RUSH
PRAÇA DA APOTEOSE, RIO DE JANEIRO - RJ

Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por M. Rossi (Time For Fun)

2010 tem sido o melhor ano da carreira do Rush. Apesar de ser uma constatação válida, essas palavras não são minhas, mas sim do vocalista/baixista Geddy Lee em entrevista ao jornal O Globo. E não posso deixar de concordar com o simpático músico. Nos últimos anos a banda tem nadado contra a maré e tem alcançado níveis de popularidade nunca antes atigindos na carreira, vendido muitos discos, DVD’s, seus shows estão entre os mais bem sucedidos da indústria musical, sem contar a idolatria incondicional por parte de seus fãs que acompanham cada passo da banda com um entusiasmo pouco experimentado hoje em dia por artistas com tempo na estrada. A duas mais recentes razões para tal entusiasmo, foram o single Caravan lançado em 29 de junho último e que fará parte do disco Clockwork Angels (agendado para sair em 2011) e o anúncio da turnê Time Machine, na qual a banda tem tocado o clássico Moving Pictures de 1981 na íntegra.

Rush - por M. Rossi (Time For Fun)

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COMPLETO DA PASSAGEM DO RUSH

Para a Time Machine Tour, a banda dividiu a sua apresentação em três partes. A primeira mescla alguns sucessos com temas mais novos como os do disco Snakes & Arrows, a segunda (a que causou a maior empolgação nos fãs) onde o clássico Moving Pictures é tocado na integra e a terceira e última parte fecha o show de maneira brilhante, com uma sucessão de clássicos de tirar o fôlego.

Com pontualidade britânica, os telões da Apoteose começaram a funcionar às 20h exibindo um hilário vídeo produzido especialmente para essa turnê do trio vestido como motorista de caminhão (Neil Peart), dono de restaurante (Geddy Lee) e empresário de uma banda chamada Rash (Alex Liferson) tendo uma calorosa discussão no restaurante do baixista/vocalista. Em determinado momento, Alex Lifeson aparece com uma máquina que supostamente fará a banda que ele está tentando que toque no restaurante de Lee soar tão boa como o Rush, sob a condição de nunca apertar o botão onde se lê “Time Machine”. Ouvimos seguidamente variadas versões para o clássico The Spirit Of The Radio, até que alguém acidentalmente esbarra no botão proibido e em seguida as luzes se apagam, o trio adentra ao palco e os primeiros acordes de The Spirit of The Radio dão início ao verdadeiro show, seguida por Time Stand Still (com Alex se dividindo entre teclados e guitarra), levando os cariocas a loucura. Presto foi responsável pelo único momento “mais ou menos do show”. Após a música, Geddy se dirige ao público pela primeira vez, arrisca palavras em português e diz que é muito bom estar de volta, pois se divertiram bastante na primeira vez que estiveram por aqui e que 2010 seria melhor ainda, já que tinham “seis mil músicas” para tocar aos cariocas naquela noite.

Stick Out, Working Them Angels, Leave That Thing Alone e Faithless formaram uma interessantíssima combinação de músicas do ótimo Counterpants de 1992 e do último trabalho de estúdio lançado pela banda, Snakes Arrows de 2007, demonstrando aos brasileiros que as faixas desse último funcionam muito bem ao vivo, visto que não tivemos a oportunidade de ver o show dessa tour. Antes de Brought Up To Belive, Geddy diz que chegou a hora de tocar uma ou duas músicas do vindouro álbum, Clockwork Angels, a ser lançado no ano que vem. Em seguida vieram os clássicos Freewill, Marathon e Subdivisions. Aliás, um fato curioso é que este que vos escreve tomou um susto com a força dos teclados de Geddy durante a clássica introdução de Subdivisions. O negócio foi tão forte que fez o chão da Apoteose tremer. E assim, era terminada a primeira parte do show. Muitos ali que já estavam em êxtase, mal sabiam que os músicos só estavam se aquecendo e o melhor ainda estava por vir. Antes da pausa o baixista falou aos cariocas mais uma vez e disse que tirariam um breve intervalo, pois já são muito velhos, mas que voltariam logo em seguida com algo especial para os presentes.

Já no final do intervalo, um grande relógio no telão mostra o número 1974 e inicia a contagem regressiva até 1980, onde um novo vídeo hilário é apresentado aos cariocas, exibindo os mesmos personagens do primeiro vídeo e uma nova trapalhada, culminando mais uma vez com alguém pressionando o botão escrito “Time Machine”. O trio retorna ao palco e imediatamente dá inicio ao momento mais esperado da noite, a execução do clássico Moving Pictures de cabo a rabo. Tom Sawyer foi a responsável por abrir os trabalhos, fazer o público carioca cantar a plenos pulmões e demonstrar a técnica absurda de cada um dos três músicos (todos tem momentos de destaque), mas o maior de todos fica por conta de Neil Peart, que mais uma vez faz o chão da Apoteose tremer durante seu pequeno e marcante solo de bateria já no final da música. Red Barchetta mantém os ânimos exaltados e YYZ fez o público cantar os acordes de uma música instrumental! E era possível ver a expressão de felicidade no rosto de cada um dos três com a atitude dos cariocas. Poucas vezes eu vi algo do tipo, onde mais o Rush conseguiria uma recepção tão calorosa? Alguns podem até querer pedir a minha cabeça com o meu próximo comentário, mas em minha modesta opinião, Limelight, apesar de ser uma grande música, serviu para esquentar meus ânimos para aquele que eu considerei um dos dois melhores momentos da apresentação: a execução de um dos meus temas favoritos, The Camera Eye, tocado de maneira estupenda, sem qualquer tipo de erro ou diferença para o que se ouve no disco. Foi a realização de um sonho e eu não poderia ter imaginado que fosse melhor. Witch Hunt (com seu show pirotécnico) e Vital Signs, com o show das luzes descendo quase que no nível do palco encerraram de maneira brilhante a segunda parte da apresentação.

