Meados de 1993, este que vos escreve no auge de seus 12 anos tem seu primeiro contato com uma banda chamada Metallica. No aparelho de vinil (sim, na época se tratava de LP, bons tempos aqueles!), o “play” do momento era o absoluto “Master Of Puppets”, o choque foi imediato e minha concepção sobre música, sobre metal em si, adquire a partir daí uma nova roupagem, uma nova perspectiva, e diante disto, tudo que já havia surgido e que viria a surgir levando o nome do Metallica (musicalmente falando) seria vorazmente consumido por este que vos dirige a palavra ao longo de todos estes anos, sejam eles com decepções (que foram muitas) ou não. Cerca de 17 anos depois, lá estava eu acompanhando as apresentações do Metallica em São Paulo, prestes a testemunhar um pedaço da história do estilo de música que amo ser escrito diante de meus olhos, a expectativa era enorme para ver e ouvir os clássicos imortalizados que marcaram minha adolescência e minha vida. Como ocorrerá em outros shows, estava ciente de que a “Máquina do Tempo” seria ligada novamente, SIM, digo “Máquina do Tempo” porque a meu ver, assistir a um show como este, de uma banda com tamanha importância e todo o significado de um Metallica é como entrar em uma “Delorien” ( para quem não sabe a que me refiro, assistam os filmes da série “De volta para o Futuro”) e viajar, reviver, relembrar e ser automaticamente transportado para a época em que o contato com determinada música ocorreu, sentimentos diversos da época voltam a tona e a emoção acompanhada de algumas lágrimas são inevitáveis, qualquer criatura com um pingo de sensibilidade musical e de alma, tem seus batimentos cardíacos acelerados instantaneamente em momentos assim.
Após a noite “light” do dia 30, eu estava totalmente preparado para enfrentar a ultramaratona do dia 31, onde a grade era o meu limite e também o de minha especial escudeira srta. Luciana que, diga-se de passagem, é uma mulher de sorte, pois segurei literalmente o rojão na escolta da mesma com muita bravura (rs), tudo isto por conta de alguns imbecis que durante o show deram início a tradicional sessão de tortura: socos nas costas, chutes nas pernas, aquela comum disputa insana por espaços pífios na qual ombros fortes e cotovelos afiados fazem toda a diferença contra este tipo de gente. Realmente este é o ponto negativo do público sul-americano em especial, infelizmente não existe respeito nenhum nesta disputa doentia por espaços mínimos. A concentração para o segundo show foi um pouco mais longa e mais tortuosa devido ao sol escaldante que torturava aqueles que chegaram cedo para buscar um lugar privilegiado para curtir o show, água e alimentos leves eram absolutamente indispensáveis. Por volta das 15h, os portões foram abertos e o público da área VIP já se amontoava próximo a sonhada grade, interagindo com alguns seguranças muito bem humorados que nos abasteceram de água durante todo o show, o que logicamente nos ajudou (e muito) a suportar a tortura física.
Uma chuva muito bem vinda se fez presente para amenizar o escaldante calor do dia e deu boas vindas também ao Sepultura, que abriu ambos os shows com muita competência e energia, aliás, creio que não poderíamos ter outra banda de abertura para shows do Metallica, uma vez que esta sem sombra de dúvidas é o nome brazuca com maior projeção no exterior dentro da vertente do Metal. Com certo atraso, o Metallica sobe ao palco por volta das 21h, minhas pernas que agüentaram firme o tranco de estar em pé praticamente desde as 11h da manhã provam que o limite do ser humano é muito maior do que se pode imaginar, pois foram exigidas ao máximo para manter o corpo em pé e o espaço na disputada grade. O set list como já esperado fora modificado para esta segunda noite, e é justamente aí onde o Metallica mostra estar a frente de outros grandes nomes da música pesada hoje em dia (a grande maioria previsível e mecanizada), tais mudanças são altamente benéficas e consagradoras pois dão um ‘Q’ de surpresa que deixam os fãs satisfeitíssimos. Abaixo segue o set list da segunda noite em SP:
Pontos Positivos: a união dos verdadeiros fãs que curtem o show com civilidade e se ajudam. A companhia especial da Luciana que tive durante todo este fim de semana e que colaborou com esta matéria (quando a “Máquina do Tempo” for ligada, sem dúvida me lembrarei instantaneamente de todos estes momentos que passamos nessa aventura inesquecível, apesar de que, lembrar de você não é preciso muito sacrifício rs). Pontos Negativos: O maldito ser que estava no comando da mesa de som do show que insistiu irritantemente em manter no “repeat” um CD insuportável onde rolavam músicas chatas em meio a poucos clássicos que chegaram a se tornar um porre tamanha a quantidade de repetições. Alguém, por favor, avise aos organizadores de eventos de grande porte que uma boa música, em altura descente, continuidade variada e coerente com a banda headliner ajuda muito a suportar a espera tortuosa pelo espetáculo.
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