TIM 'RIPPER' OWENS
ABERTURA: TESMPESTT
ESPAÇO LA FIESTA, SANTOS - SP

Review por Eduardo Jr. - Edição por André Luiz
Fotos por Eduardo Jr. (metalrevolution.net)

Domingo a noite, tempo chuvoso na Baixada Santista, seria mais um simples final de semana no qual minha pessoa gastaria seu tempo ocioso na internet, assistindo TV, vagabundeando por algum pub caiçara ou realizando um Brainstorm Multitemático sobre atividades residenciais ocupacionais com os amigos (enchendo a lata em casa e falando asneira rs) mas, tínhamos um evento especialíssimo para comparecer. Shows grandes em Santos são extremamente raros e justamente por isso, estou presente em todos sempre que possível, até para que a cidade receba os grandes nomes que circulam pelo país de forma constante. Nomes com Gamma Ray, King Diamond, Exodus, Grave Digger, Primal Fear, Paul Di Anno, e agora Ripper Owens já nos deram a honra de suas presenças na Baixada (isto citando apenas os nomes gringos) e faço votos de que mais e mais nomes desçam a serra para nos prestigiar devido a cena forte e de grande valor da região. O público verdadeiro (digo isso pois muitos não apoiam a cena e só aparecem quando convém) em Santos, embora pequeno se comparados a SP ou outra capital metropolitana, é extremamente fiel, comparece sempre aos eventos, e logicamente, todos se conhecem nem que seja apenas “de vista”, se cumprimentam e se respeitam, posso dizer com extrema propriedade que no litoral existe um companheirismo forte entre os verdadeiros headbangers, bandas underground e público em geral, o que torna eventos como este uma veradeira festa de confraternização.

Tim Owens  - por Eduardo Jr. (metalrevolution.net)

Já focando nos shows propriamente ditos e deixando este papo sócio filosófico de lado, diferentemente do que vinha acontecendo por toda a tour com o Ripper, temos desta vez não só como banda de apoio, mas também como banda de abertura, o Tempestt, creio que isto se deve até pelo fato do baixista Paulo Soza ser da região (mais precisamente de Praia Grande), afinal, levar seu som no quintal de casa sempre é uma satisfação maior. O show do Tempestt tem início por volta das 22h, e o que temos é uma apresentação impecável de uma banda de qualidade incontestável, um hard rock envolto a pegada prog metal com identidade e sem se tornar aquela coisa repetitiva e cansativa característica que acompanha muitas bandas do estilo hoje em dia. Durante o set list, composto por músicas do último trabalho da banda entitulado ” Bring 'Em On “ de 2008, o vocalista BJ em homenagem ao grande nome da noite anuncia “ Stand Up And Shout ”, um cover da cinematográfica banda Steel Dragon, do filme Rock Star, filme este que teve como base a história de Ripper Owens junto ao Judas Priest, informação confirmada inclusive pelo próprio Tim em papos com a galera do Tempestt nos bastidores desta tour (logicamente que a produção Holywoodiana fantasiou demais a história, mas, enfim, esta análise deixo para os críticos de cinema, o fato é que ajudou a tornar a figura de Ripper Owens ainda mais lendária). O show transcorre com enorme interação entre a banda e o público presente, ao ponto de este que vos escreve e seus amigos terem o pedido da música “Fallen Moon” atendido de pronto pela banda. O vocalista BJ esbanjou carisma nesta primeira apresentação do Tempestt em terras caiçaras, frisou a falta de apoio para com as bandas nacionais, a falta de divulgação e etc, algo que nós que somos músicos e batalhamos com nossas bandas sofremos neste país e que infelizmente é uma realidade cada vez maior. O clima de festa já citado por mim no início desta matéria se faz presente com a participação de Dani Nolden, vocalista da banda santista Shadowside na execução de “The Evil That

Men Do” (Iron Maiden), mais um cover que balançou a galera e que demonstrou que a cena da Baixada trata-se de um verdadeiro celeiro de bandas e músicos competentíssimos como os próprios Paulo Soza e Dani Nolden ( Shadowside ), e podemos ilustrar citando também os nomes de Maurício Nogueira (ex-Torture Squad, atual Matanza), Fábio Kufa (exímio guitarrista, pupilo de Edu Ardanuy), saudoso Sotto Jr (guitarrista de um dos percurssores do black metal brazuca, o Vulcano), Eduardo Falaschi (vocalista do Angra), Zuzo Moussawer (um dos melhores baixistas do país), entre outros.

