Alcatrazz – 01/09/2013 – São Paulo – SP (Carioca Club)

Texto por Clayton Franco – Fotos por Milton Arthur (AWO)

Nossa como o tempo passa!!! Parece que foi a pouco tempo que tive o prazer de ver o show do Graham Bonnet no Blackmore em São Paulo. Mas não, isso aconteceu a mais de quatro anos. Mais precisamente em 11/07/09. Para quem quiser saber como foi esse show anterior segue o link da resenha de 4 anos aqui. Nesse meio tempo muita coisa mudou no cenário musical em São Paulo… Muitos shows e eventos de rock em geral ocorreram, novas opções de locais para o show (como o Carioca Club no qual aconteceu o show do Alcatrazz desta resenha), o público se renovou, mas duas coisas continuam as mesmas: a disposição de Mr. Bonnet para fazer um ótimo show, e sua voz que continua firme apesar da idade.

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Antes de falarmos da resenha em si, quero situar àqueles que não conhecem GB e a banda Alcatrazz dentro de sua importância para o rock. Bonnet iniciou sua carreira em 1968 cantando no grupo “The Marbles”, fez vários jingles para anúncios e cantou em trilhas sonoras de filmes. Em 1979 teve a dura tarefa de substituir o saudoso Ronnie James Dio, quando este deixou o Rainbow para integrar as fileiras do Sabbath (que acabara de despedir o Ozzy).  Foi nessa época que Graham se tornou um vocalista mundialmente conhecido, gravando um único disco ao lado de Blackmore: o controverso “Down To Earth”. Digo controverso não pela qualidade em si, pois o disco é excelente e conta com várias canções que se tornaram clássicos do Rainbow, mas, talvez pela sua voz ser diferente a do Dio, seu estilo oposto ao resto do grupo, seu modo de se vestir (subia no palco vestido de terno e gravata com seus óculos escuros, e cabelos estilo “James Dean”, ídolo confesso de Bonnet), “Down to Earth” acabou sendo seu único registro com o grupo. Após essa curta passagem pelo Rainbow, gravou também um disco com o MSG (grupo liderado por Michael Schenker), e após sua saída resolveu que era hora de montar sua própria banda. Neste ponto chegamos ao Alcatrazz, no qual Graham Bonnet revelou ao mundo dois virtuosos guitarristas que com o passar dos tempos iriam se tornar ícones para uma nova geração de músicos: Yngwie Malmsteen e Steve Vai. O Alcatrazz teve altos e baixos (inclusive ficando um tempo parado quando Bonnet se lançou em carreira solo), mas o grupo foi reformulado em 2006 e agora, passou pelo Brasil para um único show em 2013.

Antes do show do Alcatrazz, a noite nos brindou com duas bandas brasileiras da nova safra do metal nacional, que pelo que pude presenciar, em nada deixa  a dever a muitas bandas gringas. A primeira banda a subir ao palco por volta das 18h30m foi a “Mad Old Lady”, que embora para um público ainda pequeno e com um setlist resumido, demonstrou bastante animação em estar no palco para o evento. Algo que diferencia a banda da grande maioria dos grupos é possuir em suas fileiras 3 (sim, três) vocalistas que se completam em canções que vão desde o heavy metal cru dos anos 80 até a mistura com a música clássica. Infelizmente, pouco conhecia da banda antes desse show, mas com certeza após a apresentação vigorosa que vi, vou procurar saber mais sobre o grupo e ouvir seu primeiro trabalho que foi lançado recentemente. Após a “Mad Old Lady”, o grupo “Sagitta” subiu ao palco por volta das 19h20m para encarar um publico maior do que o primeiro show da noite. Podemos dizer que a banda bebe nas fontes do metal melódico (chamado por outros de power metal) da década de 80. Para fãs do estilo, assim como eu, o grupo se mostrou como mais um ótimo grupo da nova safra de metal brasileiro, que embora traga muitas referências dos anos 80 em suas músicas, sabe imprimir em suas canções um estilo próprio. Com guitarras extremamente rápidas e um teclado bem marcante em suas canções, o grupo agitou o publico, sendo que muitos demonstravam conhecer o som da banda. Um detalhe interessante em seu setlist foi à inclusão do cover “Rising Force” da carreira solo de Yngwie Malmsteen em meio a sua apresentação. A escolha desse cover não poderia ser melhor, visto que Malmsteen foi revelado como músico pelo grupo Alcatrazz que seria a grande atração da noite. Uma homenagem como essa foi um tiro certeiro no público, que agitou bastante durante sua execução.

