Deep Purple – 11-11-2014 – São Paulo (Espaço das Américas)

Deep Purple - SP 11-2014 - Créditos15735018811_854a3b1e77_b

Texto por Clayton Franco – Fotos por MRossi/Mercury Concerts – Edição por André Luiz

Novamente o Purple passa pelo Brasil!!! Já virou tradição a banda excursionar por aqui sempre que um novo álbum do grupo está nas ruas, e o que temos para falar sobre o Purple para apresentar a banda? Sua própria história de mais de 40 anos de carreira, os clássicos atemporais que criaram e a fileira de músicos grandiosos e reconhecidos que já participaram do grupo falam por si só. Deep Purple, assim como o Led e o Sabbath é considerado um dos tripés que formaram a base de toda música pesada que gostamos, do hard rock ao heavy metal, passando por todas as suas variações de estilos, sempre vemos uma pegada inspirada em uma destas três bandas citadas… E, com todo este legado histórico, mais uma vez tive o prazer de acompanhar um show do grupo, desta vez no Espaço das Américas em São Paulo.

Pontualmente as 22h inicia-se nos alto-falantes da casa a introdução de “Mars, the Bringer of War”, música escolhida pelo grupo para abrir todos os shows desta tour. A medida que o volume da introdução vai subindo os membros do grupo vão entrando no palco e ocupando suas posições… No ápice da introdução, inicia-se o show propriamente dito com “Highway Star”. Começar a noite com uma de suas músicas mais célebres é como jogar em casa com a torcida na palma da mão, tanto que todos os presentes aplaudiam e cantavam juntos. Sem dar tempo para o povo respirar, emendam com “Into The Fire” e “Hard Lovin’ Man”. A escolha de duas músicas das antigas (faixas do álbum In Rock de 1970) já mostrava o caminho que a noite seguiria: clássicos mesclados com uma ou outra faixa dos últimos álbuns. Vale citar a interação entre Airey nos teclados e Morse nas guitarras durante a última música, com solos emendados e se sobrepondo mostrando o quanto ambos estavam em sintonia durante a canção. Teve até uma brincadeira do Gillan com um minúsculo gongo no momento em que ele toca na música.

O grupo prosseguiu com “Strange Kind of Woman” na qual vemos novamente a interação musical de Morse, só que desta vez com Gillan em uma espécie de duelo musical! Finalmente, após a quarta canção da noite, o frontman se dirige ao público brincando que toda a parte de improvisos ao estilo do Jazz tinha acabado e que agora o show começaria com algo mais pesado. Temos então a execução de “Vincent Price”, canção do último trabalho de estúdio da banda (Now What?!, lançado em 2013) com destaque para os acordes graves de Airey e seu teclado. Continuando nesta fase mais nova da banda, temos Steve Morse tocando a instrumental “Contact Lost”. Aliás, cabe um parêntese para se falar de Morse na banda… O Purple já teve grandiosos guitarristas, sendo um grande peso nas costas substituir um nome do porte de um Blackmore. Morse estando na banda há 10 anos, se sente plenamente entrosado com o grupo e não são poucas as vezes em que ele toma o centro do palco para mostrar seus solos e improvisações. Mesmo a tanto tempo no grupo é gratificante ver o quanto ele revigorou os antigos membros, a ponto de parecer a “cola” que os mantem unidos e entrosados no palco. Mais do que o peso de estar no lugar de Blackmore, hoje Morse é a alma do purple ao vivo, mantendo o show vigoroso e forte.

E o show prosseguia com canções mais novas como “The Well-Dressed Man” emendada com mais uma do último disco: “Uncommon Man”. Já era a hora de voltarmos ao passado do grupo, e diretamente do disco Fireball (1971) chega a vez de “The Mule” que incluía no meio da canção o solo do baterista. Neste momento todas as luzes do palco são direcionadas as baquetas de Ian Paice que a cada batida mudava as cores entre vermelho, verde, azul e tons de laranja. Ainda se mantendo nas fases antigas temos a execução de “Lazy”, na qual novamente temos uma grande improvisação entre os membros do grupo. Visitando pela última vez da noite o recente álbum, temos “Hell to Pay” (considerando que esta música é mais um lado B, ela até que cai bem ao vivo, animando e empolgando a todos).

As luzes novamente se apagam e imagens de vitrais de igrejas aparecem nos telões do fundo (vale destacar o ótimo jogo de luzes e sombras formadas pelo telão, recortado em cinco partes com panos de fundo branco) e com o palco nesta escuridão iluminado pelos vitrais de ambientação temos um belíssimo solo de don Airey nos diversos teclados e órgãos espalhados a sua volta. Com a inclusão de muitos efeitos de sintetizadores e partes de canções famosas brasileiras, Airey mostrou que esta a altura do falecido Jon Lord a frente do Purple. Senti falta apenas da introdução de Mr. Crowley do disco solo do Ozzy, em várias outras tours ele a incluía. Mudanças sempre são bem vindas nos solos para que os mesmos não se tornem repetitivos tour após tour, mas uma introdução tão marcante com certeza deveria ser eternizada em seus solos e nunca sair do set list. E ao término, temos os primeiros acordes de “Perfect Strangers” que levam o público a loucura. O show que foi no estilo teatro (com cadeiras enumeradas) foi por água abaixo neste momento, com todo o público cantando em pé a plenos pulmões, se dirigindo para frente do palco e acumulando-se nos corredores laterais e centrais. Com esta canção foi dada a largada da reta final do show regada a clássicos das antigas, pois logo em seguida temos Space Truckin’” e “Smoke on the Water”. Não há como não encerrar o show com esta música, por mais que ela seja batida, reconhecida por qualquer um (mesmo aqueles que não gostam de rock), é inegável o clamor do público em sua execução e o quanto ela resume todo o felling ao vivo do Purple, uma canção que podemos considerar como atemporal e perfeita. Uma vez um colega meu professor de guitarra disse que qualquer pessoa com apenas uma aula de guitarra poderia tocar sua introdução de tão fácil que é, mas somente um gênio poderia compor algo tão simples porém marcante. Realmente, ele tinha razão! E desta forma se encerrou a primeira parte do show.

O bis começa com o cover de “Hush” famoso nas mãos do Purple (muitos inclusive acham que a música é da banda) com seu característico refrão. O clima deste clássico contagia a todos presentes que a cantam junto com Gillan, o qual divide o microfone com Morse no refrão. Um detalhe acerca desta canção que vale citar é que esta é a única música que não é da fase Gillan que ele aceita cantar nos shows (faz parte do primeiro álbum do grupo, com Rod Evans no vocal).

Temos o rápido solo de Roger Glover no baixo, que em alguns momentos é acompanhado por Paice na bateria. Embora sem grandes momentos de improvisação e virtuosismos, ele serve para demonstrar como a cozinha base do Purple se mantem ao longo de todas as décadas de trabalho. O show se encerra com “Black Night” cantada em coro pelos presentes. Durante sua execução temos novamente a marca registrada dos shows ao vivo do Purple: improvisos e mais improvisos entre os integrantes, demonstrando o motivo de cada show ser único, podemos ver todos os shows de uma mesma tour, e eles sempre serão diferentes. E exatamente por essas diferenças que já aguardo ansioso pela próxima vez que voltarem ao nosso país, uma aula musical como esta é sempre reconfortante de se presenciar por ser um oásis raro em meio ao que predomina entre as músicas atuais. Meus agradecimentos a Denise Catto da Midiorama pelo credenciamento de nosso Portal e um abraço a todos que me acompanharam nesta resenha.

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