VENOM
ABERTURA: NERVOCHAOS,
GENOCIDIO, DOOMSDAY CEREMONY
VICTORIA HALL, SÃO CAETANO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Renata Petreli (metalrevolution.net)

Venom, para muitos esse nome já diz tudo. Uma banda histórica, que já tem seu nome gravado no hall de grupos que trouxeram uma contribuição marcante e que vieram a acrescentar algo a mais para a música pesada. Independente do estilo de metal preferido pelos headbangers dentro da grande diversidade existente (do progressivo ao death, do melódico ao black), não importa se o fã de metal aprecia ou não a vertente musical praticada pelo trio liderado por “Cronos”, é impossível negar a contribuição deste grupo. Para aqueles que não conhecem, cabe uma rápida apresentação. Surgida nos idos anos de 1979, estes ingleses vieram junto com a “NWOBHM” sendo umas das bandas que mais influenciou o thrash e o death metal, para muitos (assim como para este que vos escreve) é a banda precursora do estilo Black metal, dando origem a este subgênero com seu primeiro petardo intitulado “Welcome To Hell” lançado em 1981. Mas foi com o segundo álbum, lançado em 1982, que consolidaram o seu som característico. Intitulado simplesmente “Black Metal”, eis que surge pela primeira vez este nome, dando origem a este novo gênero musical. Para os brasileiros, este fator trás ainda mais um adendo. Esta é a segunda passagem da banda por terras tupiniquins, tendo sido a primeira em 1986 ao lado do Exciter. Lá se vão 23 anos e muitos dos presentes no show de 2009 nem eram nascidos na primeira vez que eles vieram em nosso país. Portanto, foi uma grata surpresa quando a produção da Rádio Corsário anunciou este show em São Caetano.

Venom  - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Assistir ao show do Venom não quer dizer que o espetáculo trata-se apenas do show em si, mas toda a “aura” que tomava aquele dia tão único. Para começar o show não foi realizado em uma grande casa de eventos de SP, mas sim no Victoria Hall em São Caetano (vizinha da capital paulista). Para aqueles que assim como esse repórter vieram de outros lugares do Brasil, havia a primeira preocupação: como chegar lá? Coisa mais fácil do mundo! Rodoviária e estação de Trem praticamente a 10 minutos do local. Segunda indagação, como seria o local do show? Vim, a saber, que era um antigo cinema que hoje é uma casa de shows. Com uma fachada acanhada onde se via apenas uma faixa com o logo do Venom, tudo lembrava aquela atmosfera underground que o Venom (e o próprio black metal) nasceu. O público aos poucos foi chegando, e em uma total atmosfera de retorno ao início dos anos 80, víamos pessoas para todos os lados com roupas de couro, coletes cheios de paths de antigas bandas de thrash e death, camisetas de bandas que hoje nem existem mais, todos espalhados pelos inúmeros bares e lanchonetes nos arredores do Victoria Hall confraternizando, uma imagem realmente empolgante de se ver. Ao adentrar na casa veio minha primeira surpresa, haviam poucas pessoas lá dentro, fato era que muitos estavam do lado de fora e deixaram de prestigiar os shows das excelentes bandas nacionais de abertura. Infelizmente ainda vai levar tempo para esta cultura generalizada de que bandas gringas são melhores que as nacionais mudar e passarmos a dar valor para nossos próprios grupos musicais.

A primeira banda nacional a subir ao palco foram os curitibanos da DOOMSDAY CEREMONY com um black metal vigoroso, visivelmente influenciado pela banda principal da noite. Divulgando seu debut CD intitulado “Apocalyptic Celebration” agradaram os poucos presentes que puderam ver seu show, sendo que entre as músicas que mais agitaram o público pode-se citar “Vutures Of War” e “Vampire Saga”. Logo após um pequeno intervalo de tempo, sobem ao palco a conhecida banda GENOCÍDIO. Capitaneada por Perna, antigo guitarrista da banda e agora tocando contrabaixo, tem seu público fiel, sendo uma das bandas mais antigas de SP ainda do início dos anos 80. Verdadeiros representantes tupiniquins da mistura do Death/Doom, seu som sempre característico envolve todos em suas apresentações. Como destaque em sua apresentação podemos citar o encerramento com a música “Black Magic” cover do Slayer e a nova faixa apresentada para a sua legião de seguidores, “Transatlantic Catharsis”, que estará presente no próximo cd a ser lançado em 2010. A última banda nacional a subir ao palco foi a NERVOCHAOS, com seu Death Metal misturado com um pouco de Hard Core, estão vindos de uma bem sucedida tour européia, os grandes destaques de sua apresentação foram “Cold Feelings” e “Putrid Pleasures”. Três distintas bandas do cenário tupiniquim, sendo duas delas bem conhecidas dos paulistanos. Podemos dizer que todas cumpriram seu dever de agitar o pessoal e servir como aperitivo para o verdadeiro massacre sonoro que estava por vir.

