TIMO TOLKKI
MANIFESTO BAR, SÃO PAULO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Adriano Doom (metalrevolution.net)

Timo Tolkki, para alguns este nome pode ser desconhecido, para outros, ainda é lembrado como o mentor, guitarrista e principal compositor do grupo finlandês Stratovarius. Em 2008, após alguns anos conturbados (o que inclui Timo ter sido diagnosticado com transtorno bipolar e consecutivamente um colapso nervoso), brigas internas, um golpe publicitário que envolvia uma vocalista na banda, uma hipótese de esfaqueamento de Tolkki por um fã, além de diversas notícias bizarras, a banda chega ao fim. Timo abriu mão de todos os direitos sobre o nome Stratovarius além do lucro sobre este vasto catálogo, embarca de cabeça em seu novo projeto “Revolution Renaissance” (que inclui o frontman brasileiro Gus Monsanto). Entre os meses de novembro e dezembro, Timo desembarcou no Brasil para uma tour de workshops e pocket shows em várias cidades brasileiras. É exatamente sobre o show que ocorreu no dia 08 de dezembro, no Manifesto Bar em SP, que vocês conferem nesta resenha.

Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)

Inicialmente, devo dizer que é um tanto estranho, mas também gratificante escrever esta resenha já que ela não fala de um show propriamente dito. Foi o primeiro workshop que pude presenciar e o clima é totalmente diferente de um show. O local de sua realização não poderia ter sido melhor escolhido: Manifesto Bar. Para os que não conhece, trata-se de um grande bar com um ótimo palco para esse tipo de evento e uma acústica maravilhosa. Fui sem expectativas do que presenciaria, ainda com a lembrança das várias notícias fantasiosas e absurdas que rondaram o fim do Stratovarius, minha curiosidade sobre a personalidade de Timo era grande. O que poderia esperar deste workshop? Será que me sentiria um peixe fora d’água (já que não sou músico) e não entenderia nada sobre papos técnicos a respeito de guitarras, amplificadores e escalas musicais? Bem, confesso que me surpreendi. Os assuntos abordados não eram voltados apenas para guitarristas, mas sim para todos os profissionais da área musical como também para os fãs do próprio músico. Timo conversou sobre suas experiências no mainstream, o mercado musical atual, técnicas instrumentais, sobre sua vida particular, além de muitos assuntos abordados. Em todo momento, houve espaço para o público interagir com o artista fazendo perguntas, o que transformou o workshop em um grande bate-papo. Tentarei abordar, em cada parágrafo, um pouco dos assuntos falados.

Devo dizer que logo de início o workshop já me surpreendeu. Timo assim que cumprimenta o público presente faz um pedido um tanto quanto inusitado para seus fãs. Que cada um olhasse as pessoas em volta, encontrasse alguém que não conhecia e que nunca conversou e fosse lá e cumprimentasse, que desse as mãos, com intuito de conhecer o “irmão” (ele usou essa palavra) ao seu lado. Ponto positivo para o cara, já inicia o evento interagindo com o público e fazendo com que este se interagisse entre si. Após os devidos apertos de mão, Tolkki passa a falar sobre sua vida pessoal, pede permissão para colocar uma música para o público ouvir, da primeira banda que fez com que despertasse nele a paixão pela música. Creio que muitos estariam esperando por um Sabbath, quem sabe um Deep Purple ou um Led, mas a banda em questão foi ABBA, o que para alguns fora uma grande surpresa. Confesso que sempre gostei do som praticado pela banda, assim como pelo som do Bee Gees. Timo continua a conversa com o público contando que foi o ABBA quem despertou seu interesse pela música, mas a banda que fez com que ele decidisse ser um guitarrista foi o Deep Purple, quando ouviu o riff de “Smoke On The Water” e a partir daquele momento queria ser como Blackmore. Sua adoração pelo excelente guitarrista chegou a tal ponto de Timo ter 15 pôsteres espalhados pela parede do quarto, sendo que desse total, 14 eram do Blackmore. Ao ser indagado sobre qual era o outro, com um sorriso amarela confessa que era das deliciosas garotas do antigo seriado “As Panteras”. Sua paixão por Blackmore era tanto que ao ganhar uma guitarra Stratocaster de sua mãe, bem parecida com a que Blackmore usava, fez questão de personalizá-la deixando-a mais parecida com a dele, incluindo arranhar e machucar a guitarra nos mesmos locais que a de Blackmore.

