MANOWAR Doze anos se passaram desde a extraordinária última apresentação do Manowar em São Paulo, no marcante festival Monsters Of Rock. Muitos fatos ocorreram, da queda do World Trade Center à Guerra no Iraque que depôs Saddam Hussein, revoltas naturais como o tsunami na Ásia e o terremoto no Haiti, bandas que uma vez haviam se despedido retornando com formações clássicas, mas algo não mudou desde então: a fidelidade do som executado desde sua origem dàqueles que proporcionariam no Credicard Hall o que posso considerar a grande decepção do ano... Com Eric Adams (V), Karl Logan (G), Joey De Maio (B) e o baterista Donnie Hamzik (em sua primeira vez no Brasil, no lugar de Scott Columbus o qual anda afastado das atividades do grupo por “problemas pessoais”, sendo substituído regularmente por Hamzik ou pelo antigo baterista Rhino). Neste meio tempo em que esteve afastado dàqueles que costumam chamar de melhor público do mundo (será que não dizem isso à todos?), o Manowar lançou os álbuns "Warriors Of The World" (2002), "Gods Of War" (2007) e o recente EP "Thunder In The Sky" (2009), porém mesmo conhecendo o set da atual tour, até mesmo em virtude deste longo período afastado, nem ao menos o headbanger mais desavisado poderia esperar por uma apresentação apenas com faixas destes três lançamentos, sem qualquer clássico do século passado.
Em meio a diálogos com os espanhóis as luzes se apagam, soa uma música de fundo, pequena introdução esta a qual precede o petardo 'Hand Of Doom', do Warriors Of The World United, emendada por outra faixa do álbum de 2002, 'Call To Arms', músicas reverenciadas pelos presentes. 'Die With Honor' já fora a primeira a soar como desnecessária, porém a noite apenas começava, o público anseiava por diversão, então para 'empolgar' de vez os presentes segue ironicamente a BALADA 'Swords In The Wind' e o solo de Karl Logan. A banda demonstrava uma técnica das melhores, Hamzik na bateria não deixava nada a dever para Scott Columbus, Logan e De Maio em seus respectivos instrumentos esbanjavam presença de palco e Eric Adams, ah, esse espantava mediante a qualidade de sua voz, parece que está parada no tempo, timbres fiéis aos apresentados nos álbuns anteriores do Manowar. Se 'Let The Gods Decide' soou novamente como faixa desnecessária, não podemos dizer o mesmo do momento seguinte. Joey DeMaio surge no meio do palco e inicia um longo discurso aos 'melhores fãs do mundo', dizendo que não demorariam tanto tempo para voltar. O mesmo demonstrou que experimentou em demasia a 'língua das brasileiras', tendo aprendido com as mesmas frases (diga-se de passagem, ditas em um português melhor do que a dos espanhóis que me acompanhavam) como “você tem namorado? Você gosta de metal?” ou algo mais picante como “você está molhadinha”, o que levou os presentes a grandes gargalhadas. Discursos pró metal/Manowar do tipo quem não gosta que se dane e logicamente, o momento clássico, no qual ele convida alguém da platéia para tocar com a banda. Ao se candidatar, um rapaz fora obrigado a retirar a camisa do Iron Maiden a qual trajava (OBS.: tal ato seria lembrado pelo público posteriormente, não esqueçam deste trecho), DeMaio literalmente entornou sua taça de chop e iniciou-se, já com os demais integrantes no palco, o petardo 'Die For Metal'. Durante a mesma, três moças adentram ao palco, se despem quase que por completo (restando apenas a calcinha no corpo) e exibem-se aos presentes, o que desconcentrou inteiramente o 'guitar convidado' que mais se deliciou nos lábios e seios das moçoilas do que executou os devidos riffs... rsss 'The Sons Of Odin' até inicia legal, mantém uma boa sonoridade até pouco depois do solo de Logan, porém seu final emendado com o início de 'Sleipnir' e todas aquelas passagens 'épicas' presentes no original me levaram pessoalmente aos bocejos... E quando a música melhora, do meio para o final, acaba sendo emendada por um solo de Joey De Maio, nada mais sonolento! Finalmente uma boa faixa por completo, o conhecido single 'God Or Man' o qual se tornara até mesmo video clipe da banda. Na sequência dois petardos: 'Loki God Of Fire' a qual se trata de minha favorita do Gods Of War (refrão pegajoso 'God Of fire, burning higher, god of fire, into the sky!!!') e 'Thunder In The Sky', encendiando o público de vez. Porém, assim como ocorrera anteriormente, quando o público se incendeia, logo vem um balde de água fria: break rsss.
DeMaio retorna ao palco, e com o animador discurso de que tinham mais ainda o que tocar, convoca a banda para o que seria o grande momento da apresentação. Antes disso, uma pequena história pessoal do passado... Assim que o álbum Warrios Of The Wolrd fora lançado, logo na primeira semana, me encaminhei a conhecida galeria do rock em São Paulo e na loja Die Hard encontrei uma pessoa com a qual comprei tal álbum: Vitor Rodrigues, vocalista da banda Torture Squad, lá estava colaborando com o vendedor que havia dado uma rápida saída. Pois bem, anos se passaram, eu pessoalmente cobri muitas apresentações dos paulistanos, e eis que ao lado de meus amigos espanhóis olho para o lado e está lá, o mesmo Vítor apontando seus dois indicadores em minha direção em meio a execução de qual música? A faixa título do mesmo álbum o qual comprei de suas mãos oito anos atrás, 'Warriors Of The World United'. Situação pessoal a parte, o público bradou em uníssono esta faixa, querendo ou não o grande clássico apresentado na dada noite. Do mesmo álbum, segue a pesada 'House Of Death', abrindo inclusive rodas em meio ao público o qual apenas precisava de um agrado para alvoroçar-se. Mais uma conhecida dos presentes segue, 'King Of Kings', extase nos quatro cantos do Credicard Hall, Eric Adams ao fim da faixa profere um simples “Good night, São Paulo!” e a banda deixa o palco. No apagar das luzes do palco, inicia-se nos PA's “Army of the Dead – Part II”, o público se alvoroça ainda mais na expectativa de um grande clássico, mas... As luzes simplesmente se acendem e os roadies começam a desmontar os equipamentos, cortinas se fechando, fim do show. Ninguém entende o que ocorrera, os espanhóis ao meu lado se despedem e somem na multidão que olhava incrédula para movimentação de palco, ecoa no Credicard Hall uma grande vaia (para surpresa dos roadies), xingamentos e um grito de 'Maiden, Maiden', muito em virtude do episódio protagonizado por DeMaio e o rapaz da platéia que trajava uma camisa da banda inglesa e fora obrigado a retirá-la. Na saída da casa, o comentário geral era 'cadê Hail And Kill? Gods Made Heavy Metal? Cadê os clássicos?'. Não podemos dizer que o show fora de todo ruim, pelo contrário, fora uma boa apresentação que tinha tudo para ser histórica e acabou sendo decepcionante. O catálogo de lançamentos de 2002 em diante não é ruim, possue boas músicas as quais facilmente poderiam ser encaixadas no set list, mas uma banda com um repertório de clássicos tão extenso não pode privar os fãs de ouvi-lo, ainda mais um público como o brasileiro que não presencia uma performance dos tidos 'reis do metal' a pelo menos doze anos (isso em se tratando de São Paulo, e as outras cidades então?).
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