JOE
LYNN TURNER
ABERTURA: KING BIRD
BLACKMORE ROCK BAR, SÃO PAULO - SP
Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Myrna (metalrevolution.net)
Joe
Lynn Turner, um exímio vocalista dando um grande espetáculo para um
público não tão numeroso, mas que cantou e vibrou em cada acorde tocado
pela banda ou refrão cantado pelo frontman. Basicamente posso resumir
dessa forma o show que pude presenciar na primeira noite do mês de agosto
no Blackmore Bar, em São Paulo. Infelizmente ainda há muitas pessoas
que conhecem pouco de algumas bandas e sempre terão uma mente fechada
achando que “Rainbow é Dio no vocal”, assim como “Deep Purple só é Deep
Purple se Ian Gillan for o vocal”, são pessoas com esse pensamento que
deixaram de ver um maravilhoso show de um vocalista que não apenas passou
pelas fileiras do Rainbow e Deep Purple, mas que também colocou sua
vós em bandas como Malmsteen e Fandango, entre outras. Para estas pessoas,
sinto dizer que perderam um grande show onde a interação entre banda
e público foi impressionante. Tentarei, nesta resenha, colocar um pouco
de todo o meu entusiasmo e alegria de ter presenciado esse grande vocalista
novamente em terras tupiniquins.
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Antes de falarmos
sobre o show em si, cabe um parágrafo para falar um pouco mais
sobre a pessoa e a carreira do Lynn Turner para aqueles que
não a conhecem. Poucos sabem, mas Turner não é apenas um cantor,
quando criança tocava acordeom e durante a sua adolescência
se tornou guitarrista. No colegial formou uma banda para tocar
covers de Hendrix e Deep Purple (coincidentemente). Posteriormente
montou uma banda com o nome de Fandango (o grupo, não a marca
de salgadinho rs) onde cantou e tocou guitarra nos quatro discos
da mesma. Após a separação da Fandango, Blackmore o convidou
para substituir o vocalista Graham Bonnet que estava saindo
do Rainbow para montar o Alcatrazz (acompanhe aqui mesmo no
Metal Revolution a resenha do show do Bonet em São Paulo !).
O Rainbow já gozava de um grande sucesso na Europa e no Japão,
mas era praticamente um desconhecido nas terras do Tio Sam.
Com as contribuições de Turner tanto nas letras como no direcionamento
musical da banda (Turner sempre foi mais voltado ao Pop, mas
sem deixar de lado o hard e o peso das guitarras), o Rainbow
alcançou um novo patamar nos EUA inclusive sendo Top 20 das
paradas. Após a dissolução do Rainbow, talvez pelo gênio forte
de Blackmore, Joe lançou alguns discos solos até ser convidado
por Yngwie Malmsteen's para ser o vocalista dos seus discos
solos (Malmsteen havia saído do Alcatrazz, banda de Bonnet,
para seguir carreira própria). Após alguns discos acompanhando
o excelente músico, Joe deixou a banda para se juntar aos seus
ex-colegas Ritchie Blackmore e Roger Glover, substituindo Ian
Gillan no Deep Purple. Foi o quinto vocalista do Purple, gravando
ao lado destes o disco “Slaves and Masters”. O estilo musical
do disco era diferente do som praticado tradicionalmente pelo
Purple, o que desagradou muitos fãs antigos da banda, mas atraíram
novos fãs. Foi com este disco que a banda passou pelas terras
tupiniquins pela primeira vez em 1991. Desta passagem pelo Brasil
resultou um Bootleg (gravação pirata do show feita pelos fãs)
chamada “Tour Brasil ' 91” .
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Ao
findar da tour, Blackmore viu que a mesma não ido tão bem financeiramente.
Isto, aliado ao seu desejo de um retorno do antigo vocalista Ian
Gillan, fez com que Joe fosse demitido do posto de vocalista,
segundo consta, o que deixou o músico desgostoso e entristecido.
Após sua passagem pelo Purple, Turner se dedicou principalmente
à sua carreira solo gerando excelentes discos. Também trabalhou
com Glenn Hughes (outro ex Purple) em um projeto chamado “Hughes
Turner Project”. Também emprestou sua vós para a banda Brazem
Abbout e lançou três discos com a banda Mother’s Army. Em 2005,
Joe teve uma aparição no álbum do Blackmore's Night The Village
Lanterne cantando na faixa bônus Street Of Dreams, que foi originalmente
escrito por ele e pelo guitarrista Ritchie Blackmore com a banda
Rainbow. Nos últimos anos, Joe Lynn Turner se apresentou em diversos
concertos ao lado de Graham Bonnet, e mais precisamente em 2008
ele formou a “Over The Rainbow”, uma nova banda composta por músicos
que já haviam integrado as fileiras do Rainbow; entre eles Bobby
Rondinelli na bateria, Greg Smith no baixo, Tony Carey nos teclado
e o filho de Ritchie Blackmore na guitarra. Logo após, iniciou
uma seqüência de shows esporádicos mundo a fora como vocalista
solo em uma tour chamada de “The High Gear Tour”. É exatamente
com esses shows que desembarca no Brasil para uma pequena tour
em nosso país. Entre esses shows, conta o de SP realizado no Blackmore.