Uma pequena pausa para mais algumas cervejas, afinal, ninguém foi feito de ferro para suportar o clima abafado no interior do espaço La Fiesta. Não demorou muito e já podíamos ver os integrantes do Tempestt a postos aguardando o front man da noite dar o ar de sua graça. BV (vocalista do Tempestt) já estava de posse de sua guitarra, dando o apoio necessário ao beberrão Léo Mancini que empunhava a outra guitar da banda, um ajuste aqui, outro acolá e temos assim como tivemos em SP e creio que em outras cidades que receberam esta tour, o início com “Painkiller “, destruidora como sempre e que já demonstra que teríamos uma noite no mínimo clássica pela frente.

Tim Owens  - por Eduardo Jr. (metalrevolution.net)
Tim Owens  - por Eduardo Jr. (metalrevolution.net)

O set é basicamente o mesmo executado em toda a tour feita por Tim Owens, porém, o que temos de novidade nesta noite (em comparação com o que acompanhei em SP) é “Gates Of Babylon“ no lugar de “Rising Force”, porém, o melhor ainda estava por vir. Após uma pequena e desastrosa “palhinha” de Ripper na guitarra, Tim rasga elogios a cerveja extremamente gelada do local, ao público que apesar de pequeno estava empolgadíssimo, chegando a dizer que este show estava sendo o melhor de toda a tour até o momento, e de fato, a energia e a interação entre banda e público (e a isso inclue-se Ripper Owens) era especialíssima, porém... Após mais uma latinha da gelada cerveja do local, Tim chama ao palco um dos nomes mais consagrados da cena metal nacional, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, revivendo o projeto “Hail“ ao lado de Owens e executando as faixas “Grinder” e “Symptom Of The Universe” , Santos definitivamente tremeu!!! Após esta participação para lá de especial de Andreas Kisser (que provavelmente estava em Santos acompanhando o jogo do seu São Paulo contra o meu Santos ao qual o resultado me recuso a mencionar hehehe) aproveitou, e deu este presente aos metalheads caiçaras. Tim finaliza a noite com “Breaking The Law” e “Living After Midnight” ambas sucessos imortais do Judas Priest.

Uma noite memorável e inesquecível para mim, pois ter uma figura como Tim Owens destruindo com seus agudos inigualáveis praticamente no quintal de casa é uma enorme alegria, presenciar isto ao lado de amigos de longa data, tendo a honra de cobrir este evento para o Portal Metal Revolution e também para o site oficial de Tim Owens (www.timripperowens.com.br) é uma honra enorme sem dúvida e uma forma humilde de homenagear/agradecer ao vocalista por sua música e por seu talento. Para mim, um simples fã, um cara que conheceu a voz de Ripper Owens através de um primo mais velho (grande Cesinha, que obviamente estava presente na grade do show com a galera e que sempre foi ávido fã de Judas Priest), que logo de cara tive meus miolos derretidos ao som do clássico “Jugulator”, um cara que faz parte de tudo relacionado ao Ripper, que discute com os amigos que não corroboram de minha opinião sobre o Tim, este show do Ripper em Santos por N fatores definitivamente entra para a minha história pessoal como um dos melhores que tive a oportunidade de assistir.

Pontos Negativos: O enorme trânsito no caminho entre Praia Grande e Santos e a ausência dos amigos Milanin, Puff Demencia 9, Brunno Oldrine, Zé "Vadia Polaca", Maurício Relevante e de toda a galera de SP.

Pontos Positivos: O clima de festa e de tranqüilidade durante todo o evento.

AGRADECIMENTOS
Aos amigos presentes: Luciano Gavioli, Marcelo Ricota, Diogo Costa, Marcos Politi, Cesar Primo, Adilson Voice, Batata Violent Records, Tarso Carnal Desire, Marquinhos Demência 9, Favilla, Renato Dark Killer, Paulo Soza (valeu pelo Salve, pela Palheta e pela baqueta!!!!!! ) e a toda a equipe de seguranças do evento, em especial os camaradas Humberto e João que finalizam o domínio Praia Grandense da noite!