Guns N’ Roses – 28-03-2014 – São Paulo (Arena Anhembi)

Guns N Roses - SP - 2014 - MROS9398

Texto por Clayton Franco – Fotos por Marcelo Rossi/Divulgação

Falar do Guns n’ Roses é uma tarefa difícil e muitas vezes ingrata. O grupo fundado em Los Angeles nos idos de 1985 trazia em sua versão clássica Axl Rose nos vocais e Slash na guitarra solo (de longe, os membros mais conhecidos do grupo). Ainda tinha em suas fileiras o excelente baixista Duff, Izzy na guitarra rítmica e Steven Adler na bateria. Mas isso é 1985… Hoje estamos em 2014. Da formação clássica, sobraram apenas Axl Rose e uma montanha de brigas, processos e calúnias entre seus membros. É esse o Guns atual, que visitou São Paulo em 2010, passou pelo Rock in Rio em 2011 e agora retorna para uma tour completa em várias cidades do Brasil.

Axl já é conhecido pelos seus constantes atrasos para subir no palco (em 2010 em São Paulo o desrespeito com o público chegou a 3 horas), mas surpreendentemente, no show anterior a São Paulo, realizado em Belo Horizonte, foi de apenas 35 minutos. E quem diria, em Brasilia, ele subiu pontualmente as 22h no palco!!! Esperava o mesmo em São Paulo, mas isso foi uma doce ilusão. Com cerca de 1h45m de atraso, Axl e sua trupe por muitos chamados de “novo Guns” entraram no palco com “Chinese Democracy” já emendada com “Welcome To The Jungle”. Essa mistura inicial de uma música do mais recente álbum (lançado em 2008 depois de anos no forno) com um clássico antigo, mostrou a forma como o show seria conduzido. Durante quase 2h30m de show, todo o setlist passeou de forma heterogênea entre todos os discos lançados pelo grupo. Se for ver, não são muitos, seis ao todo contando com o álbum de covers “Spaghetti Incident”. Os hits mais conhecidos e aclamados pelos fãs estavam presentes, e entre esses clássicos, davam as caras algumas canções do “Chinese Democracy”. Vale dizer, que foram essas músicas novas as responsáveis pelos momentos mais quietos e sem participação da plateia, mostrando o quanto o novo disco foi considerado fraco e sem o apelo dos tempos áureos.

O show continuava essa mistura de canções e seguia com “It’s So Easy”, “Mr. Brownstone”, “Estranged”, “Better” e “Rocket Queen” aonde vêm o primeiro (de muitos) momentos solos do show. No caso, temos o solo de Richard Fortus na guitarra. Embora mande muito bem na execução de clássicos criados por Slash, na hora de mostrar sua criatividade no palco, faz um solo de forma básica e sem muita criatividade. E dá-lhe mais canções como “Live And Let Die” e “This I Love”, seguida por “”Holidays in the Sun”. Esta última, foi o primeiro cover tocado, uma homenagem ao Sex Pistols,  cantada pelo baixista Tommy Stinson. Se o cover em muito me agradou, novamente temos mais uma quebra do andamento do show com outro momento solo, no caso de Dizzy Reed nos teclados. Junto com Axl, é o membro mais antigo do grupo e embora não seja da formação clássica e inicial da banda, é o responsável pelo piano de muitas canções dos discos “Use Your Ilusion I e II”.

Após o solo de Dizzy (demorado mais competente), as músicas correram soltas com “Catcher In The Rye” e “You Could Be Mine” seguidas novamente por outro momento solo, no caso do Dj Ashba nas guitarras. Prefiro me abster de comentar o solo, pois novamente o mesmo não me empolgou, apesar de muita técnica não vi criatividade e interação com o público. Se o solo novamente trouxe monotonia aos presentes, o show voltou a empolgar a todos logo após com a execução de “Sweet Child O’ Mine” e “November Rain”. Devo dizer que foi um dos melhores momentos do show, tanto da banda no palco como o desempenho de Axl, assim como a participação de todo o público cantando e vibrando juntos. Infelizmente, nem tudo são flores, e o show volta a esfriar com “Abnormal” canção do disco solo de Bumblefoot sendo cantada pelo mesmo durante o show.

