Warrel Dane – 20-04-2014 – São Paulo (Hangar 110)

Warrel Dane - SP 2014 - por André Luiz

Texto e Fotos por André Luiz – Edição por André Luiz

Clássicos do Nevermore, músicas do bem recebido trabalho solo e petardos da banda oitentista Sanctuary, esta seria a expectativa de qualquer fã, porém o título da tour arremetia a “uma noite com WD”, nome um tanto quanto intimista. Desta forma, fazendo alusão ao objeto frequentemente utilizado pelo vocalista, podemos dizer que a máscara do mito literalmente caiu revelando um sujeito humilde e carismático, que também sofreu as consequências dos anos de idade, isso tudo por trás do teólogo e sociólogo que por anos estudou canto lírico e escreve letras abordando temáticas como religião, sociologia e política. Em sua terceira passagem pelo Brasil, a primeira solo (anteriormente viera em 2001 e 2006 com o Nevermore), Warrel Dane encerrou uma mini tour composta por seis shows e vários meetings na cidade de São Paulo, diante de mais de 600 pessoas as quais lotaram as dependências do Hangar 110 e presenciaram um vasto repertório de 22 músicas executados durante 2h05m de show.

A abertura da casa estava marcada para as 18h, uma grande fila se formava do lado de fora do Hangar 110 enquanto podia ouvir-se a passagem de som. Após seu término, surge na porta do local Warrel Dane andando no meio do público (logicamente acompanhado de 1-2 seguranças) em direção a um carro o qual o levaria aos estúdios da 89FM para gravação do programa “Pegadas com Andreas Kisser”.  Logo na sequencia, as primeiras pessoas puderam adentrar à casa de shows, exceção feita aos membros de imprensa credenciados os quais em sua maioria ouviram do lado de fora as primeiras músicas do Seventh Seal, banda de abertura da noite.

Trazendo ao público a tour do álbum Mechanical Souls o qual marca a estreia do vocalista Leandro Caçoilo (Soulspell, ex-Eterna), a line up completada por Tiago Claro (guitarras), Thiago Oliveira (guitarras), Victor Prospero (baixo) e Roberto Moratti (bateria) baseou o repertório executado em faixas de seus três trabalhos de estúdio (Premonition  de 2001, Days of Insanity de 2007 e o já citado Mechanical Souls).  Entre músicas como “Back to the Game” e “Mechanical Souls”, os músicos executaram “Stand Up and Shout” do mestre Ronnie James Dio, encerrando o set com “Dark Chant”. Destaques individuais são difíceis apontar na Seventh Seal, a banda possui um belo conjunto e ao vivo além do entrosamento entre os instrumentistas, não pode-se deixar de citar o belo trabalho vocal de Leandro Caçoilo, apenas menciono a pouca mobilidade no palco dos músicos (não posso afirmar se pelo tamanho do palco do Hangar 110 pois não os assisti em casas maiores), em compensação a participação do público demonstrou o prestígio da banda.

Com o fechar das cortinas, aumentou a expectativa pelo início da apresentação, em especial quando em meio a um vídeo ao vivo do Motorhead executado na casa, ouvia-se os ajustes finais nos instrumentos provindos do palco. Logo o som no PA cessou, as cortinas se abriram e Johnny Moraes (guitarra, Hevilan), Thiago Oliveira (guitarra, Seventh Seal), Fabio Carito (baixo, Shadowside), Marcus Dotta (bateria, Skin Culture) além de Warrel Dane, surgem perante os mais de 600 presentes, executando duas faixas do trabalho solo do vocalista, “When We Pray” e “The Day The Rats Went To War”, recepcionadas com ovação pelo público. O que dizer então da faixa de abertura do álbum de maior sucesso do Nevermore no país? “Narcosynthesis” é um dos destaques do clássico Dead Heart In A Dead World e logo no anúncio de sua execução a resposta vinda do público foi em alto volume, já a letra foi bradada a plenos pulmões pelos presentes, empolgando o próprio Dane que em dados momentos durante o refrão improvisou seus agudos característicos da época de Sanctuary.

Na sequencia, outro petardo do DHIADW, “Inside Four Walls” teve uma recepção tão boa quanto a anterior, e desta vez os trejeitos teatrais de Warrel foram destaque sinalizando as ‘quatro paredes’ citadas na letra. Os agudos de Mr. Dane voltaram a ser destaque durante dois petardos do álbum Dreaming Neon Black, a rápida faixa de abertura e presença obrigatória em sets do Nevermore “Beyond Within” na qual pude perceber pequena falha na execução do solo de guitarra (algo perceptível apenas por FANáticos os quais literalmente ‘furaram’ o CD DNB de tanto ouvir) e a melodiosa e ao mesmo tempo cativante “Poison Godmachine”.

