KIP
WINGER
MANIFESTO BAR, SÃO PAULO - SP
Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Yaser Yusuf (yaseryusuf.blogspot.com)
Kip
Winger é um dos músicos mais versáteis e talentosos do Hard Rock internacional.
Em quase 25 anos de carreira, já contribuiu em diversas bandas, seja
como músico na banda que leva seu nome ou apenas como autor das letras
de diversas canções. Já tocou com artistas de renome como Alice Cooper
e Bob Dylan. No final dos anos 80 fundou a sua própria banda, denominada
apenas “Winger”, aliás, foi sobre esta alcunha que lançou dois dos mais
influentes discos de Hard Rock da história. Se por um lado Kip nunca
teve o reconhecimento do público em massa, não se tornando um artista
que arrasta multidões para estádios, o músico sempre possuiu uma legião
de fãs fiéis que em suas apresentações solo enchem as casas noturnas
nas quais se apresenta. Fora exatamente isso o que ocorreu em mais uma
das já famosas “Hard Party” promovidas pelo Manifesto Bar em São Paulo
no dia 4 de outubro, que graças à presença de Kip, se tornou literalmente
uma festa! Um público não tão numeroso, mas com sede de ouvir as músicas
de Winger, verdadeiros fãs que cantaram todas as canções sem exceção.
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Inicialmente,
para entendermos um pouco melhor a dimensão da carreira desse
grande artista, vamos contar um pouco de sua biografia. Kip,
americano vindo do Colorado, já possui a música no sangue, pois
é fruto de pais músicos de jazz. Crescendo neste meio, logo
cedo começou a estudar música clássica (tendo entre seus compositores
favoritos Maurice Ravel e Igor Stravinsky), além de fazer aulas
de ballet. Nessa época formou uma banda com seus irmãos chamada
Blackwood Creek com influências de Alice Cooper, Yes e Jethro
Tull. Para sua decepção, a banda não foi para frente, mas lhe
valeu um contato com o produtor Beau Hill que seria fundamental
posteriormente. Quando se mudou para Nova York em 1982, foi
graças ao contato de Beau Hill que pode conhecer a banda “KIX”
e participou da autoria da canção “Bang Bang” presente no terceiro
disco da banda, intitulado “Midnite Dynamite”. Durante este
período, continuou a trabalhar como freelancer para diversos
artistas, tanto como baixista de estúdio ou backing vocals,
como também na co-autoria de diversas letras de músicas. Entre
os artistas com os quais trabalhou, destaca-se sua participação
com Fiona, Twisted Sister e Kane Roberts. Em 1985 surgiu sua
grande oportunidade, ao ingressar para a banda de Alice Cooper
como baixista e backing vocals na gravação do disco “Constrictor”.
Sua contribuição junto a banda de Cooper se estende a outros
discos, entre eles “Raise Your Fist And Yell” e “Trash”. Neste
período, durante as tours dos álbuns, Kip aproveitava os momentos
vagos para preparar material afim de montar sua própria banda,
o qual entra em estúdio no ano de 1988 para gravar seu debut.
Um ponto interessante é que tanto o grupo quanto o disco inicialmente
se chamariam Sahara, mas foi aconselhado pelo próprio Alice
Cooper a usar seu sobrenome como título para a banda (nos mesmos
moldes do que era o Van Halen). Então, é lançado o disco auto-intitulado
“Winger” contendo alguns clássicos que chegaram a tocar muito
nas rádios da época. O debut foi elogiado pela crítica e sucesso
de vendas, tendo empolgado os produtores (entre eles o seu
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antigo
amigo Beau Hill). Com essa exposição na mídia, lança em 1990 o
album “In The Heart Of The Young”, que contém uma das canções
mais conhecidas desse prolífero artista, “Miles Away”, que já
foi interpretada por diversos artistas dos mais variantes gêneros
musicais. Após este, gravou ainda mais alguns discos com a banda
Winger e lançou-se em uma excelente carreira solo. Foi exatamente
com um show solo e acústico que Kip deu as caras em terras tupiniquins
para uma tour brasileira.
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Em torno
de 21h, Kip sobe ao palco empunhando um belo violão de 12 cordas. Para
lhe acompanhar na bateria, guitarra, baixo... Opa!!! Calma ai! É um
show acústico, apenas o bom e velho violão plugado em uma caixa, sem
distorções sem efeitos! Para aqueles que acham isso estranho, posso
lhes garantir que o rock e principalmente o hard rock fica maravilhoso
no formato que Kip nos trouxe. E foi exatamente neste show mais intimista
que vimos à participação do público com todos cantando cada música.
Kip deu uma repassada em toda sua carreira, mostrando canções tanto
de sua fase com a banda “Winger” como de sua carreira solo. O show se
concentrou bastante nos dois primeiros discos da sua banda, considerado
por toda crítica os melhores discos que ele já lançou. Do debut “Winger”
de 1988, Kip nos brindou com as canções “MADALEINE” e a maravilhosa
“HUNGRY” a qual segundo informações, inicialmente não estaria no set.