Venom  - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)
O PÚBLICO FALA: “Apresentação maravilhosa!!! Era uma criança quando eles vieram há 23 anos atrás, mas ainda tenho as revistas daquela época guardadas. Certamente foi uma realização vê-los. Apesar dos problemas com o som, o Venom mostrou que ainda mantém a forma e sabe como se faz um show de Heavy Metal. Cronos teve a platéia na mão a todo o momento e o repertório foi impecável!!! Uma verdadeira aula...” - por João Gobo

Já se passavam das 23h30m, agora sim com a casa tomada por uma multidão de fervorosos fãs de Venom, que a banda principal sobe ao palco. Com apenas algumas luzes vermelhas iluminando o palco e o logo da banda aos fundos, em um clima completamente macabro combinando perfeitamente com a atmosfera da banda, inicia-se uma intro sombria. Todos os presentes gritando a plenos pulmões o nome da banda e de seu principal membro, Cronos, ouvem-se ecoar dos PA’s algo que muitos nunca esperavam ouvir no Brasil após 23 anos: "Ladies And Gentlemen... From The Very Depths Of Hell, Venom". E com o público em mãos, Cronos e Rage entram no palco mandando o primeiro petardo da noite, a clássica “BLACK METAL”. Sem deixar o público parar de cantar, emendam com outra clássica canção fazendo a alegria dos presentes, diretamente do debut album de 1981, tocam “WELLCOME TO HELL”. Sem muitas conversas entre uma música e outra, Cronos literalmente mandava uma porrada atrás da outra, pausando raras vezes para agradecer ao publico presente. E seguindo a dobradinha inicial tivemos a execução de “BLOODLUST”, “ANTECHRIST” e “HELL”.

Uma pequena pausa para agradecer aos presentes e falar o quanto é maravilhoso voltar ao nosso país após 23 anos, Cronos anuncia que a próxima canção seria “THE SEVEN GATES OF HELL” que literalmente abre os portais do inferno para as rodas que surgiam entre o povo presente. Emendam com “COUNTESS BATHORY” e a maravilhosa “BURIED ALIVE”. Olhando mais atentamente para Cronos, podíamos perceber que seu baixo possuía duas luzes bem no centro do braço do instrumento. A impressão que passava para todos os que olhavam era de dois olhos vermelhos enxergando a alma de cada pessoa na platéia. E o desfile de clássicos absolutos do metal, mesclados a músicas de seus últimos trabalhos continuavam. Temos a execução de “STRAIGHT TO HELL”, “BURN IN HELL” e “THE EVIL ONE”. Novamente falando com o público, Cronos conta que está sendo uma tour muito gratificante de se fazer, pois aonde vão estão sendo bem recebidos e ovacionados pelo público. Agradecendo aos presentes, anuncia à próxima faixa “RESURRECTION”, emendada por um dos maiores clássicos da banda, o petardo “AT WAR WITH SATAN” que dá nome ao terceiro álbum da banda lançado em 1983. O show já se findava, e para acabar com o pulmão e pescoço dos presentes, soltam a última dobradinha da noite: “WARHEAD” e “METAL BLACK”.

Venom  - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Um pequeno intervalo é feito, e com todos na platéia gritando, Cronos e sua trupe retornam ao palco para tocar as duas últimas músicas da noite no encore. Encerrando o grandioso espetáculo, temos as canções “IN LEAGUE WITH SATAN” e “WITCHING HOUR”. Fim do show e com o pescoço praticamente quebrado de tanto banguear e sem voz no peito, ainda há algumas linhas a serem escritas sobre a atual formação do Venom. Mesmo Cronos sendo o único remanescente da formação original do Venom, o guitarrista Rage e o baterista Antony "Antton" Lant não deixam nada a dever para a formação clássica da banda, aliás, alguns puristas podem até me apedrejar, mas prefiro muito mais o atual batera. Reproduziu com perfeição as músicas gravadas por “Antton”, além de usar uma batera bem menor do que o clássico baterista usava. Rage manda muito bem ao vivo, sempre agitando e distribuindo palhetas no show, tão carismático quanto Cronos no baixo. Fim de noite, retorno feliz para casa devido ao espetáculo visual e sonoro que pude assistir.

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Público - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Primeiramente a Rádio Corsário nas pessoas de Julio Viseu e Milena por mais uma vez terem atendido prontamente a equipe Metal Revolution, além de sempre aturar a pentelhice desse repórter rs. Cabe ressaltar que é gratificante saber que a relação entre a equipe MR e a Radio Corsário ultrapassou as barreiras profissionais de produtora/veículo, hoje posso dizer que tanto Julio Viseu como Milena são mais que parceiros, grandes amigos!!!
- Miriam Martinez, assessora de imprensa pelo atendimento a equipe não apenas neste evento da Corsário, mas no decorrer do ano com as apresentações na Via Funchal;
- Renata Petrelli pela
s imagens que ilustram essa matéria
- Ao meu amigo João Gobo pela ajuda na elaboração desta resenha e participação em “o público fala”.