Guns N’ Roses – 30-03-2014 – Curitiba (Estádio Durival Britto e Silva)

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Texto por Clovis Roman – Fotos por André Smirnoff (Fotos workshop por Clovis Roman)

Um dia antes do show do Guns N´Roses em Curitiba, o guitarrista Ron Bumblefoot Thal fez um concorrido workshop no Hangar Music Hall, no qual atendeu os fãs com extrema simpatia, além de obviamente, mostrar que é um grande músico, com um pouco de sua técnica apurada. A versão para a música da Pantera Cor De Rosa ficou genial. Uma grande quantidade de garotas mais interessadas nas feições do rapaz do que em sua técnica acabaram estragando um pouco o evento. Mas na parte musical, foi impecável.

O SHOW
A extensa turnê do Guns N´Roses pelo Brasil teve uma parada em Curitiba, no dia 30 de março, cidade a qual o grupo nunca havia tocado anteriormente em quase 30 anos de estrada. Apenas este fato já tornaria a apresentação histórica, porém durante o espetáculo, o público foi brindado com diversas surpresas.

Antes de banda de Axl Rose começar a tocar, a Motorocker subiu ao palco, um pouco antes das 20h, fazendo um show extremamente competente, com um entrosamento e presença de palco raramente visto. Em seu setlist, estiveram presentes músicas de seus dois discos, e principalmente o público da área Vip agitou bastante com a pesada “Acelera e Freia”, além de “Igreja Universal do Reino do Rock” e “Rock Na Veia” (faixas títulos dos dois álbuns do Motorocker). Além das pancadas, ainda houve espaço para sons mais tranqüilos, como “Blues do Satanás” e a bela balada “Homem Livre”. No final, antes de “Salve A Malária”, o vocalista Marcelus deu uma bronca na galera que ficava pedindo para eles tocarem AC/DC. Ele disse que o grupo respeita o AC/DC e outras grandes bandas, mas que eles lá estavam apenas para tocar sons do Motorocker. Inclusive, Marcelus foi o grande destaque da apresentação, pois além de demonstrar uma simpatia absurda com a galera, ainda cantou como se aquele fosse o último show de sua vida.

Um pouco depois das 20h30m, o Motorocker sai do palco, e o público a procura de cerveja e lanches. Muita gente no meio do povão tentava adivinhar quanto tempo Axl atrasaria na referida noite. Entretanto, nem o mais otimista deles poderia imaginar que a apresentação começaria pontualmente.

Poucos minutos após as 21h, a primeira grande surpresa da noite: a música “Far From Any Road” começa a rolar no sistema de som, e logo o Guns N´Roses faz sua triunfal entrada ao palco, com a faixa título do último disco, o controverso – porém excelente – “Chinese Democracy”. As atenções foram voltadas à Rose, que cantou ciente de suas limitações, com um resultado pra lá de satisfatório. Logo depois, o primeiro grande clássico levantou quem ainda estava parado: a atemporal “Welcome To The Jungle”, perfeitamente posicionada como 2ª música do setlist. Mantendo a euforia, eles mandaram versões excelentes de “It´s So Easy” e “Mr. Brownstone”, onde se sobressaíram os guitarristas DJ Ashba e Ron Bumblefoot Thal.

A épica “Estranged” seria a próxima. Porém, provavelmente com problemas técnicos, a faixa foi interrompida após cerca de 1 minuto e meio, e eles seguiram em frente com “Rocket Queen” e a ótima “Better”. Depois, a maior surpresa do setlist: “Nice Boys”, cover dos australianos do Rose Tattoo, que o Guns gravou no disco G N´R Lies, de 1988. A letra, cujo refrão diz “Nice boys don´t play rock´n´roll, I´m not a nice boy”, contrastou totalmente com a simpatia esbanjada pelo octeto em cima do palco. Até mesmo Axl Rose estava de bom humor. Durante “Civil War”, a equipe da banda começou a remover o excesso de água acumulada pela chuva que caiu quase durante todo o show. No final da canção, Mr. Rose pegou um dos rodos para ajudar na limpeza, em meio a sorrisos. O resultado, obviamente, foi um coro de “Axl, Axl”, vindo da pista VIP.

Cantando de maneira bem mais convincente que nas últimas passagens da banda pelo Brasil, Axl não deixou de fora sucessos como “You Could Be Mine”, “Sweet Child O´Mine” (nessa até os seguranças estavam cantando e pulando) e “Live And Let Die”, excelente cover do Wings. Outras versões estiveram presentes no set, como “Holidays In The Sun”, cantada pelo baixista Tommy Stinson, do Sex Pistols; e a extensa balada “Knockin´On Heaven´s Door”, de Bob Dylan. A chuva foi uma das protagonistas durante a apoteótica “November Rain”, que contou com efeitos pirotécnicos. Ainda houve tempo, antes do “bis”, para solos individuais de Bumblefoot, Dizzy Reed e DJ Ashba; a repetição de “Estranged” (agora, completa); e uma Jam session que contemplou “Baby I´m Gonna Leave You”, do Led Zeppelin, em versão instrumental. Após mais de duas horas no palco, o grupo encerrou o show com “Nightrain”, onde novamente a voz de Axl surpreendeu positivamente.

Na volta para o encore, o Guns N´Roses mandou “Patience”; a já esperada cover de “The Seeker”, do The Who, e encerrou definitivamente com “Paradise City”, que podia ser ouvida a quase 100 metros de distância da Vila Capanema. Aliada a boa produção do evento – bem organizado, com acesso fácil e excelente qualidade sonora – o showzaço do Guns N´Roses é candidato, desde já, a melhor show do ano na cidade.

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