SEPULTURA & ANGRA
ABERTURA: TIERRAMYSTICA

CASA DO GAÚCHO, PORTO ALEGRE - RS

Review por Filipe Limas - Edição por André Luiz
Fotos por Filipe Limas (Flick do Filipe - metalrevolution.net)

Quando soube que Sepultura e Angra excursionariam juntos achei muito estranho, afinal, são duas vertentes totalmente opostas do heavy metal. Antigamente uma junção dessas era quase inimaginável, mas as coisas mudaram e, se pensarmos bem, uma turnê que une as duas maiores bandas de metal brasileiras faz bastante sentido. Domingo, dia 24, foi à vez de conferir isso de perto, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. Antes de mais nada, é preciso dizer que a organização deixou muito a desejar e que a escolha do local foi infeliz, para dizer o mínimo. É impraticável um show naquela casa. A acústica é terrível, quanto mais perto do palco, menos se entende o que é tocado. Muito ruim mesmo. Para fotografar, então, foi precário, o que fica bem claro nas fotos aqui publicadas. Mas isso é outra história.

Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

A noite começou com um atraso de quase duas horas, com a banda gaúcha Tierramystica, que mistura música andina com metal melódico. Não gosto do resultado final, mas foi um show correto, onde os principais destaques foram os covers para Run To The Hills do Iron Maiden e Burn do Deep Purple, que encerrou o show.

Após mais uma longa espera foi a vez do Angra, que de cara mandou o medley Carry On/Nova Era, com os fãs cantando junto o tempo todo. Sem precisar promover disco novo, a banda fez um set curto com clássicos e músicas conhecidas dos discos mais recentes. Os momentos mais empolgantes foram nas faixas mais antigas, o que era de se esperar. Os primeiros acordes de Angels Cry, por exemplo, quase botaram a casa a baixo. As baladas também tiveram destaque como Make Believe, Lisbon (que voltou ao set list a pedido dos fãs) e Bleeding Heart, que o vocalista Edu Falaschi dedicou a uma fã que passa por “momentos difíceis”.

Uma das curiosidades quanto ao Angra era sobre a performance de Ricardo Confessori, que reassumiu as baquetas após anos distante. Eu nunca havia assistido um show da banda, em nenhuma formação, apenas Ricardo com o Shaaman no Live’N’Louder. Ficou claro que foi uma boa decisão repatriar o antigo batera, que cuidou bem do recado tanto no material antigo, quanto nas músicas da fase em que esteve fora, como Acid Rain e The Course Of Nature. Outro destaque era a vontade da banda de estar no palco. Eu não gosto de Angra, apenas de uma ou outra música, mas me surpreendi com, além da técnica, a disposição do guitarrista Kiko Loureiro e do baixista Felipe Andreoli. A pesada Nothing To Say encerrou o show, antes do bis, com Rebirth, para alegria dos fãs.

Era chegada à hora da maior banda brasileira de qualquer gênero musical em todos os tempos. Independente da fase em que se encontra, uma coisa sobre o Sepultura é certa: o show dos caras é uma destruição. E não foi diferente na volta aos palcos gaúchos. Após a intro A-Lex I a banda emenda as novas Moloko Mesto, Filthy Rot e What I Do!, que ficaram boas ao vivo. Mas nada supera os clássicos. Aos primeiros sinais de Refuse/Resist a Casa do Gaúcho se tornou um caos. Na sequência veio Manifest, sem dar tempo para respirar.

Estava curioso em como se sairia Jean Dolabella na difícil tarefa de substituir Igor Cavalera nas baquetas. O cara mostrou que pode dar conta do recado, com ótima performance. Após Convicted In Life e Attitude, Andreas Kisser puxa o riff de Black Sabbath, mas o que se segue é mais uma nova, We’ve Lost You, seguida de The Treatment.

Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
Sepultura - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

A essa altura o destaque já era a presença de palco do monstro Derrick Green. O vocalista norte-americano já virou brasileiro, tanto que fala português quase perfeitamente, e se comunicou o tempo todo com os fãs, demonstrando que, se enquanto está cantando parece um demônio, ao falar com o público o cara é extremamente simpático.

Se os fãs agitam em músicas novas, quando os clássicos voltam ao set, a coisa beira o inferno, no bom sentido, é claro. Eu, que costumo ir aos shows apenas para apreciar, não resisti e precisei bater cabeça em alguns momentos. Ou vai dizer que é fácil resistir quando os caras mandam Dead Embryonic Cells inteira, sem medley com Arise? E logo em seguida uma versão matadora de Troops Of Doom, ou Septic Schizo/Escape To The Void? Não, é impossível ficar parado. Mas quando não consegui mesmo ficar parado foi na preferida desse que vos escreve, Inner Self, com seu peso monolítico. Que sequência! Era uma destruição, um abuso. O Apocalipse em forma de música!

Sepultura - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

Andreas novamente puxa um riff clássico, dessa vez de Grinder, do Judas Priest, mas o que vem mesmo é Sepulnation, uma das melhores músicas da era pós-Max Cavalera. Derrick anuncia em inglês “Porto Alegre, this is your Territory”, e o que restava de fôlego se vai, antes do fim, com a mega-clássica Arise. O bis começa com um trecho de Eye Of The Tiger, do Survivor, e Derrick canta “o olho do tigre” em português, arrancando gargalhadas e aplausos merecidos. O show segue com Conform e termina de forma avassaladora, com Roots Bloody Roots, que provoca uma das maiores – e com certeza das mais violentas - rodas de mosh que já vi. Mas a noite ainda reservava surpresas.

Como todos sabiam que ocorreria, e esperavam, Sepultura e Angra voltam ao palco juntas, para uma jam com clássicos do rock e metal. A já esperada Immigrant Song, do Led Zeppelin, abre o set e não ficou de todo ruim, exceto pela performance horrível de Edu Falaschi. O cantor então chama Ricardo Confessori, que assume o microfone em uma versão bem legal de Back In Black, do AC/DC, e surpreende a todos mandando muito bem no vocal.

Edu pergunta o que vão tocar em seguida e Andreas começa The Number Of The Beast, do Iron Maiden, cantada toda por Edu, com Derek apenas nos refrões. Então Confessori ganha mais um ponto e meu respeito, ao puxar Where Eagles Dare, também do Maiden. Infelizmente foi apenas um trechinho da música, já que ninguém sabia a letra. Derek começa o grito de “Sabbath, Sabbath” e a celebração ao metal termina com Paranoid.


IMAGENS DA NOITE
Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Sepultura - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Sepultura & Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net) Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Sepultura - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Sepultura & Angra - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)