o guitarrista a convencer seus companheiros a tocar mais uma música.

E conseguiu. “Living After Midnight” encerrou o show em grande nota e, como bem observado pelo companheiro de jornada, Allan Barata, de forma poética quando o relógio já marcava quase uma hora da manhã.

Em sua sexta passagem pelo Rio de Janeiro, o Judas Priest fez mais uma apresentação espetacular. Tão espetacular que mesmo com alguns problemas de saúde que me atormentam há anos, me peguei pulando e cantando durante as quase duas horas de show. Nada mal para uma banda que há apenas cinco anos fazia planos de aposentadoria, perdeu um membro da formação original, conseguiu substituí-lo, gravou um excelente álbum e continua a encantar milhares de fãs mundo afora. Agradecimentos especiais à Midiorama pelo credenciamento de nossa equipe na cobertura deste evento.

Setlist Judas Priest
Dragonaut
Metal Gods
Devil’s Child
Victim of Changes
Halls of Valhalla
Love Bites
March of the Damned
Turbo Lover
Redeemer of Souls
Beyond the Realms of Death
Jawbreaker
Breaking the Law
Hell Bent for Leather
The Hellion
Electric Eye
You’ve Got Another Thing Comin’
Painkiller
Living After Midnight

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