ESPECIAL FESTIVAIS: TOMAROCK - RJ


21/03/05 - Por Bruno Prado - Equipe RJ
O Metal Revolution inicia uma série de matérias sobre Festivais independentes Brasil a fora. O primeiro escolhido é o tradicional Tomarock, que agita uma vez por mês a noite rocker carioca

Quem curte rock/metal e mora em cidades mais afastadas talvez não tenha escutado algo sobre ele. Quem mora no Rio, São Paulo ou Belo Horizonte talvez já tenha escutado alguém falar sobre, sem saber por completo do que se trata. E quem tem uma banda... bom, quem tem uma banda certamente conhece o TomaRock. Ou pelo menos deveria...

O TomaRock é um festival de bandas de Duque de Caxias, na baixada fluminense, realizado a cada duas semanas, e que está se tornando um paraíso do Rock. Portanto, esqueça tudo que você já viu sobre organização de shows em geral, o TomaRock é diferente!

Pra começar, o valor do ingresso quase sempre é de R$3,00 reais, e já houve eventos por R$1,00. Isso mesmo, UM REAL!!!! O valor da entrada só varia quando há alguma banda de maior expressão cobrando um cachê elevado para os padrões do underground carioca, fato que ocorre muito raramente.

Se o preço da entrada já seria um bom atrativo, o valor das bebidas e alimentos dentro do local seria caro, certo? Errado! No TomaRock não existem preços absurdos para o público, e muito menos consumação mínima.

Pra se ter uma idéia, o preço médio de uma lata de cerveja dentro do local é o mesmo de qualquer bar ou padaria. Além do mais, existe o famoso X-Tomarock (entre outros sanduíches) que simplesmente arrasa sua fome! O tal “sanduba” é uma pequena variação de um X-tudo, rebatizado para X-Tomarock e com alguns ingredientes a mais. O preço? R$1,50!!! Não é preciso nem dizer que ele já é um sucesso absoluto, e tem gente dizendo que ele é mais saboroso até do que aquele “Big” da lanchonete do palhaço americano...

Infelizmente (ou felizmente) a atração foi tão aprovada que ficou em falta no TomaRock (mas segundo a organização, já estão providenciando). Fora esta, existem outras opções de um bom “rango”, como a batatinha frita com queijo por cima... uma delícia!

Você provavelmente deve estar pensando – “se a entrada é barata e os preços são normais, o local deve ser uma bosta!” – seria óbvio pensar que o barato sai caro não é? Só que mais uma vez o festival surpreende. O local é muito agradável e tem dois ambientes. Um coberto, onde se apresentam as bandas e fica o bar, e outro descoberto, onde ficam tendas espalhadas por toda parte vendendo camisas, chaveiros, bonés, bandeiras, CDs e tudo que você possa imaginar, e de todo tipo de banda, tanto underground, quanto famosa. Lá também é um bom espaço pra “caçar” seu tipo de gata(o) preferida(o). Aliás, não posso deixar de comentar que o TomaRock é cheio de gatas por todos os lados!!


O festival é eclético, e já tocaram nele desde as bandas mais calmas até as mais pesadas. O estilo não é pré-requisito, e o festival costuma misturar punk/grunge com metal/progressivo e até new metal.

O público (em média 1.000 pessoas) é fiel e respeitador, os seguranças têm a moral necessária para coibir certos exageros mas também entendem seus limites e procuram não abusar nas proibições. Em função disto, houve somente um único incidente em mais de 30 edições do festival, o que mostra que Rock e Paz combinam muito bem, basta ter uma boa organização.

Se a essa altura muitos devem estar se perguntando se este lugar existe de verdade, vão ficar assustados com outra qualidade do local: o tratamento dado às bandas.

O TomaRock é um dos raros locais no Rio de Janeiro (e me arrisco a dizer, no Brasil) em que as bandas realmente são respeitadas. Pra começar, o festival aboliu o vício estúpido da maioria das casas de show de obrigar as bandas a vender ingressos. Além disso, itens fundamentais que são ignorados por outros lugares sobram no TomaRock, tais como: uma boa estrutura, camarins, segurança para os instrumentos e equipamento sonoro adequado. E como se ainda não bastasse, dependendo do lucro, a banda ainda leva um bom cachê pra casa.

O processo de escolha das bandas é muito simples. Você envia seu material, que é analisado por uma comissão. Se aprovado, sua banda entra na fila, que demora cerca de 4 meses devido a imensa quantidade de material. Caso não seja aprovado, não se preocupe, há ainda a possibilidade de sua banda abrir algum show no TomaRock ou ainda ser indicada para outros festivais conhecidos da organização, com um padrão diferente. Ou seja, você nunca fica sem resposta.


É por essas e outras que este festival está mexendo com a cena underground do Rio, e se tornando a “menina dos olhos de ouro” de quem tem uma banda. Seu sucesso foi tão grande que ele já conta com bandas de outros estados, de outros países (recentemente a organização recebeu material da Argentina) e até bandas com certo renome, como Matanza e Torture Squad.

