Uriah Heep – 17 e 25-05-2014 – São Paulo (Virada Cultural) e Curitiba (Music Hall)

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Uriah Heep VII - Curitiba 2014 - por Clovis Roman

São Paulo (Virada Cultural) – 17/05/2014
Curitiba (Music Hall) – 25/05/2014

Texto por Clovis Roman – Fotos por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Em sua quarta passagem pelo Brasil, o Uriah Heep fez sua maior turnê pelo país. Foram 8 datas, curiosamente começando e terminando com apresentações em São Paulo. A primeira delas foi no evento anual Virada Cultural, no palco localizado na tradicional Avenida São João. A despeito da total falta de segurança do evento, o público se aglomerou em peso próximo ao palco do Rock para ver uma das grandes bandas antigas ainda na ativa (e fazendo material relevante). Com um atraso de meia-hora, o quinteto inicia seu set com “Against The Odds”, uma grata surpresa do disco Sea Of Light. Mantendo o ritmo acelerado, na sequência veio “Overload”, representante solitária do excelente Wake The Sleeper, álbum que marcou a estreia do baterista Russell Gilbrook, que fez aniversário no dia deste show, e teve direito a bolo e congratulações da platéia. O músico, mais jovem que a linha de frente do Uriah, trouxe uma energia extra e peso à sonoridade, mesmo que ele exagere em colocar pedal duplo em certas passagens.

O som do palco São João estava baixo, e no começo, era difícil ouvir o vocal de Bernie Shaw (o backing de Phil Lanzon então, impossível). Em “Sunrise”, a terceira, a situação melhorou, mas o volume continuou irritantemente insuficiente. Além disso, o palco era muito baixo, portanto, tornando a visão bastante complicada. Em meio a ambulantes, que comercializavam desde cerveja até “misturas” das mais suspeitas possíveis, o público tentava se arrumar e acompanhava execuções sublimes de sons como “Stealin’”, a mais nova “I’m Ready” e “Between Two Worlds”, mais uma vinda da década de 90. A banda mandou sons de seus quatro últimos discos (exatamente uma de cada) e de resto, apenas material da fase áurea, quando contava com o cantor David Byron. Nada da fase John Lawton ou dos álbuns oitentistas apareceram no set. E a galera achou ótimo. Afinal, o público de um evento gratuito costuma ser mais “superficial”, portanto, eram exatamente as velharias que a maioria queria ver. A sequência final testou os corações mais fracos, afinal, “Gypsy” e “Look At Yourself” foram as próximas, seguidas de uma das mais belas composições do Rock, “July Morning”, que hipnotizou o público por quase 10 minutos. No final, a simplória porém funcional “Lady In Black” antecedeu “Easy Livin’”, certamente a mais conhecida canção do Uriah Heep.

O show foi de altíssimo nível, mas devido aos problemas técnicos e do local totalmente inapropriado, deixou um gosto de “quero mais” na galera.

Uma semana depois o Uriah Heep chegou à Curitiba para o penúltimo show da turnê por aqui. O guitarrista Mick Box, logo ao chegar, se admirou com a decoração do Aeroporto, já em clima de Copa do Mundo, e com o frio terrível que fazia na cidade. A banda se dirigiu ao hotel logo cedo no domingo, atendendo alguns fãs que os esperavam. Após as tarefas rotineiras, o grupo saiu pouco depois das 18h para o restaurante, não sem antes atender mais alguns fãs. Todos muito gentis e simpáticos, tiraram fotos e autografaram encartes sempre com um sorriso no rosto.

Além do frio excessivo, a chuva também apareceu para tentar incomodar. Não conseguiu, pois a casa (Music Hall) foi aberta mais cedo justamente para livrar a galera. O show começou no horário marcado, 21h30m, e assim como São Paulo, com “Against The Odds”, agora com vocais e instrumentos bem audíveis, e para uma casa fechada. O clima mais intimista contribuiu para a energia do grupo no palco, que seguiu com “Overload” e a estupenda “Traveller In Time”, outra recente surpresa nos sets do Uriah Heep. A dobradinha “Sunrise” e “Stealin’” foi cantada em alto e bom som pela galera, que simplesmente transbordou o Music Hall. Curioso como uma banda com décadas de estrada, relevante para a música e que esbanja simpatia conta com um grande público, enquanto outras com nem 1% dessa importância tratam seus poucos fãs como lixo.

Há alguns anos, pude conferir uma das verões do The Sweet ao vivo, e a platéia era composta primordialmente de pessoas mais velhas. No caso do Uriah Heep, que é uma banda que não parou no tempo (o último álbum do The Sweet é de 1982), o público era bem mais diverso, indo de uma garotada bem jovem (mesmo) até senhores engravatados e de cabelos grisalhos. E falando em cabelos grisalhos, o dono da festa foi Mr. Mick Box, que nas próximas semanas completará 67 anos. O cara é a alegria em pessoa, principalmente em cima do palco. Ele conversou algumas vezes com o público, e volta e meia soltava uma risada (que era engraçada, admito).

O show seguiu igual ao de São Paulo, com pérolas como “Gypsy”, “Look At Youself” e “July Morning”. A balada “Lady In Black” (que poderia ter dado lugar a “The Wizard”) foi a saideira. Claro que haveria uma volta para o encore, e ela aconteceu de maneira ultra inusitada. O guitarrista chamou ao palco diversas garotas para balançarem as cabeleiras durante a gloriosa “Free ‘n’ Easy”, vinda do LP Innocent Victim, de 78. Foi a única composição da fase John Lawton (vocalista que integrou a banda na segunda metade da década de 70) a aparecer no setlist. Claro que com tanta mulher no palco o negócio virou uma tremenda bagunça, e demorou até que os auxiliares de palco conseguissem tirar todas de lá. Em relação a música, Bernie Shaw simplesmente destruiu, mesmo sendo perceptível algumas seguradas na voz em determinados momentos. Para o encerramento apoteótico, veio o maior hit, “Easy Livin’”.

O Uriah Heep, como mencionado anteriormente, ganhou uma energia extra com o novo baterista, e mostrou que acertou em cheio na escolha do novo baixista, Davey Rimmer, exímio instrumentista, que ocupa honradamente o lugar que era de Trevor Bolder, falecido ano passado. Quanto ao trio veterano, formado por Mick Box (guitarra), Phil Lanzon (teclado e vocais) e Bernie Shaw (vocal), fica até difícil comentar. Os caras não escondem o extremo prazer de tocar ao vivo, e o fazem com uma competência homérica. E de acordo com Shaw, a banda pretende voltar ao país na turnê de Outsider, disco que sai no mês que vem. Se você perdeu esta turnê, torça para haver mais uma chance de vê-los ao vivo.

Vídeos gravados em Curitiba:

Stealin’

Traveller In Time

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