Sebastian Bach – 17-04-2012 – São Paulo – SP (Carioca Club)

Texto e fotos por Juliana Lorencini

Aos bons e velhos tempos do hard rock estão de volta! Pelo menos foi essa a impressão que Sebastian Bach, ex-integrante da banda de hard rock Skid Row, deixou em sua segunda passagem pela cidade de São Paulo. O show aconteceu na terça-feira, 17/04, na casa de shows Carioca Club.

A banda responsável pela abertura foi a Madjockerno, que teve em seu set list uma mistura de composições próprias e covers, destacando-se “You Could be Mine”, do Guns’n’ Roses. A príncipio o público parecia não muito atento a apresentação da banda, o que era mais do que esperado, quando se tem uma grande banda prestes a subir ao palco. As letras cantadas em português pelo vocalista Gus MJoker, também não caíram no gosto da galera de imediato, mas no decorrer do show Gus e companhia, conseguiram enfim, ganhar a atenção e resposta dos poucos fãs já presentes.

Com alguns minutos de atraso em relação ao horário previsto, às 21h45, Sebastian Bach sobe ao palco, para por fim a ansiedade dos fãs que já demonstravam estar impacientes em esperar pelo vocalista. Alguns até já cogitavam um atraso maior, depois da mensagem públicada por Sebastian em sua página oficial no facebook, logo após o primeiro show em São Paulo,  14/04, onde reclamou do horário de sua apresentação na noite, considerando-o muito cedo e se disse surpreso com a histeria dos fãs brasileiros, entre outras coisas.

Animado, o vocalista escolhe “Slave to the Grind” para começar a noite, a faixa tirada do álbum de mesmo nome – o mais conhecido do Skid Row – foi apenas um aperitivo aos fãs, que em poucos segundos mostraram a Bach a tal histeria citada por ele alguns dias antes.

Logo nos primeiros minutos Sebastian dá mais um motivo para que a gritaria se torne ainda mais intensa, o vocalista gira seu microfone ar, o gesto que já é caracterisco do músico, leva o público ao delírio. Em seguida vestindo uma camisa com mangas longas, porém com velcro, Bach pede ajuda de um roadie para remover a uma das partes que insiste em não se soltar, não é preciso comentar, que a parcela feminina da casa, entonou ainda mais coro estridente.

No auge de seus 44 anos de idade, Sebastian Bach mostra uma disposição no palco incomparável, conversando e brincando com o público, Bach, sabe muito bem o que faz, lhe caindo muito bem o título de show man! Sem demonstrar nenhum sinal de cansaço, pula, agita, corre de um lado para o outro do palco, e ainda usando os pés, chuta uma garrafa de água para a platéia.

No set list traz mesclas músicas de seus trabalhos solos e do Skid Row, combinação essa que agrada os fãs em cheio. Músicas como “Kicking & Screaming” e “Dirty Power” se seu mais recente trabalho, Kicking & Screaming (2011), somadas as antigas e atemporais “Here I Am” e “ Big Guns”, mostram que a carreira de Sebastian não ficou parada no tempo após sua saída da banda, muito pelo contrário.

“Tião” – apelido que ganhou dos brasileiros em sua última passagem pelo país ao lado do Guns ‘n’ Roses, em 2010 – puxa para si mesmo um coro, mostrando-se totalmente familiarizado com a palavra, há quem diga, que ainda Sebastian pretende fazer uma tatuagem com nome. Isso será repetido muitas vezes durante a noite, além de estar escrito em grande parte dos cartazes, e bandeiras que foram mostrados e arremessados ao músico durante o show. Além de claro, como é de se esperar em clássico show de hard rock, uma calçinha foi jogava por uma fã, após analisar e se dar conta do que era o tal objeto, Bach a pendura no pedestal do guitarrista Johnny Chromatic.

Além de Johnny, a banda de apoio de Sebastian Bach ainda conta com Bobby Jarzombek (bateria), Jason Christopher (baixo) e o mais curioso, o novato Nick Sterling, a grande aposta de Sebastian, chama a atenção não somente pelo rosto, que lembra de um mero adolescente, como tanto, mas também por sua habilidade enquanto guitarrista, e até mesmo backing vocal, o que de fato foi uma surpresa para mim, o músico que aparenta ser um pouco tímido ainda nos palcos, já dá sinais de que foi certa a escolha de Bach.

Após alguns minutos de pausa, Tião volta ao palco vestindo uma camiseta da seleção brasileira, número 9, e canta a capela o medley de “In a Darkness Room” e “Quicksand Jesus”. Seguidas por “As Long as I Got the Music”.

Chega então o momento mais engraçado, e assim podemos literalmente dizer, da noite. Sebastian pergunta como se diz “monkey” em português, o vocalista já adianta dizendo “macaco”, porém o público ainda o ajuda até que sua pronuncia fique perfeita. Seguro de que já aprendeu a lição, Sebastian canta “Monkey Business” inteira subistituindo “monkey” por “macaco”, causando risos a todos, e mostrando também sua versatilidade.

Com a toalha na cabeça, o guitarrista Johnny brinca com restante da banda, além de perguntar ao público o que acham do seu novo visual. Sebastian também chama ao palco um de seus rodies, dizendo que ele fezia aniversário naquela noite, e merecia uma comemoração no melhor estilo hard rock. Após o momento de descontração, os primeiros de acordes de “I remember you” começam a ser tocados, a mais famosa balada do Skid Row, fez centenas de cameras serem erguidas, substituindo os antigos isqueiros usados nos shows nos anos 90.

Chega então o momento final, Sebastian mostra a tatuagem que tem em seu braço e pede para o público repetir, era o sinal de que “Youth Gone Wild” seria a próxima, e muitos já ensaiavam cantá-la. Com alguns problemas no seu microfone, Bach seguiu cantando normalmente, enquanto um roadie o auxiliava seguido por um coro uníssono.

A apresentação dos músicos que o acompanham Sebastian deixou para o final, bem humorados, os músicos se divertiram, além de mais uma vez, pedirem para que o público aplauda Tião!

Com a casa cheia pela segunda vez consecutiva, Sebastian Bach não poderia ter feito seu retorno de forma melhor, o vocalista que mencinou diversas vezes durante seu show, que o público brasileiro era o melhor que já tinha visto, deixou bem claro que não existem mais ressentimentos entre ele e o Brasil. E sua vinda há dois anos com o Guns ‘n’ Roses, era apenas a oportunidade que faltava para ambos.

Com certo ar de nostaugia vindo dos clássicos, atrelado as novas composições, Tião trouxe o hard rock dos anos 80 e 90 de volta a São Paulo, e se depender do mesmo, o estilo está longe de ter um fim próximo.

 

Set List Sebastian Bach

Slave to the Grind
Kicking & Screaming
Dirty Power
Here I Am
Big Guns
(Love Is) A Bitchslap
Stuck Inside
Piece of Me
18 and Life
American Metalhead (PainmuseuM cover)
Medley – In a Darkness Room / Quickstand Jesus (capela)
As Long as I Got the Music
Monkey Business
My Own Worst Enemy
Wishin / I’m Alive
I Remember You
Tunnelvision
Youth Gone Wild

Confira a galeria de fotos do show do Sebastian Bach:

Agradecimentos: Dark Dimensions Produções

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