HSBC BRASIL, SÃO PAULO - SP
Review por André Luiz - Edição por André Luiz
Fotos por André Luiz (metalrevolution.net)

Anos de estrada, passagens periódicas ao Brasil (tendo a última acontecida dois anos atrás), novos trabalhos demonstrando que a fonte criativa não esgotou, este se trata do The Cult, banda a qual mesmo mantendo apenas Ian Astbury e Billy Duffy da formação clássica e original de meados das décadas 80/90, permanece se revigorando a cada ano, a cada álbum inédito... Ao lado do frontman e do guitarrista, compõem a line up atual (mesma presente nas últimas duas apresentações da banda na capital paulistana) Chris Wyse (B), John Tempesta (D) e Mike Dimkich (G), músicos experientes e entrosados entre si. O público não lotou o HSBC Brasil devido ao tamanho um tanto quanto exagerado da pista premium, porém nem mesmo a distância entre a 'classe econômica' e o palco diminuiu o entusiasmo dos presentes, tão pouco o volume dos brados e acompanhamentos, em especial durante os clássicos executados pela banda de Yorkshire.

The Cult - por André Luiz (metalrevolution.net)

O público chegava em bom número à casa localizada na zona sul da capital paulista, pessoas das mais variadas idades, de adolescentes a 'cinquentões', sem esquecer o bom número de mulheres presentes, literalmente a noite prometia. A apresentação cujo press release indicava início às 22h, contou com 20-25m de atraso, tornando o clima na platéia em tom de expectativa a cada música findada nos PA's do HSBC Brasil. Finalmente, após a exibição do vídeo de segurança da casa, as luzes se apagam e ao som de E.M.A.W.I.A.S. os músicos adentram ao palco um a um. Se a empolgação do público impressionava, com a execução do clássico Rain o volume vindo da platéia tornou-se ensurdecedor.

Electric Ocean fora mais uma das recentes faixas a ser apresentada on stage, mas o público demonstrava sua face empolgada no momento em que os clássicos davam o ar da graça, e nessa toada, o que dizer da música a qual encerrou a performance anterior do The Cult no país, Sweet Soul Sister? Sem sombra de dúvida, um dos pontos altos da noite.

A participação do público chamava a atenção dos músicos, a ponto de Ian Astbury pedir para 'desligarem os microfones da platéia', porém mesmo este microfone ganhava seus momentos de descanso quando faixas mais recentes eram executadas, como na sequência com White e Saints Are Down. Phoenix levantou os presentes, mas o anúncio por parte do frontman e os acordes iniciais proporcionados por Billy Dufy do sucesso Lil Devil, estremeceram a casa de shows, o público pulava e bradava cada trecho do petardo em alto e bom som.

Após a execução anterior, Ian anuncia um pequeno filme o qual fora exibido nos telões do HSBC Brasil, cerca de 4-5 intermináveis minutos, os quais seguiram a música Embers, digamos que o momento de acalmar os presentes após o alvoroço inicial. Mas o termo correto seria acalmar ou poupar energias? Afinal de contas, a partir de então, a apresentação contou apenas com faixas endeusadas pelos fans, começando por Spiritwalker, levantando os presentes, e seguindo com Rise do álbum Beyond Good And Evil. Ainda na toada de recentes petardos, a já indispensável em apresentações do The Cult, Dirty Little Rock Star (álbum Born Into This) incitou a casa com sua levada que nos arremete ao rock sujo (sem referências ao nome da faixa) com pitadas modernas adotadas pela banda nos anos 2000.

Faixas recentes indispensáveis? O que dizer de Wild Flower? Público bradando a letra da canção, Ian e sua meia-lua tradicional, mas, como citei anteriormente, o momento tratava-se de uma sequência de petardos. E como deixar de fora um dos, senão o maior da banda de Yorkshire, o clássico She Sells Sanctuary... Assim como em meu primeiro show do The Cult, diria que a emoção em presenciar a execução de uma música como essa emocionam, desde os primeiros acordes de Billy Duff até o riff característico, a batida tradicional da cozinha bateria/baixo, e logicamente, os vocais precisos de Ian Astbury, simplesmente memorável. Encerrando a primeira parte do show, a principal música do álbum Electric, Love Removal Machine, ovacionada pelos presentes, mais um dos muitos pontos altos da noite.

The Cult - por André Luiz (metalrevolution.net) The Cult - por André Luiz (metalrevolution.net)

Seguiu uma breve pausa, questão de 4-5 minutos até o retorno da banda ao palco, mas se até o momento o microfone do público dava o ar da graça, assim como os discursos do frontman (cantarolando até mesmo trecho de Bad Romance de Lady Gaga) e o 'parabéns para você' incitado por Billy Duffy ao vocalista o qual completava 49 anos, no retorno dos integrantes para o bis ficara marcado o momento em que Ian cantou o refrão de Dolphins Cry e logo em seguida se expressou dizendo 'eu nunca mais vou cantar essa música na vida'. Citações a parte, mais um clássico o qual não poderia ficar fora do set, Fire Woman, para alvoroço geral. Finalizando a performance, nada de Edie Ciao Baby, Revolution ou qualquer outro petardo em falta na apresentação, executaram Break On Through To The Other Side, relembrando os tempos de Ian Astbury ao lado dos integrantes remanescentes do The Doors. Após tantos discusos (como o de que retornar à São Paulo seria como voltar para casa) e cantaroladas do vocalista, o show a parte do público portando seu microfone próprio (nas palavras de Ian) e parabenizando Mr. Astbury seja por cartazes ou cantando 'parabéns para você', a empolgação on stage de Billy Duffy e Chris Wyse, a precisão do experiente John Tempesta atrás da bateria e mesmo a descrição de Mike Dimkich, diria que a noite agradou a todas as partes, de músicos a público, em mais uma apresentação desta banda (desculpe por reutilizar o trocadilho da matéria de dois anos atrás) tão CULTuada em solo brasileiro.

Set List
E.M.A.W.I.A.S. / Rain / Electric Ocean / Sweet Soul Sister / White / Saints Are Down / Nirvana / Phoenix / Lil Devil / Embers / Spiritwalker / Rise / Dirty Little Rock Star / Wild Flower / She Sells Sanctuary / Love Removal Machine - BIS: Fire Woman / Break On Through To The Other Side (The Doors Cover)