Judas Priest & Whitesnake – 11-09-2011 – Rio de Janeiro, RJ (Citibank Hall)

Texto por Rodrigo Gonçalves

Fotos por Bruno Prado e André Braga

Figurinhas carimbadas nos palcos brasileiros, as bandas britânicas Whitesnake e Judas Priest desembarcaram no Rio de Janeiro para o segundo dos quatro shows que fariam no país com objetivos bastante distintos. Se o Whitesnake estava disposto a mostrar aos cariocas músicas do novo disco e que ainda está muito bem apesar do set list reduzido, o Judas Priest queria mostrar a todos que, apesar dos planos para aposentadoria e desconfiança geral com o novo guitarrista, tudo continua as mil maravilhas com a banda. E foi exatamente o que aconteceu.

Um aviso para você que há anos freqüenta shows de rock e ainda não aprendeu: dentro da casa de shows também se vende cerveja. Cinco minutos antes de o horário marcado para o inicio do show, o guitarrista Reb Beach entrou no palco correndo de um lado para o outro feito uma criança dando indicações de que o show ia começar no horário. Aí, amigo, o que teve de gente pegando celular para avisar amigo bebum que ainda se encontravam pelos bares e restaurantes do shopping onde está localizado o Citibank Hall foi um negócio absurdo.

E foi assim que muita gente perdeu o começo arrebatador do show com a ótima Best Years do disco “Good To Be Bad” de 2008. Vale ressaltar que nessa hora o som estava muito alto, a bateria se sobressaia perante a voz de David Coverdale que, aliás, estava muito rouca. O primeiro clássico a ser executado na noite, “Give Me All Your Love”, fez o público acordar e cantar cada palavra. Antes de “Love Ain’t No Stranger”, Coverdale se dirige pela primeira vez ao público carioca e pede para que o público cante junto. Pedido feito, pedido atendido também em “Is This Love”. “Steal Your Heart Away” e “Forevermore” foram as primeiras músicas do novo disco a serem executadas. Pena que toda a empolgação foi quebrada com um solo de guitarras, o famoso momento para ir ao bar.

Após o solo, “Love Will Set You Free” foi a última música de “Forevermore” a ser apresentada e duas coisas chamaram a atenção. O discurso de Coverdale dizendo que quando foram escrever o novo disco, ficou claro que deveriam escrever uma música para os fãs como forma de agradecer todo o apoio e amor que receberam nesses anos de todos de estrada do Whitesnake. A outra coisa que ficou clara foi a pouca empolgação dos cariocas com o novo material, o que é realmente uma pena, pois o disco novo é muito bom e não deixa nada a dever aos grandes clássicos da carreira da banda. Mais um solo, dessa vez um de bateria, e uma ótima oportunidade de ir ao banheiro e comprar mais uma água.

Na volta, a banda seguiu para a parte final do show abrindo os trabalhos com o clássico “Here I Go Again”, que foi cantando a plenos pulmões, seguida da sensacional “Still of the Night”, que demonstrou a categoria de todos os músicos. Responda rápido: o que você mais gostaria de ouvir, um medley das músicas “Children of the Night/Bad Boys” ou os clássicos do Deep Purple, “Soldier of Fortune”, “Burn/Stormbringer/Burn”? Numa das poucas trocas de setlists ocorridas na tour, a banda resolveu tirar as duas primeiras do set e encerrar o show com as músicas que fizeram sucesso com o Deep Purple e há anos fazem parte do seu show. Destaque total para “Soldier of Fortune” cantada à capela por David Coverdale. Fato curioso é que o Citibank Hall inteiro parou para acompanhar a emotiva interpretação do cantor. “Burn” e “Stormbringer” fecharam o show de maneira sensacional.

Considerando tudo, foi um ótimo show, a dupla de guitarrista Reb Beach/Doug Aldrich (com o primeiro se destacando bastante nos backing vocals) é uma das melhores que a banda já teve e quem falar que David Coverdale não consegue mais cantar, só pode estar ruim da cabeça. Embora tenha sido um ótimo show de abertura, nada me tira da cabeça de que o Whitesnake deveria ter vindo para fazer um show como atração principal da noite…

Best Years / Give Me All Your Love / Love Ain’t No Stranger / Is This Love / Steal Your Heart Away / Forevermore / Solo de Guitarra / Love Will Set You Free / Solo de Bateria / Here I Go Again / Still of the Night / Soldier of Fortune (Deep Purple cover) / Burn / Stormbringer (Deep Purple cover)

Imediatamente após o final do show do Whitesnake, um gigantesco pano preto com a palavra “Epitath” cobre o palco todo do Citibank Hall, impedindo que os fãs vejam o trabalho dos roadies e a cenografia do palco.

