Toxic Holocaust – 04-10-2014 – Curitiba (Music Hall)

Toxic Holocaust - Curitiba out2014 - por Clovis Roman e Kenia Cordeiro TH5 Texto por Clovis Roman – Fotos por Clovis Roman e Kenia Cordeiro – Edição por André Luiz

Há pouco mais de dez anos, o Toxic Holocaust lançou seu primeiro álbum, chamado Evil Never Dies. Desde então, foram mais quatro registros de estúdio, sendo o mais recente, Chemistry of Consciousness, que saiu ano passado. Com isto, eles se tornaram uma referência na nova safra do Thrash Metal, com um som até mesmo tosco, feito na medida para a galera se quebrar nos shows. Mais uma vez no Brasil, os caras fizeram diversos shows no país, e incluíram, pela primeira vez, Curitiba em sua rota. Para a abertura, três bons nomes, um de cada estado, mostrando que temos bandas boas o suficiente para se igualar a nomes como o próprio Toxic Holocaust.

A primeira banda foi o Antichrist Hooligans, que marcou sua apresentação ao anunciar a nova música “Rain Of Bullets”, com a frase proferida por seu vocalista, o simpático Cataströfe Nuclear (que atendia pela alcunha de Carnifex Flagellum Cristus no glorioso Osculum Obscenum): “Chuva de bala aos cristãos hipócritas”. Aí já dá pra sacar a temática lírica da banda. Em outros momentos, ofensas diretas ao cristianismo foram feitas. Extasiada pelas blasfêmias, a galera curtiu bastante o massacre dos catarinenses, que contou ainda a ótima “We Will Piss On Your Grave”. Só pelo nome absolutamente genial da banda já valeria a pena ir vê-los ao vivo. Mas o som também é classe A: porrada violenta anti cristã.

Na sequência vieram os paulistas do Blasthrash, que apesar de terem agradado com seu som, receberam uma reação um tanto tímida da galera. Na real, o show, mesmo que tenha rolado num clima descontraído, foi um tanto morno, e um termômetro disso foi o fumódromo. O local estava apinhado de gente durante o show dos caras, algo que não aconteceu antes nem depois. Mas que fique claro que a banda cumpriu seu papel de maneira honrada, e uma apresentação que tem uma música chamada “Possessed By Beer” não pode ser ruim.

Apesar da maldade total do Antichrist Hooligans e dos gringos do Toxic Holocaust, a banda da noite, foi, sem sombra de dúvidas, a Poison Beer. A garotada, que celebrou recentemente dois anos de banda, precisou de poucos segundos para incendiar a rapaziada localizada na frente do palco. Foi insano. A galera, logo nos primeiros acordes, começou a subir no palco e se quebrar de maneira gloriosa (nem me importei com eventuais chutes na cara enquanto fotografava). O set dos caras foi um tanto quanto curto, apenas sete músicas: abriram com “Hellucinations”, mandaram novidades como “Overdose Of Hate” e “Bestial Conjuration” (que você assiste abaixo), além das já consagradas “Grand Theft Beer” e “Poisoning The Priest”, que fechou a paçoca. Presença de palco exemplar, quinhentas pessoas no palco a cada música e letras sobre coisas sublimes como bebedeiras, vômitos e afins. Não poderia ter sido melhor.

Por fim, a atração principal subiu ao palco, o Toxic Holocaust. Eles pegaram a galera ainda louca por conta da destruição da banda anterior, e mantiveram o nível. Era mosh e rodinha o tempo todo, num setlist de pouco menos de uma hora, que contemplou 16 petardos vindos de quatro de seus cinco álbuns de estúdio. A banda deixou um pouco de lado seu mais recente trabalho, Chemistry of Consciousness (dele, tivemos apenas duas: “Mkultra” e a ótima “Awaken The Silence”), e mandou nada menos que seis sons de An Overdose Of Death… (2008), seu melhor disco, produzido por Jack Endino (que já trabalhou com Soundgarden, Bruce Dickinson, Nebula e Titãs).

A banda, que na verdade trata-se de Joel Grind (vocal e guitarra) mais dois músicos, não quis saber de muita enrolação. As músicas vieram numa sequência avassaladora, com Joel apenas falando o nome de cada uma delas, as vezes junto ao termo “another piece of shit”. Os destaques da primeira parte do show ficaram com a esporrenta “666”, a cadenciadamente satânica “I Am Disease” e o hit dos caras, “Nuke The Cross”, que marcou a saída deles do palco. Ao retornarem para o “bis”, o trio mandou “Metal Attack” e “Bitch”, arrancando as últimas energias da galera.

O evento como um todo merece ser saudado, pois o som estava bom, a casa é espaçosa e tivemos apenas bandas de alto gabarito. O público de Thrash em Curitiba está se renovando de maneira visível, e essa nova safra de bangers é simplesmente insana. Se as coisas continuarem assim, o metal e os bares da cidade estarão em boas mãos.

Vídeos:

Antichrist Hooligans – We Will Piss On Your Grave

Poison Beer – Bestial Conjuration

Poison Beer e a galera no mosh

Toxic Holocaust – 666

(Visited 99 times, 1 visits today)