Slayer – 09-06-2011 – São Paulo (Via Funchal)

Por Leandro Cherutti

O Via Funchal ficou pequeno ao receber uma das maiores bandas de Thrash Metal do Mundo, Slayer, que após quatro anos e nove meses retornou a São Paulo com a World Painted Blood Tour, fazendo com que os fãs migrassem de suas residências e muitos diretamente de seus respectivos trabalhos, pois o show foi em uma plena quinta-feira. Mas mesmo se tratando de um dia de semana o público compareceu em massa, a abertura ficou a cargo da brazuca Korzus que esta na divulgação do release “Discipline of Hate” e comemorando 25 anos de estrada.

A veterana banda Korzus, subiu ao palco às 21h e assim Marcello Pompeu (vocal), Dick Siebert (baixo), Heros Trench (guitarra), Antônio Araujo (guitarra) e Rodrigo Oliveira (bateria) após uma introdução iniciaram com “You Reap What You Sow”, o som estava muito alto, deixando as guitarras e o vocal estridentes demais, desfigurando um pouco a faixa, Pompeu agradeceu a todos que estavam ali apoiando o metal e respectivamente o Korzus e não perdeu tempo em anunciar pedrada atrás de pedrada “Truth”, “Discliplene of Hate”, ”Raise Your Soul” foram às próximas. Com a galera mais do que aquecida, Pompeu convoca a todos a mostrarem o sinal da indignação para nossos políticos, “o dedo do meio” e convoca uma nova revolução, é a deixa para mais um som novo participar da festa “Revolution”, neste momento Pompeu pede um super apoio ao Korzus, pedindo para que todos cantassem à frase, “I See Your Death” e grita o nome da canção “What Or Looking For” do disco “Ties Of Blood”.

Antes da última música, Pompeu faz alguns agradecimentos, a amigos, equipe e principalmente aos headbangers presentes, e manda a saidera “Never Die” infelizmente o problema do som persistiu até o fim, a banda deixou o palco após 40 minutos de pancadaria, pouco para uma banda como o Korzus, Pompeu antes de sair em definitivo do ambiente, fez com que todos gritassem “Slayer, Slayer, Slayer!”.

Chegou à hora de tomar um fôlego, comprar uma cerveja e esperar, o intervalo foi razoavelmente curto, não mais que 20min, os fãs eufóricos clamavam pelo Slayer, e não demorou muito para os músicos atenderem ao pedido, tomando o palco para si, a canção que abriu a noite foi à mesma que da titulo ao mais recente disco “World Painted Blood”, um gigantesco coro acompanhou a sua introdução, e seu fácil refrão foi muito cantado pelos fãs.

Na seqüência veio outra nova ”Hate Worldwide”, em minha opinião, ambas as faixas possuem um trimbre e uma pegada que lembra em muito o álbum “Seasons in the Abyss” e falando nisso a banda mandou à próxima, que nada mais nada menos é “War Emsemble” a euforia foi total e não poderia ser diferente, quando a faixa se aproximava de seu fim em meio o solo de Kerry King o som é cortado, em primeiro momento os músicos não perceberam a falha na aparelhagem e continuaram com a apresentação, os fãs então assumiram os vocais cantando a restante da música, momento inesquecível e marcante, demonstrando a integração entre banda e fãs, logo após um ato de protesto o público mandou um alto e barulhento coro com o seguinte dizer “ Ei Via Funchal Vai Tomar no C***” e incentivaram ainda mais a banda com um “Olê Olê Olê Slayer, Slayer!”.