A partir de então as dobradinhas foram findadas, seguiram faixas de épocas diferentes de Warrel Dane: o petardo “The River Dragon Has Come” do álbum Dead Heart in A Dead World, “My Acid Words” do trablalho de 2005 This Godless Endeavor, a primeira faixa do Sanctuary executada na noite “Seasons Of Destruction” do Into The Mirror Black, a única faixa do derradeiro álbum do Nevermore The Obsidian Conspiracy “The Termination Proclamation”, mais um clássico oitentista do Refuge Denied do Sanctuary “Soldiers Of Steel” e ó grande destaque do álbum solo Praises To The War Machine “Brother” (recepcionada com emoção não apenas pelo público, mas como pelos próprios músicos on stage).

Warrel Dane - SP 2014 - por André LuizVI

Warrel Dane em mais um dos discursos convida ao palco o baterista Daniel Erlandsson do Arch Enemy, para euforia geral no Hangar 110. Na sequencia, o frontman pede que os namorados presentes na casa se beijem e anuncia um dos momentos mais marcantes da noite, “The Heart Collector”, não apenas bradada em uníssono como também arrancando lágrimas de muitos. Marcus Dotta retorna a bateria e WD anuncia um dos maiores clássicos do Sanctuary, diretamente de 1988 “Battle Angels” trouxe à tona a vibração característica do quarteto oitentista de Seattle. Finalizando a primeira parte da performance, dois petardos executados sem intervalos: “Next In Line” do Politcs Of Ecstasy (com pequeno deslize na execução da guitarra) teve seu refrão bradado em alto e bom som, já a faixa título do álbum de 2003 (remixado por Andy Sneap em 2005 após grande polêmica) “Enemies Of Reality” agradou em cheio o público.

A banda retorna ao palco para o encore e Dane convida a vocalista Juliana Rossi para execução da faixa-título do álbum de 1999 do Nevermore, “Dreaming Neon Black”. Aqui cabe o comentário direcionado a banda de suporte a WD: é sempre difícil substituir músicos do quilate de um Jeff Loomis que introduziu a guitarra sete cordas no meio metal, mas os músicos brasileiros estiveram de parabéns, um equívoco aqui ou ali acontece,  a impressão transpassada do palco a platéia foi a de bons músicos executando os petardos da carreira de Warrel Dane em alto nível. Continuando com a performance, “Born” foi um dos momentos mais pesados da noite, com direito a mosh pits incentivados pelo próprio frontman, um momento marcante que antecedeu dois clássicos oitentistas do Sanctuary: as faixas de abertura do Into The Mirror Black “Taste Revenge” e “Future Tense”, dobradinha insana que quase acabou com a voz de Warrel devido a sequencia de agudos desferidos. Em meio à iminência do termino do show devido a pressão da equipe do Hangar (para visível descontentamento de WD), me desculpe a imparcialidade, mas a música favorita do Nevermore do repórter que vos dirige a palavra trouxe um mosh pit violento a casa de shows, a faixa de abertura do Politics Of Ecstasy “Seven Tongues Of God”  e a sequencia de riffs aliados a maneira teatral Warrel interpreta como as ‘seven tongues align’, ótimo momento. Finalizando a noite, com aval da produção da casa, “Dead Heart In A Dead World”, com direito a novo mosh pit incentivado pelo frontman.

Após cerca de duas semanas no Brasil, seis shows em cidades diferentes finalizando com a performance na capital paulista na qual em 2h05m foram executadas 22 músicas (apenas “Epitaph” das 23 anunciadas para tour não foi apresentada em SP), várias entrevistas para rádios, meetings com fãs incluindo até mesmo churrasco, literalmente o mito Warrel Dane foi desmistificado, revelando um sujeito simples, humilde, que continua levando o melhor de si ao palco através de um repertório poderoso. Resta aguardar a anunciada tour executando Dead Heart In A Dead World na íntegra e o novo trabalho com Sanctuary, além é claro de uma reunião com Jeff Loomis e Van Willians para o retorno do Nevermore.

When We Pray
The Day The Rats Went To War
Narcosynthesis
Inside Four Walls
Beyond Within
Poison Godmachine
The River Dragon Has Come
My Acid Words
Seasons Of Destruction
The Termination Proclamation
Soldiers Of Steel
Brother
The Heart Collector (com Daniel Erlandsson do Arch Enemy na bateria)
Battle Angels
Next In Line
Enemies Of Reality

Encore
Dreaming Neon Black (com a vocalista Juliana Rossi)
Born
Taste Revenge
Future Tense
Seven Tongues Of God
Dead Heart In A Dead World

(Visited 39 times, 1 visits today)

Comments