Blind Guardian – Beyond The Red Mirror

Blind Guardian - Beyond-the-Red-Mirror

Blind Guardian Beyond The Red Mirror
CD – Nuclear Blast (2015)

Texto por Leko Soares – o conteúdo expresso reflete a opinião do autor, é de inteira responsabilidade deste
Edição por André Luiz

Confesso que como músico e fã de longa data, é inevitável que se reverbere durante essa análise um impulso de defesa à necessidade e direito de liberdade criativa das bandas que ainda buscam se libertar dos clichês e correntes impostas pela “grande mente” que representa o senso comum do público de Metal atualmente. Posto isso, procurei analisar nessas linhas não apenas a música, mas também o contexto em que o novo álbum do Blind Guardian foi lançado no mercado nesse início de 2015.

“Beyond the Red Mirror” chega à luz do dia após um hiato de 5 anos com a ingrata tarefa de saciar talvez a maior base de fãs de Power Metal da atualidade. E é exatamente aí que reside o grande perigo na jornada sombria da auto renovação em que os alemães se aventuraram nesse século e que, acertadamente, persistem até o momento atual.

É público e notório o conservadorismo lamacento que permeia a cena Metal em sua grande maioria, demonstrada à cada novo lançamento de seus heróis do passado, quando o que se clama ao invés da renovação é sempre a espera por um novo “Angels Cry”, um novo “The Number of the Beast”, um novo “Keeper autêntico”, ou no caso específico dos alemães em pauta, um novo “Imaginations from the Other Side”. Chega a ser mesquinho o fetiche com o qual grande parte desse público tem tratado suas bandas favoritas e nesse caso, é de se admirar a ferocidade com que a velha guarda de fãs do Blind Guardian tem recebido os últimos lançamentos, desde o Magnífico (sim, com M maiúsculo) “A Night at the Opera”, de 2002. Muitas bandas já teriam se rendido ao torcer de nariz da massa e lançado pelo menos um álbum com o formato requentado que adoram, como se fosse mais um Big Mac pronto para saciar a percepção rasa de um público que se nega a evoluir ou respeitar a evolução de suas bandas favoritas. Mas não esses caras!

É sempre um alívio quando os “Nerds” alemães retornam após tantos anos oferecendo a todos um passo além em sua carreira já tão bem sucedida e repleta de clássicos. E quando digo “passo além”, não me refiro à produção de material melhor ou pior do que o que foi feito no passado, mas à ousadia de seguir em frente, de continuarem irrequietos em busca de novas fórmulas para o que eles próprios criaram tão bem no passado. E é exatamente disso que se trata “Beyond the Red Mirror”, um álbum que mesmo utilizando de artifícios já usados à exaustão por outras bandas (e por eles próprios, diga-se de passagem), como o uso de orquestra(s) no decorrer de todo o álbum, ainda assim, consegue entregar um trabalho autêntico que aponta para uma banda renovada e inteligente em sua maneira de solucionar harmonias e estruturas das canções. “The Ninth Wave”, por exemplo, é um grito de não rendição ao passado e soa como um manifesto atual de que ainda há muito a se desbravar no ambiente virtual criado pelos bardos alemães.

Outros exemplos de criatividade explícita estão espalhados durante os mais de sessenta minutos do play: “At the Edge of Time” traz um Blind Guardian bebendo na fonte prog dos andamentos intrincados assim como “Sacred Mind” e a mais grandiosa de todas, “Grand Parade”, que aliás, acerta em cheio ao reunir a leveza sutil de um Waltz e a grandiosidade pomposa da orquestra que guia a banda ao longo dos nove minutos e trinta de uma das mais inspiradas canções dos bardos nesse século.

Como elos de um passado não tão longínquo, “Beyond the Red Mirror” apresenta “Twilight of the Gods”, “Ashes of Eternity” e “The Holy Grail” que mais parece saída de uma das sessões de “Somewhere far Beyond”, porém, com a roupagem renovada do Blind Guardian atual.

Referir à cada uma das músicas do álbum seria me ater erroneamente ao exercício inútil de análise da obra de uma banda que tem exatamente como ponto forte a multiplicidade quase tridimensional de suas criações, o que permite a cada ouvinte uma percepção particular sobre cada uma de suas canções. É óbvio que tamanha gama e complexidade de detalhes propostos nesse tipo de música sempre estará sujeita ao ônus de que, como disse uma vez o mestre Frank Zappa: ““A maioria das pessoas não reconheceria boa música nem que ela viesse mordê-las na bunda”!

Confira teaser do álbum:

(Visited 90 times, 3 visits today)

Comments

  1. Excelente album, realmente não entendo as criticas que vem recebendo dos fãs. As melodias e as estruturas das músicas estão fantásticas tendo, inegavelmente, o selo de qualidade do Blind Guardian.