Black Sabbath: “A sobriedade tornou as coisas mais fáceis”

Por Rodrigo Gonçalves. Fotos por NÉSTOR J. BEREMBLUM.

Butler OzzyO Black Sabbath já se encontra em solo brasileiro. O baixista Geezer Butler e o vocalista Ozzy Osbourne bateram um papo nesta terça-feira (8) com a imprensa brasileira em uma descontraída entrevista coletiva realizada no hotel Fasano, na zona sul do Rio de Janeiro. Vale ressaltar que o guitarrista Tony Iommi também estava escalado para participar da coletiva, mas pouco antes de começar os jornalistas foram informados de que o músico não estava se sentindo bem e, por orientação médica, ficou repousando em seu quarto. O músico atualmente está sendo submetido a tratamento para combater um câncer.

Durante os quase 30 minutos de conversa com os jornalistas, Ozzy e Geezer se mostraram bastante solícitos, arrancaram risadas dos profissionais e responderam prontamente sobre os mais variados assuntos.  A dupla falou sobre o longo tempo de estrada, o futuro do rock, ser número em mais de 50 países, o novo DVD e muito mais. Confira os principais momentos da entrevista.

Falando sobre a polêmica com a bandeira brasileira no show realizado no último fim de semana na Argentina, Butler revelou que “alguém jogou  uma bandeira do Peru no palco, mas que no momento eles nem se deram conta de que tinha uma do Brasil”. Ozzy definiu a situação da sua própria maneira. “A música é algo universal, não fiz por mal. Aliás, metade do tempo nem sei onde estou”, disse Osbourne arrancando risadas dos presentes.

Quando perguntados sobre a sensação de estar no Brasil e tocar para um público estimado em 150 mil pessoas (nos 4 shows), Ozzy declarou. “É mais do que nós esperávamos. Acabamos de vir do Chile e da Argentina. Essa é a primeira vez que toco com o Black Sabbath por aqui e estou animado”. Ainda sobre o assunto turnês, os músicos declararam que ainda não tem planos para o ano que vem, pois “estão esperando e torcendo pela melhora de Tony Iommi”. Ainda sobre o assunto shows, Geezer e Ozzy declararam que atualmente “é mais fácil pra eles, pois quando eram mais novos viviam o estilo de vida rock n roll, abusando das drogas e agora não fazem mais isso. Após o show voltam para o hotel e se contentam com uma xícara de chá.”

Falando sobre bateristas, Ozzy disse que é “muito triste Bill não estar excursionando conosco, mas que a decisão foi inevitável”. Sobre a adição de Brad Wilk para a gravação do novo álbum, Geezer revelou que o músico foi uma indicação do produtor Rick Rubin, que já havia trabalhado com ele em outras ocasiões e que ele se encaixou muito bem com o que pretendiam fazer”. Sobre Tommy Cufletos ser o baterista da turnê, o baixista revelou que “Tommy toca na banda solo de Ozzy e já havia excursionado com o próprio Sabbath no ano passado, logo, foi uma escolha natural”.

Sobre o fato de estarem na estrada há 40 anos e serem uma das poucas bandas que ainda lotam estádios sozinhos sem a ajuda de ninguém, se a falta de renovação e o surgimento de novas bandas capazes de fazerem o mesmo é algo que preocupa, Geezer e Ozzy disseram “que há alguns anos ouvimos esse papo de que o heavy metal e o hard rock estão mortos, mas que é exatamente o contrário e isso não é algo que nos preocupa. Enquanto tiver fãs o estilo nunca irá morrer, prova disso é o fato de terem um público tão fiel até hoje”.

Butler Osbourne

Falando sobre o processo de gravação do novo álbum, Ozzy revelou que “dessa vez as coisas foram mais fácies, uma vez que antigamente costumávamos nos entupir de drogas e isso dificultava o trabalho”. Para Geezer, gravar “13” foi como uma volta aos primórdios da banda. “Gravamos os três primeiros álbuns no esquema de tocar ao vivo no estúdio e Rick nos incentivou a fazer isso novamente, sem auxilio da tecnologia”.

Com relação à ideia de chamar o renomado produtor Rick Rubin para produzir o álbum, o baixista declarou que a ideia partiu do próprio Rubin. “Ele é amigo de Ozzy há anos e sempre disse que se fôssemos fazer um novo álbum, gostaria de produzi-lo. Quando decidimos gravar, fomos até ele e mostramos as músicas que tínhamos, o produtor gostou e a coisa evoluiu a partir daí”.

Ainda tiveram tempo pra comentar sobre a sensação de se alcançar o topo das listas de discos mais vendidos em 51 países. “Ficamos chocados e emocionados com o apoio dos fãs. Isso mostra que o heavy metal ainda é bastante popular.” Em relação ao setlist, Butler comentou que “os fãs esperam que a banda toque o material clássico, mas que o show também tem músicas do novo disco”, o que explica também a decisão de gravar um DVD na Austrália, antes de o disco “13” ser oficialmente lançado. “Nós não sabíamos o que ia acontecer na turnê e queríamos ter algo gravado para registrar esse novo momento de nossas carreiras. E nessa época já tocávamos músicas do novo disco. Foi uma questão de oportunidade”, encerrou Geezer Butler.

O Black Sabbath se apresenta em Porto Alegre (09/10), São Paulo (11/10), no Rio de Janeiro (13/10) e fecha a turnê brasileira em Belo Horizonte (15/10).

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