Whitesnake: melhor agora do que em 2005?

david coverdale - Steve Johnston

por Rodrigo Gonçalves
Repórter/Fotografo – Equipe RJ
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towlie@metalrevolution.net

Em 2005, me lembro de ter escrito que na ocasião da apresentação conjunta do Whitesnake com o Judas Priest, quem realmente se destacou foi a banda de David Coverdale que, por sinal, deixou o Judas Priest em maus lençóis ao fazer um maravilhoso show de abertura. E isso tudo com menos de uma hora disponível para fazer seu show e com uma fila interminável de clássicos para escolher para formarem o repertório do mesmo. Em 2008 a banda saiu em turnê para divulgar seu mais novo disco de estúdio (o primeiro em 11 anos), Good To Be Bad, que será lançado no mês
que vem.

Em março foram anunciadas várias apresentações em terras brasilis. Diante da ótima impressão deixada em 2005, uma questão tem ecoado freqüentemente na minha mente perturbada: O que esperar dos shows desse ano? Será que a banda irá conseguir superar as apresentações de 2005?

Vamos tentar responder essas questões, mas, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes. O fã mais desavisado ou o ouvinte ocasional podem não ter se dado conta, mas os últimos anos tem sido de trabalho intenso para David Coverdale e seus comparsas. Em dezembro de 2002, David decidiu que era hora da banda voltar à ativa e recrutou alguns renomados músicos para essa nova empreitada. Dentre esses músicos, destaco a dupla de guitarristas, Reb Beach e Doug Aldrich. Aliás, David parece ter encontrado nesse ultimo um parceiro musical como há muitos anos não tinha. Doug tem tudo para se tornar alguém tão importante como Adrian Vanderberg na história da banda.
Se em 2005 a banda tocou cerca de treze musicas (sendo dois solos) durante pouco menos de uma hora, dessa vez a banda está tocando cerca de dezoito musicas no dobro do tempo. Infelizmente os dispensáveis solos ainda continuam firmes e fortes no set na lista de musicas da apresentação. Em comparação ao set list que foi executado na noite de oito de Setembro de 2005.

Em um breve comparativo com o set list executado em 2005, as duas unicas músicas que a banda está executando de diferente hoje em dia, são os clássicos “Fool For Your Loving” e “Ain’t No Love In The Heart of The City”. Só isso. Muito pouco para uma banda do porte do Whitesnake e que conta com um catalogo de sucessos de fazer inveja há muitas bandas com vários anos de estrada. Tudo bem que o David Coverdale já não é mais nenhum garoto, mas o cara ainda está em ótima forma e é perfeitamente capaz levar um set 100 minutos numa boa, sem qualquer tipo de comprometimento a sua perfomance.

Apesar de o disco novo ser muito bom a banda escolheu apenas três musicas para entrar em seu repertório, Best Years, Lay Down Your Love e All for Love. Best Years é claramente uma homenagem aos momentos que a banda tem vivido nos últimos anos, desde que David Coverdale decidiu que hora de fazer o nome Whitesnake brilhar novamente. Lay Down Your Love tem uma semelhança absurda com o hiper-ultra-mega hit “Still of The Night”. Tem até a repetição do vocal em estilo “Zeppeliano” do Coverdale. All For Love é uma daquelas musicas que você a escuta pela primeira vez, já sabe logo de cara que se trata de um clássico. Além de sair cantando imediatamente o seu refrão.

Falar de set list com uma banda como o Whitesnake é algo extremamente complicado dado o catalogo impressionante de sucessos e boas musicas que a banda possui. Pessoalmente eu acho que não existe um set list ideal para uma banda como essa. Aliás, tal coisa não existe para banda nenhuma. E numa nota mais pessoal ainda, devo dizer que tenho pensamentos e idéias bem especificas sobre com relação ao set list. A mais importante delas é que acho que a banda deveria voltar mais os olhos para suas raízes, tocar mais material dos quatro primeiros discos, da fase mais blues de sua história. Ou ao menos tentar mesclar de maneira mais efeticva esse material com os hits pós 1983 e as musicas do novo album. Como esses caras me deixam a maravilhosa balada “Summer Rain” de fora desse set list? Conheço pelo menos uma pessoa que adoraria ouvir essa musica ao vivo e que choraria alguns litros se essa musica fosse tocada no Brasil. Sem falar nas musicas do começo da carreira de David, quando ainda fazia parte do Deep Purple. Wath’s Going On Here e Soldier of Fortune são bons exemplos disso. Mas eu sei que essas duas ultimas são apenas devaneios de minha cabeça desocupada.

O fato é que apesar dos meus devaneios, rabugentices e restrições quanto ao set list, banda têm feito ótimos shows, acabou de gravar um album maravilhoso após um hiato de 10 anos (algo que o mais ardoroso dos fãs não esperava) e tem feito a alegria dos fãs por onde passa. O que mais podemos pedir de uma banda com 30 anos de estrada? São fatos como esse que, somados, me dão a esperança de que a banda ainda tem alguns brilhantes anos pela frente antes de encerrar as atividades de uma vez por todas. E dessa vez, de forma digna, diga-se de passagem.

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