Rush - por M. Rossi (Time For Fun)

Caravan, o single do próximo disco, abriu a terceira parte da apresentação e demonstrou que o Rush é uma banda amada pelos seus fãs brasileiros: teve sua letra cantada por boa parte dos presentes, causando ansiedade tanto no público quanto na banda pelo lançamento do ano que vem. Quem me conhece e tem o duvidoso costume de ler as minhas resenhas, sabe bem o que penso sobre solos de bateria e guitarra e em quais situações eu os acho aceitáveis. Não preciso nem dizer que essa é uma das situações que eu acho válido se dispor de tal artifício, aliás, até os encorajo a sempre fazer algo do tipo. Afinal de contas, não é todo dia que temos a chance de ver uma aula de bateria daquele que é considerado (merecidamente) como o maior da história do rock. Não, não irei me atrever a comentar sobre técnica ou criticar este solo de alguma maneira, só me limitarei a dizer que a imagem do Senhor Peart girando sua bateria durante o seu solo nunca mais sairá da minha cabeça e que seus dez minutos de duração passaram como um piscar de olhos. Como não é só Neil que tem direito de fazer um solo, Alex Lifeson também fez o seu, breve, é bem verdade, e logo emendando a introdução de um dos maiores sucessos da carreira do grupo, Closer To The Heart, que foi seguida pela maravilhosa 2112/ Temples Of Syrinx, aquela que em minha opinião traduz perfeitamente o que é a capacidade e a carreira do Rush. Far Cry foi um sopro de novidade em meio a tanta velharia e encerrou de maneira sensacional a noite antes do retorno para o bis, nos lembrando novamente que se o disco Snakes & Arrows é muito bom, suas músicas soam ainda melhores ao vivo. Na volta para o bis, La Villa Strangiato, a última das instrumentais da noite, fora a responsável por antecer o ponto alto da apresentação. Após 36 anos na ativa e tocando a música que foi responsável por conseguir para a banda seu primeiro contrato para gravar um disco, não é de se admirar que os músicos procurem maneiras de manter as coisas interessantes para si mesmos. Por isso não os condeno e devo dizer que até achei interessante à introdução à la reggae para Working Man, mas devo reconhecer que senti bastante falta do característico e maravilhoso riff de guitarra que dá início a canção. Mas mesmo com essa ressalva, o show terminou de maneira brilhante. Os músicos se despediram do público, jogaram presentes para os cariocas e Geddy Lee se despediu dizendo que em breve estarão com um novo disco e que espera nos ver novamente em algum momento do futuro. Pensaram que o espetáculo acabou quando o trio deixou o palco? Imediatamente após a saída dos músicos, o telão começou a mostrar o mais hilário dos filmes que foram produzidos especialmente para essa turnê. Tratava-se dos atores Jason Segel e Paul Rudd reprisando os seus papéis do filme I Love You, Man numa cena muito engraçada dos dois importunando a banda no backstage de um dos shows da tour. Vale lembrar que o Rush fez uma participação especial no filme lançado no ano passado.

Rush - por M. Rossi (Time For Fun)

Nesta apresentação em 2010 tivemos um público significantemente menor do que o do histórico show em 2002. Muitos fatores podem ter contribuído para isso, como os vários espetáculos os quais tem passado e/ou passarão pelo país nesse mês de outubro e principalmente, o preço bastante salgado cobrado pelos ingressos. Mas o fato é que os que estavam lá fizeram desta a melhor apresentação de um ato de rock na cidade maravilhosa no ano de 2010. E puderam presenciar uma banda extremamente feliz por estar de volta ao Rio de Janeiro, esbanjando simpatia, com a preocupação de proporcionar aos fãs a melhor experiência que eles pudessem ter. Além, é claro, de estarem tocando melhor do que nunca.

Muitos foram os DVD’s, discos ao vivo e bootlegs que ouvi durante os anos, mas não importa o quanto você conheça sobre a mecânica dos shows do Rush, você nunca saberá de verdade o que significa um show deles até estar lá. São tantas as nuances, os detalhes que eu poderia ficar escrevendo por páginas a fio e com certeza alguma coisa ainda ficaria de fora. Hoje, dias após o show, ainda me pego lembrando de alguns momentos e tento decifrar várias outras curiosidades sobre as músicas e o show em si. E isso, ao meu modo de ver, é o que ficou de mais valioso dessa apresentação. Espero que essa sensação ainda dure por um bom tempo, de preferência até o próximo show deles por essas bandas.

SET LIST
The Spirit Of Radio - Time Stand Still - Presto - Stick It Out - Workin' Them Angels - Leave That Thing Alone - Faithless - BU2B - Freewill -Marathon -Subdivisions - Parte 2: Tom Sawyer - Red Barchetta - YYZ - Limelight - The Camera Eye - Witch Hunt - Vital Signs - Caravan - Love 4 Sale (Solo Neil Peart) - Guitar Intro - Closer To The Heart - 2112 Overture / Temples of Syrinx - Far Cry -
Bis: La Villa Strangiato - Working Man

AGRADECIMENTOS
- Gostaria de deixar o meu agradecimento à assessoria de imprensa da T4F, na figura dos profissionais Guilherme Oliveira e Bianca Senna pelo tratamento cordial e profissional a equipe de um homem só do metal revolution durante este show