O papo continua, e Timo nos conta sobre o início do sucesso do Stratovarius. Aqui, uma pergunta um tanto quanto interessante foi feita por um dos presentes. “Qual seria o grande passo para que a banda começasse a se destacar no cenário musical e consequentemente atingir o sucesso esperado?”. A resposta foi um tanto quanto surpreendente. Timo apenas disse: “saia do seu país. Se você é brasileiro, faça sucesso fora do Brasil primeiro”. Explicou que o Stratovarius já era uma banda há aproximadamente quatro anos no seu país de origem, quando o seu cd estourou em vendas no Japão, apenas quando isto ocorreu, eles tiveram o reconhecimento merecido em sua terra natal. Disse que necessariamente a banda não tem que sair de sua terra, mas é importante o contato com gravadoras e distribuidoras de outros países. Engraçado que esta realidade que ele passou, também é sentida no Brasil. Ao narrar este episódio, me lembrei de bandas nacionais como Sepultura e Angra, que só tiveram seu devido reconhecimento no Brasil depois de serem reconhecidos lá fora, achava que apenas em países como o nosso que ocorria essa inversão de valores.

Timo nos brindou contando mais sobre sua vida. É interessante conhecer isso, às vezes temos que nossas bandas preferidas são feitas por “rockstars” inalcançáveis, bem acima de nós “meros mortais”. Mas com a conversa fluindo, notamos que timo é uma pessoa extremamente humilde e passou por muitos altos e baixos antes de se tornar um guitarrista mundialmente conhecido. Falou-nos do apoio que recebeu de seus pais quando resolveu ser músico, das horas e horas que passava ensaiando com a banda a ponto de ter ensaios seis vezes por semana, do início do Stratovarius e de sua saída da banda. Em toda conversa transpareceu sinceridade e humildade, respondendo a todas perguntas feitas pelo público. Em mais um dos momentos engraçados, quando perguntado o que conhece sobre a música brasileira, respondeu que nessas viagens pelas várias cidades do Brasil fazendo o workshop o que mais ouvia nas rádios nacionais e nas ruas era o “Calipso”. Arrancou sorrisos do público presente tendo até imitado o guitarrista Chimbinha pertencente à banda.

Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)

Talvez um dos momentos mais importantes e de total introspecção entre o guitarrista e o público, foi quando falou de sua paixão pela música clássica, citando Beethoven. Sua admiração pelo compositor é visível. Nos conta que uma de suas peças mais famosas é a “Nona Sinfonia” composta quando Beethoven estava completamente surdo, para tanto, colocava os ouvidos literalmente junto ao piano para sentir a ressonância do instrumento. Como alguém assim poderia ser tão dedicado a música? E se queríamos ser músicos, não apenas como hobbie, mas tendo nosso ganha-pão sermos músicos profissionais teríamos que ser tão dedicados a nossas canções como Beethoven foi. Colocou uma parte da sinfonia em questão para ser ouvida, onde pediu para que todos sentissem a música, quais sentimentos ela nos trazia, o que ela significava para gente. Nesse momento percebi que a música para Timo é mais do que sua profissão, é parte integrante de sua vida, dando sentido a ela.

A conversa continuava, e Timo também falou sobre a parte técnica de instrumentos e da música. Neste momento peço desculpas aos músicos que estejam lendo esta resenha, pois devido a minha total inaptidão musical, evitarei comentar sobre este momento do workshop já que não entendi praticamente nada do que foi dito neste momento e assim não cometerei nenhuma gafe. Mesmo quando a conversa desabou para este lado mais técnico, o bom humor de Timo se fazia presente. Indagou quantos no meio do público eram guitarristas, tecladista, vocalistas e bateristas. Ao ser lembrado pelos presentes que havia se esquecido de mencionar os baixistas, comentou que eles não são músicos, são apenas pessoas que gostam de andar com músicos. Mais risos entre os presentes devido as suas brincadeiras. Poxa, eu sempre tive uma idéia diferente dos baixistas, achei que eles eram os responsáveis por traduzir as músicas para os bateristas rsrsrs.