Entre a segunda e terceira música tivemos um intervalo de 7min até que o problema fosse sanado, com tudo resolvido um maravilhoso clássico chegou “Postmortem”, simplesmente um convite para todos banguearem. Tom Araya de longe não é um dos melhores baixistas do mundo, ele próprio já reconheceu isto, mas em compensação possui um carisma, uma presença de palco e um vocal matador, tomando facilmente em suas mãos toda a platéia, um dos melhores frontmans de Metal Extremo. Logo tivemos “Temptation” um som que não se faz muito presente nos sets da banda e “DittoHead” que conduziu um mosh enfrente ao palco, “Stain of Mind” do cd “Diabolus in Musica”, veio juntamente com a cativante “Disciple” do ótimo “God Hates Us All”, o público enlouquecido dividiu os vocais com Tom, cantando em alto e bom tom, mas isto não foi nenhuma surpresa, os fãs até o momento cantaram todas.

Para os desavisados Kerry King possui tatuado em seu braço esquerdo a frase “God Hates Us All”, Kerry é exímio nas 6 cordas se portando de forma impecável no palco, o seu jeitão de tocar bangueando nos leva a banguear junto, ao seu lado tivemos Gary Holt (Exodus) que esta substituindo temporariamente Jeff Hanneman nesta turnê, excelente guitarrista mas indiscutível que sem Jeff, o Slayer esta mais do que desfalcado, é como se um braço do Slayer tivesse sido amputado. Uma surpresa para mim foi a execução da matadora faixa “BloodLine”.

Araya conversou um pouco e anunciou “Dead skin mask”, neste momento é estranho ver o duelo entre as guitarras e não ver Jeff Hanneman do lado esquerdo do palco é algo surreal ver Kerry King e não ver o seu parceiro Jeff Hanneman, após uma faixa lenta veio a rápida “Hallowed Point” para subir a adrenalina, viajando no tempo, voltamos aos primórdios da banda com “The Anti-Christ”, um hino do Thrash Metal. Outras que não deixaram a desejar foram as novas “Americon” e “Not Of This God” a interação entre banda e fãs era notável e para colocar isto em prova veio “Mandatory Suicide” que é um item indispensável pela banda e muito esperada pelos fãs.

O que não faltou foram pessoas chacoalhando as cabeças nesta ocasião, à rápida e caótica, “Chemical Warfare” mostrou toda experiência e técnica de Dave Lombardo, o cubano não poupou fôlego e demonstrou toda a sua a precisão nas baquetas, marcando como ninguém o ritmo. “Ghost of War” só veio para reforçar ainda mais a destreza de Dave Lombado, a extensa e cadenciada “Seasons in the Abyss” veio para arrepiar com sua melodia calma, “Snuff” outra cria do World Painted Blood soou muito bem ao vivo, se encaixando como uma luva no evento, e assim a banda se retirou do palco, nos aproximamos da parte final, é hora do bis.

“South of Heaven” foi à primeira após a volta, muito ovacionada em sua execução, chegou o momento que muitos esperavam um dos pontos mais alto do show, para aqueles que desejavam ouvir trovoadas em pleno Via Funchal, é hora de lavar a alma com uma chuva de sangue, “Rainning Blood” fortíssima como uma tempestade, e destruidora como um tornado, chegou para abrir rodas na pista, fazendo com que todos agitassem, até mesmo aqueles que não curtem uma roda, se viram perdidos próximo a uma. Mas ainda não acabou, faltam duas, sendo a antepenúltima “Black Magic” que dispensa qualquer comentário sobre ela. A última foi a música que fez com que a banda fosse acusada de nazismo, somente porque relata a história do médico alemão Josef Mengele que atuou no regime nazista promovendo horripilantes experiências em seres humanos, seu apelido em alemão era Todesengel , em inglês “Angel of Death” este petardo foi o golpe final que atingiu os tímpanos dos fãs.

Clássicos indiscutíveis como “Die By Sword”, “Silent Scream”, “Hell Awaits” entre outros não fizeram parte do repertório, mas isto só demonstra a grandeza do Slayer, que possui uma carreira repleta de clássicos, podendo se da o luxo de deixar algumas de fora, sem comprometer em nada suas apresentações.

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