Se isso for verdadeiro, tratou-seuma ótima inclusão de última hora!!!
Do mesmo disco ainda foram executadas a música “SEVENTEEN” onde Kip
mudou o nome para “Thirty five” fazendo uma alusão a idade que os fãs
de 17 anos da época do lançamento da música tem atualmente, e para finalizar
o primeiro petardo, foi executada “Headed For A Heartbreak”.
O segundo
disco de Kip, talvez o mais conhecido devido à grande exposição do mesmo
nas rádios da época também foi um dos que mais teve canções na performance
acústica. É um disco que particularmente eu adoro, e não me importaria
em nada do mesmo ser tocado na íntegra. Desse álbum foram executadas
“Can’t Get Enuff” e também “Easy Come”, além de “Rainbow In The Rose”.
Mas foi na execução do clássico “Miles Away” que Kip demonstrou seu
carinho para com os fãs, convidando uma garota do público para cantar
junto. Pelo que pesquisei nas comunidades do Orkut, a felizarda se chama
Cibele, e não é que a garota tem uma bela voz e sabia a letra toda?
Mais insano foi o público gritando “Kiss, Kiss, Kiss”, e com um rosto
ruborizado pelo momento inusitado, Kip deu um ‘selinho’ na mesma (pensei
que ele fosse casado, caso seja, terá que dar explicações a Senhora
Winger rss).
O
terceiro disco, mais precisamente o “Pull” lançado em 1993,
também foi agraciado com várias músicas na noite. Foram executadas
“Blind Revolution Mad” e também “Spell I’m Under”, mas foi com
a dobradinha de “Cross’ / ‘Down Incognito” que o público foi
à loucura, havia momentos dessa canção que a voz de Kip simplesmente
era encoberta pelo coro que o público fazia, principalmente
com os aplausos recebidos no final, quando homenageou São Paulo
ao mudar o fim da canção. E ainda tivemos a bela “Who’s The
One” do mesmo disco. Mas Kip não tem apenas a banda Winger com
ótimas canções que ficam maravilhosas no formato acústico. Também
tivemos várias faixas de sua carreira solo, onde destaco “How
Far Will We Go” e “Daniel”, sendo esta segunda com vários momentos
de improvisação, mostrando toda sua competência com um violão
doze cordas. Também tivemos “Steam” e a belíssima “Free”. Conversando
com outras pessoas presentes no show que tiveram a oportunidade
de ver o show anterior em Ourinhos, parece que Kip gostaria
de ter incluído no set a canção “Blue Suede Shoes”, mas ela
foi substituída por “Hungry”. Que pena, seria muito legal ouvi-la
também... pelo que me contaram, o público carioca fora brindado
com ela também. Com um sorriso no rosto, e cheio de elogios
direcionados ao público presente, Kip despede-se de seus fãs,
prometendo voltar sempre ao Brasil. Espero que venha sim, e
quem sabe em um formato elétrico para vermos sua banda por completo!
Passado um pequeno
tempo para que Kip pudesse descansar do grande show, o mesmo
aparece na loja do Manifesto para atender prontamente os fãs
que lá se fizeram presentes. Se a sua simpatia já era demonstrada
de forma excepcional sobre o palco, nesse momento pós show
ela ficou comprovada para todos. Quantos discos e CDs as pessoas
levavam, Kip autografava com um grande sorriso nos lábios
e distribuindo fotos ao lado de todos que solicitavam. Algumas
pessoas, quando a foto ficava desfocada ou queimada pela luz
voltava a pedir outra para Kip, e ele, sempre simpático fazia
questão de tira-las novamente e agradecer a presença do seu
fã. Levei alguns vinil’sd ele para autografar, inclusive alguns
da sua época no Alice Cooper, onde o mesmo ficou feliz em
vê-los e comentou algumas situações inusitadas ocorridas em
shows de sua época ao lado da Tia Alice. Com este final de
noite, voltei feliz para casa, desejando estar em todos os
outros shows dessa tour aqui no Brasil, o que infelizmente
não pude fazer pois acho que seria despedido de meu trabalho
rss.
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AGRADECIMENTOS
- Manifesto
Rock Bar, na pessoa do Silvano, que
mais uma vez atendeu prontamente a equipe do Metal Revolution
de forma educada, rápida e honesta.
- Free Pass Entretenimento, responsável por
trazer a tour do Kip Winger para o Brasil. Tive a oportunidade
de conhecer o responsável pela empresa, Ricardo H.D.,
que me deu o prazer de uma boa conversa sobre shows no Brasil.
- Yaser Yusuf que gentilmente cedeu as fotos
que ilustram esta resenha. Aliás, foi ele quem presenteou Kip
com uma bela camisa ilustrada pelo logo do Winger.
- Paul Gilbert, outro grande fã que pude conhecer
no final do show na fila para autógrafos, grande conhecedor
de metal; também à Aline “Lau”, vendedora da
loja do Manifesto, pela sua simpatia no atendimento e conversa
enquanto eu esperava o Kip!!! |
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