O workshop já adentrava a noite, e após uma longa conversa com os presentes, Timo anuncia que estava na hora de colocar a mão na guitarra e tocar algumas coisas para os presentes. Ao ser questionado do que gostaríamos de ouvir, uma voz se fez ser ouvida entre o público gritando “Play Raul”. Timo com um ar de que não havia entendido pergunta o que era Raul. Seu companheiro de banda, Gus Monsanto, que durante toda a noite serviu como tradutor entre Timo e o público, rindo muito explicou para Tolkki sobre a lendária figura musical brasileira e a icônica frase que todo músico nacional escuta: “Toca Raul”. Timo sorrindo falou que no momento não conhece nenhuma faixa deste artista, mas promete que na próxima vez que vier no Brasil tocaria Raul Seixas e também Calipso!!! O Pocket Show finalmente inicia-se. Como todos já sabiam, não seria um grande show, contando com quase duas horas de música como era quando estava no Stratovarius. A intenção principal deste evento era a conversa entre o músico e o público, ou seja, o bate papo descontraído que rolou durante as duas horas iniciais do evento. Mas para dar um gostinho a mais, neste finalzinho fomos brindados com algumas canções do “Stratovarius” e de sua nova banda “Revolution Renaissance”.

Com Timo e Gus já no palco, seus companheiros para esta empreitada entram em cena. E nada melhor que grandes musicistas brasileiros para acompanhá-los. No baixo estava Felipe Andreoli (Angra), nos teclados temos Fabrizio Di Sarno (integrante da banda Karma, além de participações no “Shaman” e “Bittencourt Project”) e as baquetas contavam com Marcelo Moreira (Almah). O set list contava com alguns clássicos do Stratovarius, a saber: “Anthem To The World”, a empolgante “Hunting High And Low”, a rápida “Speed Of Light” e possivelmente o hino do Stratovarius que fez com que o público todo cantasse em um único coro junto com o vocalista Gus, “Black Diamond” (incrível como esta música funciona bem ao vivo). Confesso que entre as músicas do Stratovarius senti falta de “Forever Free” e “Paradise”. Tamanha era interação entre público e artista, que em algumas faixas, alguns fãs subiram no palco para cantar junto, ao que me parece, um rapaz que faz parte de um Stratovarius cover, e mandou muito bem. Até mesmo uma linda garota que estava assistindo o show do camarote foi chamada pelo vocalista para cantar um pouco, e mesmo com a intimação de “ou você desce aqui para cantar ou vamos ai te buscar”, a vergonha da moça falou mais alto e ela não cantou. Que pena! Mas não é do passado e apenas das canções do Stratovarius que Timo vive. Seu novo projeto é excelente, e também nos brindou com algumas músicas do Revolution Renaissance. Deste seu atual projeto, merecem destaque a execução de “Into The Future” e a maravilhosa “Age Of Aquarius”. Vale comentar também que entre uma canção e outra, os músicos completamente entrosados entre si e com o público paravam para conversar e contar algum detalhe sobre a canção.

Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)

Um último comentário, um tanto quanto chato, merece ser feito. Embora a data do show tenha ocorrido em um dia com uma série de fatores adversos (além de ser uma terça feira, foi um dia em que São Paulo viu uma chuva de tamanhaproporção que há tempos não se via), nada justifica o comparecimento baixíssimo de pessoas. Já tive a oportunidade de assistir shows do Stratovarius em diversas ocasiões e sempre com grande público. Agora, pela primeira vez recebemos a oportunidade de conhecer mais profundamente o mentor por trás do Stratovarius e estar diretamente em contato com o mesmo, temos menos de 100 pessoas no evento? Espero que isso não tenha causado uma má impressão para Timo e sua trupe, e que possamos vê-lo em diversas outras oportunidades de workshop em nossas terras.

Até mais, um abraço para todos que leram esta minha resenha, e não deixem de comentá-la em nossa comunidade no Orkut. É com a participação e resposta de nossos leitores que almejamos cada vez mais melhorar nossas matérias para vocês!
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Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)
Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net) Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)Timo Tolkki  - por Adriano Doom (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Primeiramente ao Manifesto Bar, na pessoa do Silvano, que mais uma vez atendeu prontamente a equipe Metal Revolution nos enviando flyer e release sobre o evento e credenciando nossa equipe para o show;
- Adriano “Doom” pelas fotos disponibilizadas para a resenha. Esta é a primeira de muitas parcerias que virão a existir entre o site e este fotógrafo, bem vindo a Equipe.
- A todas pessoas com as quais mantive contato antes, durante, e após o show, colhendo opiniões para esta resenha.