Anos de estrada, passagens periódicas ao Brasil (tendo a última acontecida dois anos atrás), novos trabalhos demonstrando que a fonte criativa não esgotou, este se trata do The Cult, banda a qual mesmo mantendo apenas Ian Astbury e Billy Duffy da formação clássica e original de meados das décadas 80/90, permanece se revigorando a cada ano, a cada álbum inédito... Ao lado do frontman e do guitarrista, compõem a line up atual (mesma presente nas últimas duas apresentações da banda na capital paulistana) Chris Wyse (B), John Tempesta (D) e Mike Dimkich (G), músicos experientes e entrosados entre si. O público não lotou o HSBC Brasil devido ao tamanho um tanto quanto exagerado da pista premium, porém nem mesmo a distância entre a 'classe econômica' e o palco diminuiu o entusiasmo dos presentes, tão pouco o volume dos brados e acompanhamentos, em especial durante os clássicos executados pela banda de Yorkshire.
Após a execução anterior, Ian anuncia um pequeno filme o qual fora exibido nos telões do HSBC Brasil, cerca de 4-5 intermináveis minutos, os quais seguiram a música Embers, digamos que o momento de acalmar os presentes após o alvoroço inicial. Mas o termo correto seria acalmar ou poupar energias? Afinal de contas, a partir de então, a apresentação contou apenas com faixas endeusadas pelos fans, começando por Spiritwalker, levantando os presentes, e seguindo com Rise do álbum Beyond Good And Evil. Ainda na toada de recentes petardos, a já indispensável em apresentações do The Cult, Dirty Little Rock Star (álbum Born Into This) incitou a casa com sua levada que nos arremete ao rock sujo (sem referências ao nome da faixa) com pitadas modernas adotadas pela banda nos anos 2000. Faixas recentes indispensáveis? O que dizer de Wild Flower? Público bradando a letra da canção, Ian e sua meia-lua tradicional, mas, como citei anteriormente, o momento tratava-se de uma sequência de petardos. E como deixar de fora um dos, senão o maior da banda de Yorkshire, o clássico She Sells Sanctuary... Assim como em meu primeiro show do The Cult, diria que a emoção em presenciar a execução de uma música como essa emocionam, desde os primeiros acordes de Billy Duff até o riff característico, a batida tradicional da cozinha bateria/baixo, e logicamente, os vocais precisos de Ian Astbury, simplesmente memorável. Encerrando a primeira parte do show, a principal música do álbum Electric, Love Removal Machine, ovacionada pelos presentes, mais um dos muitos pontos altos da noite.
Seguiu uma breve pausa, questão de 4-5 minutos até o retorno da banda ao palco, mas se até o momento o microfone do público dava o ar da graça, assim como os discursos do frontman (cantarolando até mesmo trecho de Bad Romance de Lady Gaga) e o 'parabéns para você' incitado por Billy Duffy ao vocalista o qual completava 49 anos, no retorno dos integrantes para o bis ficara marcado o momento em que Ian cantou o refrão de Dolphins Cry e logo em seguida se expressou dizendo 'eu nunca mais vou cantar essa música na vida'. Citações a parte, mais um clássico o qual não poderia ficar fora do set, Fire Woman, para alvoroço geral. Finalizando a performance, nada de Edie Ciao Baby, Revolution ou qualquer outro petardo em falta na apresentação, executaram Break On Through To The Other Side, relembrando os tempos de Ian Astbury ao lado dos integrantes remanescentes do The Doors. Após tantos discusos (como o de que retornar à São Paulo seria como voltar para casa) e cantaroladas do vocalista, o show a parte do público portando seu microfone próprio (nas palavras de Ian) e parabenizando Mr. Astbury seja por cartazes ou cantando 'parabéns para você', a empolgação on stage de Billy Duffy e Chris Wyse, a precisão do experiente John Tempesta atrás da bateria e mesmo a descrição de Mike Dimkich, diria que a noite agradou a todas as partes, de músicos a público, em mais uma apresentação desta banda (desculpe por reutilizar o trocadilho da matéria de dois anos atrás) tão CULTuada em solo brasileiro. Set List
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