Quarenta minutos após o final do show, os acordes do clássico do Black Sabbath, “War Pigs”, dão a senha de que em alguns instantes os deuses do metal estarão em cima do palco. Dito e feito. O som ambiente é desligado, as luzes se apagam e a banda entra em cena detonando a dobradinha do clássico “British Steel” de 1980, “Rapid Fire” e “Metal Gods”. Durante “Heading out to the Highway”, Faulkner começava a se destacar com um bom solo e ótima participação nos backing vocals. Após “Judas Rising”, Halford fala com o público e diz que naquela noite o quinteto irá nos levar numa jornada pela vida e história do Judas Priest que será contada através de sua música. E ele não estava brincando quando disse isso. Olha a trinca que os caras tocaram: Starbreaker (telão estrelado), “Victim of Changes” (com Richie ao lado de Glenn fazendo a intro da música) e “Never Satisfied” (música do primeiro disco e que foi sucesso na carreira solo do vocalista).

Novamente falando com o público, Halford comenta que nos 40 anos de carreira da banda, eles sempre se interessaram em pegar músicas de outros artistas e dar a elas “um tratamento do Judas Priest”. Foi assim que eles resolveram gravar “Diamonds and Rust”, música que lhes foi enviada pela própria artista que a compos, a cantora folk Joan Baez e que acabou se tornando um dos grandes sucessos do grupo de Birmingham.

“Night Crawler” e “Turbo Lover” além de empolgarem, precederam um dos pontos altos da noite: “Beyond the Realms of Death” contaram com uma interpretação maravilhosa de Halford e um solo sensacional de Glenn Tipton, fatos que fizeram me sentir como se estivesse vendo um show do Judas Priest em 1976. Tá pensando que acabou? “The Sentinnel” levou o público a loucura e logo em seguida a casa foi tomada por luzes vermelhas, o que só poderia significar uma coisa: “Blood Red Skies”, grande música do subestimado “Ram It Down” de 1988. “The Green Manalish” foi o outro cover da noite, dessa vez do Fleetwood Mac e “Breaking the” Law foi inteiramente cantada pelos cariocas, fazendo lembrar o histórico show de Rob Halford no Rock in Rio III.

Um breve solo de bateria e “Painkiller” foi executada com Halford cantando-a de maneira brilhante. Era chegada à hora da pausa para o bis e, quando os músicos retornaram, foi uma paulada atrás da outra até o final do show. “The Hellion/Eletric Eye” foram cantadas do começo ao fim, assim como “Hell Bent For Leather”, que contou com a tradicional participação da moto Harley Davison em cima do palco. “You’ve Got Another Thing Coming” encerrou a segunda parte do show e “Living After Midnight” encerrou a noite em clima de festa.

Já era mais de uma hora da manhã quando o Judas Priest despediu-se do público, dando fim a mais uma noite genial de rock na cidade maravilhosa. Durante as quase quatro horas do evento, pudemos ver de tudo. Dois vocalistas sessentões no alto de sua forma, uma grande banda que poderia ter feito um show bem melhor se tivesse caprichado um pouco mais no setlist, outra que, embora esteja querendo diminuir o ritmo, se encontra em um dos melhores momentos da carreira, com um novo guitarrista que deu um novo sopro de vida, entusiasmo e se preparando para sair de cena de vez. Mas, não importa o que aconteça daqui para frente, Judas Priest e Whitesnake já estão marcados como um dos grandes nomes da história do Rock.

Setlist:

Rapid Fire / Metal Gods / Heading Out to the Highway /Judas Rising /Starbreaker
Victim of Changes / Never Satisfied / Diamonds & Rust (Joan Baez cover) / Dawn Of Creation / Prophecy / Night Crawler / Turbo Lover / Beyond the Realms of Death / The Sentinel / Blood Red Skies / The Green Manalishi (Fleetwood Mac cover) / Breaking the Law / Painkiller / The Hellion / Electric Eye / Hell Bent for Leather / You’ve Got Another Thing Comin’ / Living After Midnight

 

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