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Após o
público curtir o show da banda paulistana “King Bird” e notar certo
atraso no início do show principal, Joe Lynn Turner sobe ao palco já
beirando a 1h. O show inicia-se com a excelente música “HIGHWAY STAR”.
Ora, embora eu ame essa música e ela tenha agitado todos os presentes,
eu particularmente estranhei essa abertura. Para os que não sabem, esta
faixa é do Deep Purple, mas faz parte do disco “Machine Head” que não
trás Turner como vocalista. Teria sido apenas coincidência ou de fato
Joe queria abrir a noite com a mesma música que o Purple iniciou os
últimos show no Brasil no começo do ano? Como pude assistir ao concerto
do Purple em março, era inevitável minha comparação. Joe se mostrou
mais potente que Gillan e segurou muito bem as partes agudas da musica
que requer muito da voz. Já dava para sentir que este show teria tudo
para ser melhor que o do Purple no início do ano (cabe lembrar que Gillan
estava doente, com problemas pulmonares em sua última tour, por isso,
gostaria de ver os dois bem de saúde cantando juntos para uma melhor
análise). Logo após esse estranho, mas empolgante início, Joe dispara
um petardo que acerta todos os presentes em cheio. A casa inteira vem
abaixo cantando e pulando junto quando Turner anuncia que a segunda
musica é nada mais nada menos que “I SURRENDER”. Esta canção foi o primeiro
sucesso do Rainbow com Joe nos vocais, embora com uma levada mais pop
(tanto que foi a música single do disco “Difficult to Cure”), ela sempre
foi uma ótima canção para abertura de show. Aqui não foi diferente,
todos a cantaram juntos e vibraram em cada nota ou cada verso cantado.
Com o público em mãos, Turner emenda com “KING OF DREANS”, um grande
sucesso do seu único disco gravado com o Purple. Uma pequena pausa,
para que Turner possa interagir um pouco com os presentes, usando palavras
simpáticas, diz estar adorando sua volta ao Brasil onde sempre foi bem
recebido pelo público. Agradece a presença de todos e os convida para
cantar juntos a próxima música, estamos falando de “BLOOD RED SKY”,
faixa pertencente ao ultimo disco solo de estúdio chamado Second Hand
Life, lançado em 2007. Aqui, eu tive uma pequena decepção, não com a
banda e com Turner, mas sim com o público presente. Turner havia convidado
a todos para cantar, mas vi que foram poucos que o acompanharam. Muitos
dos presentes não conheciam as faixas de sua carreira solo, apenas seus
discos com o Rainbow e o Purple. Talvez, por ter percebido isso, ao
final desta música Joe anuncia uma grande canção da sua época no Rainbow,
e inicia-se a execução de “STREET OF DREAMS”. Para aqueles que não estavam
presentes, digo que o Blackmore veio literalmente abaixo. Todos os fãs
presentes, sejam os que estavam na pista ou os do mezanino, cantaram
juntos com Turner esta canção. Percebendo o entusiasmo do público e
vendo que todos estavam em suas mãos, Joe agradece o apoio de todos
e novamente diz estar muito feliz em estar de volta ao Brasil.

O show
prossegue, e a próxima música é “DIVIDED”, outra canção do trabalho
solo do vocalista. Novamente muitos ficam perdidos durante o show, mas
também percebo que ali, na frente do palco, muitos acompanham letra
por letra a canção ao lado de Turner. Dá para se notar nitidamente a
felicidade estampada no rosto do vocalista, que percebe que possui verdadeiros
fãs que conhece muito de sua carreira e não apenas algumas bandas que
ele passou. A próxima canção foi realmente um presente para os fãs das
antigas. Mesmo sendo uma canção de sua época no Rainbow, ela não é conhecida
por muitos aqui do Brasil por fazer parte de um EP/Single da banda,
estamos falando de “JEALOURS LOVER”. Infelizmente, nos anos 80 (assim
como até hoje), muitas bandas gringas não tinham o apoio da gravadora
ao lançar um disco no Brasil, a mesma limitava-se apenas a lançar o
disco (muitas vezes sem o encarte) e raramente lançava os singles e
EPs da banda. Como esta canção saiu apenas em EP, talvez este seja o
motivo de não ser reconhecida por todos. Mas como citei esta trata-se
de uma ótima música, e hoje, nos tempos de MP3 e internet, é praticamente
um pecado gostar de Rainbow sem conhecer esta grande canção.