O show já se encaminhava para o seu final com “Don’t Cry” e “Knockin’ On Heaven’s Door”, excelente cover de Bob Dylan e já muito conhecido dos fãs do Guns, e após uma longa Jam da banda, temos o encerramento com “Nightrain”. Mas não foi o encerramento em si do show, pois ainda faltavam alguns clássicos. O grupo retorna ao palco para mais uma longa Jam dos seus membros, onde no final da mesma Axl retorna  ao palco para a execução de “Patience” e “The Seeker”. Embora eu tenha gostado muito desta canção ser incluída no set list, muitos ficaram as moscas, e ouvi até mesmo alguns fãs perguntando de qual disco era a canção sem saber que ela é um cover do grupo The Who. Após mais uma longa Jam feita pelo grupo, o show se finda com “Paradise City” em 2h30m de duração!!!

Muito se pode dizer do Guns atual, da performance da banda no palco, da voz de Axl Rose e do público. A áurea quase intocável do antigo Guns e de toda a loucura que ele causava em seus tempos de glória, a muito deixou a banda. Este “novo Guns” em muitos aspectos parece um show solo do Axl Rose acompanhado de uma competente (mas sem carisma) banda. A voz do frontman já não possui o mesmo desempenho do passado e já mostra o cansaço e o peso dos seus mais de 50 anos. Muitos se perguntam se a inclusão de tantas jams e momentos solos no show não são exatamente para dar tempo de Axl recuperar um pouco o fôlego e a voz para a continuidade do show. E são exatamente esses momentos solos intermináveis que quebram os momentos vibrantes do show, incluindo monotonia entre as canções clássicas e esperadas pelo público.  Fico em um difícil dilema de dizer se o show foi bom, ruim ou mediano, visto o show passar por todos esses momentos durante a noite. Os fãs mais novos, de pouca idade (a grande maioria do público não passava dos 20 ou 22 anos de idade) se contentaram e muito com o que viram. E para os fãs mais antigos (inclusive este que escreve a resenha), saíram com uma sensação que faltava algo a mais, que apenas a formação clássica e seu modo mais carismático, selvagem e megalomaníaco no palco proporcionavam em tempos antigos como no show do Rock in Rio de 1991 (por sinal o primeiro show com Dizzy Reed). Mas falar sobre isso é apenas gerar polêmica entre fãs e seguidores do grupo. Em parte isso é muito bom, pois apenas grandes bandas podem gerar tanto amor e ódio, discussões e seguidores em um meio dominado por bandas atuais que em nada se destacam ou acrescentam ao Rock e Metal. Menção positiva seja feita a todo efeito de luzes do palco o qual considerei excelente (há muito tempo não via uma iluminação de tanta qualidade e com efeitos tão bons).

Fica aqui meus agradecimentos finais a Midiorama pelo credenciamento proporcionado ao nosso veículo de imprensa e pelo excelente atendimento aos repórteres e fotógrafos presentes na cobertura. Meu abraço a todos que me acompanharam nessa resenha e nos vemos na próxima.

01- Intro
02- Chinese Democracy
03- Welcome To The Jungle
04- It’s So Easy
05- Mr. Brownstone
06- Estranged
07- Better
08- Rocket Queen
09- Solo Richard Fortus
10- Live And Let Die (WINGS)
11- This I Love
12- “Holidays in the Sun” (SEX PISTOLS – Tommy Stinson no vocal)
13- Solo Dizzy Reed
14- Catcher In The Rye
15- You Could Be Mine
16- Solo Dj Ashba
17- Sweet Child O’ Mine
18- Jam
19- November Rain
20- “Abnormal” (Ron ‘Bumblefoot’ Thal no vocal)
21- Don’t Cry
22- Knockin’ On Heaven’s Door (BOB DYLAN)
23- Civil War
24- Jam
25- Nightrain

Bis
26- Jam
27- Patience
28- The Seeker (THE WHO)
29- Jam
30- Paradise City

(Visited 118 times, 1 visits today)

Comments

  1. haiahiahiahiaha. Não sei se o Ade ou o porcaria do Towlie que mudou o comentário… mas eu continuo dizendo que esse tal de Clayton Franco é um lindo de fofo!!! 😀

  2. Clayton Franco com email “sandra.rosa.madalena@sidney.magal.com” , eu sabia que vc curtia essas coisas kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk