Texto por Clovis Roman – Fotos por Clovis Roman e André Smirnoff – Edição por André Luiz
O rosto de cada presente neste espetáculo após seu encerramento era um misto de espanto e satisfação. Afinal, o Dream Theater nos presenteou com uma apresentação sólida, onde cada membro esbanjou sua técnica absurda em meio a sons repletos de feeling, mesclando passagens pesadíssimas com outras de musicalidade sublime. Falar que um show deste é apenas fritação é coisa de imbecil, no mínimo.
Quiçá pelo Meet & Greet ocorrido dentro da casa, a abertura da mesma tenha atrasado tanto. A fila estava gigantesca, e apenas após as 21h começou a andar. Antes, a galera teve que aguentar bastante frio, bebidas caras e até mesmo uma garoa chata até que os portões fossem destrancados. Depois, tudo foi uma tranquilidade só. O show começou alguns minutos antes das 23h, e antes, o público deparou-se com um “pano preto” no qual foram projetadas imagens de constelações, causando um efeito “muito louco”.
A introdução “False Awakening Suite” (na qual o telão exibia um vídeo que fazia referência à todas as capas dos discos da banda) antecedeu “The Enemy Inside”, um dos singles de Dream Theater do mais recente álbum dos caras. Cantada em uníssono, ela já entrou no hall de hits do grupo. A primeira parte do espetáculo contou basicamente com músicas dos dois últimos álbuns (o supracitado e A Dramatic Turn Of Events, ambos já gravados com Mike Mangini no comando das baquetas), tendo espaço apenas para uma composição antiga: “Trail Of Tears”, um colosso (tanto em duração quanto em qualidade) vindo direto do álbum Falling Into Infinity (97). Outro momento marcante foi “The Shattered Fortress”, do último registro do batera Mike Portnoy com a banda, Black Clouds & Silver Linings.

As vezes nossa atenção era capturada pelos inúmeros detalhes do palco, criado com um esmero raramente visto em shows de médio porte: havia telão, decoração no fundo simulando uma parede de tijolos e até mesmo nas caixas da guitarra de Petrucci. Coisa fina, que complementa o show e faz valer a pena cada centavo pago no ingresso.
O segundo ato foi o inverso do primeiro: teve apenas músicas antigas, exceto uma, vinda do último disco. As composições da década de 90 apresentadas eram todas do magnânimo Awake (94), curiosamente todas a partir da faixa número sete deste trabalho. Portanto, na ordem do play, tivemos a dobradinha “The Mirror” e “Lie”, seguida pela emocionante “Lifting Shadow Off A Dream”, que foi um dos momentos mais sublimes da apresentação. As titânicas “Scarred” e “Space-Dye Vest” (nunca tocada ao vivo até a atual turnê) encerraram esta autêntica viagem no tempo. Como a banda não tem preguiça alguma de tocar, antes do intervalo o quinteto mandou “Illumination Theory”, uma de suas obras mais compridas: cerca de 22 minutos de duração. A galera precisava de uma pausa, e ela, que durou 15 minutos, foi preenchida por uma série de imagens divertidíssimas mostradas no telão.
Para o encore, o Dream Theater separou algumas de suas obras mais bonitas, todas vindas do clássico Metropolis Pt 2: Scenes From A Memory, lançado há 15 anos. A segunda parte do primeiro ato, composta por “Overture 1928” e “Strange Deja Vu” veio primeiro, seguidas por “The Dance Of Eternity” e pela derradeira (do álbum em questão e do show também) “Finally Free”. Fica realmente difícil explanar sobre um evento de tal magnitude; foi um show de rara beleza musical, felizmente, prestigiado por um volumoso público.
Abaixo, setlist e dois vídeos do show:
False Awakening Suite [intro]
The Enemy Inside
The Shattered Fortress
On the Backs of Angels
The Looking Glass
Trial of Tears
Enigma Machine
Along for the Ride
Breaking All Illusions
The Mirror
Lie
Lifting Shadows Off a Dream
Scarred
Space-Dye Vest
Illumination Theory
Overture 1928
Strange Déjà Vu
The Dance of Eternity
Finally Free
Vídeos
The Looking Glass
Lifting Shadow Off A Dream