Com as bandas de abertura, o terreno já estava preparado para o principal show da noite, e exatamente as 20h30m sobem ao palco Mr. Bonnet com o seu reformulado Alcatrazz contando com Simon Howie nas guitarras (ex Jeff Scoto Soto), Bob Rock (Vinnie Vicent Invasion / Lita Ford) na bateria e Tim Luci, (Yngwie Malmsteen) no baixo. A primeira música executada foi a clássica “Assault Assault” do MSG, demonstrando desde o início do show que a banda não iria se focar apenas em suas músicas próprias, mas também abrangeria todos os grupos pelo quais Graham Bonnet passou. Após, temos a execução de “To Young to Die, Too Drunk to Live” seguida por “God Blessed Video”, um dos maiores sucessos do Alcatrazz. Mesmo grande parte do público não acompanhando as letras quando Bonnet pedia para a galera cantar, a banda não se deixava abater e continuava a agitar sobre o palco. Graham em parte fazia lembrar o próprio Ozzy e sua já conhecida dificuldade de lembrar as letras das próprias canções. Isso era nítido nas folhas coladas pelo piso do palco com as letras sendo substituídas entre uma música e outra.

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O grupo, embora muito animado, pouco interagia com público, sendo que Graham preferia muito mais tocar as canções caminhando pelo palco do que fazendo discursos intermináveis entre uma música e outra como estamos acostumados a ver outros vocalistas fazerem. Vale destacar os ótimos backing vocais executados por Howie e Luci nos refrões das músicas.  O show prosseguia com “Love’s No Friend” e até mesmo uma inusitada surpresa com a execução de “Stand in Line” da banda Impellitteri que também contou com Graham Bonnet nos vocais. E entre um sucesso e outro de suas ex-bandas, o show prosseguia com as músicas próprias do Alcatrazz: “Big Foot / Jet to Jet”, “Skyfire”, “Kree Nakoorie” e a maravilhosa “Will You Be Home Tonight?”. Já com mais da metade do set executado, somos novamente brindados por outra música da fase MSG: “Desert Song”, essa sim cantada por todos os presentes. Temos a execução de mais uma música própria (“Night Games”) e a finalização da primeira parte do show com o maior clássico do Rainbow da fase Bonnet. Estamos falando de “All Night Long”, na qual o sessentão Bonnet demonstrou conseguir dar seus gritos nos refrões que em muito lembrava a potência vocal da década de 80. Nem precisamos dizer que com essa canção o Alcatrazz teve o público em mãos e preparados para sequência destruidora que seria o bis.

Após alguns minutos, o grupo retorna ao palco com “Desert Song” (ultima da fase MSG tocada na noite) seguida por “Since You’ve Been Gone” e finalizando o show com “Lost in Hollywood” (ambas do Rainbow). Sob aplausos dos presentes, a banda se despede do público com sorriso no rosto e prometendo retornar em breve ao Brasil. Resta àqueles que perderam esse grande espetáculo que a banda volte a terras tupiniquins o quanto antes. Finalizo essa resenha com agradecimentos a AWO na pessoa de Milton Arthur pelo credenciamento e atendimento respeitoso com o nosso veículo de imprensa. Um grande abraço a todos que leram essa resenha e espero vê-los em um futuro não tão distante em um próximo show do Alcatrazz!!!

Setlist Alcatrazz:

1. Assault Attack (cover Michael Schenker Group)
2. To Young to Die, Too Drunk to Live
3. God Blessed Video
4. Love’s No Friend
5. Stand in Line (cover Impellitteri)
6. Big Foot / Jet to Jet
7. Skyfire
8. Kree Nakoorie (Hiroshima)
9. Will You Be Home Tonight?
10. Desert Song (cover Michael Schenker Group)
11. Night Games
12. All Night Long (cover Rainbow)

Encore:

13. Dancer (cover Michael Schenker Group)
14. Since You’ve Been Gone (cover Rainbow)
15. Lost in Hollywood (cover Rainbow)

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