Toda essa estrutura proporcionou à organização uma moral tão elevada que os donos do local onde é realizado o TomaRock, acabaram com os eventos de pagode e funk para abrir mais espaço para o Rock. Com isso, todos os domingos foram reservados para shows de Rock, fato que deixou a organização tranqüila para pôr em prática outro projeto: o Dynamo Fest!

O Dynamo nada mais é do que um TomaRock só de Heavy Metal. Na próxima matéria estarei escrevendo sobre ele e sobre suas perspectivas de crescimento, bem como as atrações passadas e futuras. Por enquanto, fiquem com a entrevista realizada com o Luciano, um dos principais organizadores do TomaRock:

Metal Revolution: Como surgiu a idéia de se montar um evento como este? Como surgiu a idéia do nome do festival?
Luciano:
O TomaRock nasceu do fato de todos os eventos de rock de Caxias (Duque de Caxias) terem se acabado, então decidimos faze-lo, pra tentar ressuscitar a cena rock de Caxias.
Sobre o nome, tínhamos vários nomes toscos, como “Santuário do Rock ” e “Pedrock”, até que um dia vendo Jornal Nacional, e vendo a guerra contra o Afeganistão, eu ouvi o nome “Tomahawk”, aí adaptei pro rock: TomaRock.

Metal Revolution: Que tipo de som a galera mais pede pra tocar?
Luciano:
New metal, new metal e new metal. É incrível, mas a galera daqui não enjoa de "toxicity" do System of a Down. Na realidade, tudo que toca na rádio eles gostam!

Metal Revolution: O Heavy Metal tem uma boa aceitação do público?
Luciano:
Não tanto, não é todo mundo que curte metal, por isso criei com a Insano Produções o Dynamo Fest que é um evento só de Metal. E tem um publico de umas 400 pessoas.

Metal Revolution: Sobre o preço. Há algum segredo pra se cobrar tão barato já que 90% dos outros eventos são tão caros?
Luciano:
O valor é bem justo, dá pra pagar o som e as outras despesas que temos e ainda dá um lucro mínimo. Nada exorbitante.

Metal Revolution: Surge muito invejoso na área, querendo falar mal do festival ou até fazer alguma coisa? Caso positivo fique a vontade pra contar alguma historia.
Luciano:
É, o Tomarock cresceu e incomodou os vizinhos do Educandário Cruzeiro do Sul, eles fizeram um abaixo assinado com mais de 400 assinaturas pra tirar o Tomarock de lá, conseguiram.

Metal Revolution: No ramo do Heavy Metal, quais as suas bandas favoritas a passar pelo festival? Tem alguma que você sonha em trazer?
Luciano:
Trouxemos o Torture Squad em outubro, rolou uma porradaria generalizada no show deles, quem faz o Tomarock comigo não quer fazer mais shows de metal extremo aqui, mas eu penso em trazer Korzus e Krisiun, se vai ser Tomarock eu não sei. Criar um novo evento é mole.

Metal Revolution: O público metaleiro é mais agressivo que os outros?
Luciano:
Geralmente não, mas nesse dia do show foi uma galerinha que depois eu soube que sempre arrumam brigas em show de metal extremo. Esse caso do show do Torture Squad, foi um caso isolado.

Metal Revolution: Existe algum sonho sobre o festival? Já pensaram sobre algo maior ainda?
Luciano:
Creio que as coisas crescem naturalmente. Desde o primeiro que teve 300 pessoas para esse ultimo q deu 1.200 já é um crescimento. O Tomarock poderia ter crescido mais, não cresceu por que é um evento feito por muita gente (4 pessoas) e logo surgem opiniões e idéias diferentes.



Metal Revolution: As bandas têm uma relação de respeito com a organização? Como é essa relação?
Luciano:
É o único lugar em que as bandas não pegam ingresso pra vender, não tem que pagar taxa alguma, e se der dependendo da localidade da banda rola uma ajuda de transporte, ainda rola um camarim regado de frutas, biscoitos, refrigerante e um monte de pãezinhos de alho, presunto, queijo, etc.... isso não tem em lugar algum, se tem me fala que eu ligo pro produtor e elogio ele agora! E automaticamente rola um respeito por que nós respeitamos as bandas.

Metal Revolution: Muita gente comenta sobre o X-Tomarock, dizem que é até melhor que o McDonald's. Fale um pouco sobre isso.
Luciano:
Pô era bom né? a Carol que fazia, mas acabou no momento em que fomos pro Barracão Show Beer (nome do local) e não precisávamos mais nos preocupar com comida e bebida no bar.

Metal Revolution: Você acha que rola algum tipo de preconceito do público com o estilo das bandas?
Luciano:
Cara, não tem que rolar preconceito, tem banda pra todos os gostos, punk, grunge e metal. Já coloquei uma banda de Death Metal depois de uma banda de Grunge e antes de uma de rock anos 60. E a galera se amarrou.

Metal Revolution: Por fim, quais os objetivos do festival e quais metas ele pretende alcançar?
Luciano:
Ele ficar do jeito q é o “Mada” no rio grande do norte e o “Abril Pró Rock” em Recife.