O
espetáculo proporcionado por Joe continua, e temos “STONE
COLD” (outra canção do velho Rainbow de Blackmore), seguida
por “DEVIL’S DOOR” do álbum solo “The Usual Suspects” lançado
em 2005. É chegada a hora de mostrar mais uma musica de seu
único disco ao lado do Purple, e com grande alegria o público
canta junto com a banda a maravilhosa “LOVE CONQUERS ALL”.
Embalado por esta bela canção gravada ao lado de Ritchie Blackmore,
Turner anuncia mais uma de sua época do Rainbow, “DEATH ALLEY
DRIVER”, outra canção bem recebida por todos. O final do show
já se aproximava, e Turner queria acabar com as cordas vocais
dos poucos que ainda conseguiam cantar, visto que muitos,
assim como eu, já estavam sem voz depois de clássico atrás
de clássico. E para arrasar o público presente, Joe nos presenteia
com uma fenomenal dobradinha no fim do show. Ora, o que importa
se essas músicas originalmente não foram gravadas por ele???
Ele as cantou na sua tour com o Purple!!! Seguindo esta linha
de pensamento, com grande prazer Joe canta “HUSH” e “BURN”,
duas maravilhosas canções do Purple de épocas distintas. Hush
foi gravada com Gillan nos vocais e Burn foi é da época do
Senhor Coverdale (que hoje esta com o Whitesnake). Posso dizer
que fiquei muito feliz com a execução de Burn, já que dificilmente
o Whitesnake vem para o Brasil e se você sonha com o Purple
tocando esta musica, ESQUEÇA!!! Gillan (e seu grande ego)
se recusa a cantar uma música de outra época do Purple, fora
a que ele fazia parte.
Agradecendo
a presença de todos, Joe se diz muito feliz e emocionado por
estar tocando no Brasil, que foi uma noite maravilhosa e especial
para ele, principalmente por ter um público tão carismático
e receptivo em seu aniversário. Epa!!! Espera um pouco! Era
aniversario do cantor e eu não sabia! Aliás, poucos sabiam.
Mas isso foi logo corrigido, todos cantam parabéns para o
grande Turner, acompanhado da banda. Turner visivelmente emocionado
acompanha o público com palmas e agradece a todos. Engraçado
como o aniversário era dele, mas quem ganha o presente é o
público! Mas todos sabem que nenhum show pode encerrar sem
um grande Biz! Portanto, para encerrar a noite, Joe canta
a música mais conhecida do Purple, e talvez uma das mais conhecidas
músicas já gravadas por uma banda. Com seu riff identificável
logo no primeiro acorde, o público vibra com “SMOKE ON THE
WATER”. E sem tempo de respirar, soa nos PA’s da casa o som
alto e encorpado vindo do teclado. Silêncio no público, todos
com o olhar atento no palco e no tecladista que faz um grande
solo de introdução para o último petardo da noite: “PERFECT
STRANGERS”!
Assim,
encerra-se um grande show, mas não a noite. Era festa pura.
O público participativo, a banda entrosada, o vocalista além
de muito feliz era o aniversariante da noite. O show tinha
que continuar. Depois de um descanso para que o mestre de
cerimônias recupera-se um pouco do espetáculo, acontece um
longa “Jam Session” com membros da banda que acompanhou Joe
no show, músicos do King BIRD (a banda de abertura), Paul
Ziner (do Golpe de Estado) e também membros da Rockestra.
Infelizmente, o show começou muito tarde e já passava das
4h. Eu dependia de carona para ir embora, visto que não sou
da capital, e perdi essa Jam surpresa. Conversando depois
com algumas pessoas que estavam no show e que mantenho contato,
fiquei sabendo que esta Jam Session contou com músicas do
calibre de “Black Night”, “Hey Joe” (poxa adoraria ter ouvido
esta canção) e “Long Live Rock'n'Roll”. Por sinal, com esta
última canção os músicos fizeram uma grande homenagem ao Rock,
transformando-a em uma medley no qual visitaram vários outros
clássicos da década de 70 e 80. Obrigado a todos que leram
mais esta resenha!
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AGRADECIMENTOS
- Primeiramente
gostaria de agradecer a minha colega Myrna, que também disponibilizou
as fotos que ilustram essa resenha. Sem
o ingresso que ganhei de suas mãos, esta resenha não seria possível.
- Gostaria
de mandar um grande abraço para a Lu (subgerente do Blackmore).
Mais uma vez seu maravilhoso atendimento fez a diferença. E
por ultimo gostaria de agradecer ao senhor Wanderley Immezi,
administrador do Blackmore. Pude conhecê-lo pessoalmente e agradeço
toda a educação com a qual atendeu a equipe Metal Revolution,
e logicamente, os contatos de outros produtores que nos apresentou.
Lu e Wanderley, vocês fizeram a diferença no tratamento que
tivemos na noite e esta resenha é dedicada aos dois.
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