GIGANTINHO,
PORTO ALEGRE - RS
Review por Filipe Limas - Edição por André Luiz
Fotos por Rafael Koch Rossi (T4F Entretenimento)
Ozzy
Osbourne subiu no palco do Gigantinho sem introdução, sem música, sem
nada. Apenas ele, todo de preto, e foi o que bastou. O lendário ex-vocalista
do Black Sabbath só precisou aparecer para ser ovacionado durante todos
os pouco mais de 90 minutos de apresentação pelos cerca de 15 mil fãs
presentes na quarta-feira, 30/04/11. Nem a rivalidade Gre-Nal, acirrada
por uma bandeira do Grêmio na qual o músico se enrolou logo no início
do show – e que permaneceu aos pés da bateria até o final – foi capaz
de mudar a devoção da plateia.
|
|
Antes
do Madman, a banda gaúcha Gunport fez um show rápido, sem dizer
uma palavra aos presentes. Além da música dos caras não ter
muitas semelhanças com a da atração principal, o som durante
o set também não ajudou, e não dá para dizer que eles mandaram
o seu recado. Ninguém estava interessado na apresentação, e
o set passou despercebido pelo público.
Como bom britânico, Ozzy começou
seu show até um pouco antes das 21h. Apareceu de sobretudo,
de braços abertos, recebeu o coro com seu nome e provocou: “Let's
go fucking crazy”. E o séquito de um dos pais do heavy metal
respondeu, aos berros, na abertura com o clássico Bark At The
Moon, que foi seguida da única faixa do disco mais recente,
Let Me Hear Your Scream.
Poucas vezes, talvez nunca, se
viu uma plateia tão devotada ao seu ídolo nos palcos porto-alegrenses.
Nem Paul McCartney conseguiu isso. E quando o tecladista Adam
Wakeman tocou os primeiros acordes de Mr. Crowley, parecia que
o local desabaria. A emoção que tomou conta do ginásio era quase
palpável, ninguém ficou quieto. E a porrada I Don't Know serviu
para manter a empolgação, ainda mais quando foi seguida de Fairies
Wear Boots, do Black Sabbath.
Quando está no palco, Ozzy não
parece ter os 62 anos e a fragilidade que demonstra em entrevistas.
O Madman corre, joga jatos de espuma nos fãs, mira nele mesmo,
enfia a cabeça em baldes d'água e grita insanamente suas tradicionais
frases: “I can't fuckin' hear you”, “Go fuckin' crazy” e tudo
que se espera do cara. E, mais importante, mesmo com a ajuda
do coro de 15 mil vozes, ele canta o show todo. Foi assim em
Suicide Solution, Road To Nowhere, War Pigs e Shot In The Dark.
|
Como
é de praxe, Ozzy deixou seus músicos brilharem sozinhos também. O guitarrista
Gus G. foi o primeiro, com um solo virtuoso, seguido de Rat Salad, do
Black Sabbath, quando o baixista Blasko, Adam Wakeman – filho do lendário
Rick Wakeman – e o baterista Tommy Clufetos retornaram. Este último,
alias, também teve seu solo individual, que talvez tenha sido o momento
menos interessante da noite.
Após a pequena exibição,
era hora do Príncipe das Trevas voltar com mais clássicos. E foi uma
sequência absurda para fãs de heavy metal. Para começar, nada mais,
nada menos, que Iron Man, do Black Sabbath, onde novamente parecia que
nada restaria do Gigantinho. Depois, I Don't Want To Change The World,
outro hit da carreira solo. Ozzy então anuncia a última música, e berra
uma frase que muitos estavam loucos para ouvir: “All aboard...”, seguida
de uma gargalhada. Era hora de Crazy Train, um dos maiores, se não o
maior, clássico da carreira do vocalista, e que causou outro momento
marcante da noite.
O coro de “Olê, olê, olê,
Ozzy, Ozzy” recomeçou, e em poucos minutos ele estava de volta ao palco,
para a balada Mama, I'm Coming Home, que fez os isqueiros serem erguidos
por todo o ginásio. Para fechar de vez, com a pista inteira ensandecida,
Paranoid, do Sabbath, finalizou de forma memorável uma noite que os
fãs de metal gaúchos jamais vão esquecer.
Set List:
Back At The Moon / Let Me Hear You Scream / Mr. Crowley / I
Don't Know / Faires Wear Boots / Suicide Solution / Road To Nowhere
/ War Pigs / Shot In The Dark / Rat Salad / Iron Man / I Don't Want
To Change The World / Crazy Train – Bis: Mama I'm Coming Home / Paranoid
|